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Ciclones podem atingir o Paraná? Simepar explica

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Imagem do satélite GOES referente a um ciclone extratropical de 08/04/2026

Um ciclone vai atingir o Paraná? Esta pergunta chega com frequência para as equipes da meteorologia do Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. A resposta quase sempre é não, afinal a maioria dos ciclones na América do Sul se formam entre o Uruguai, Rio Grande do Sul e áreas próximas ao litoral, e costumam deslocar-se em direção ao oceano, sem atingir o continente. Mesmo não passando sobre o Paraná, os ciclones geram outros fenômenos que já são conhecidos dos paranaenses, como as frentes frias. 

Os ciclones são sistemas atmosféricos de baixa pressão caracterizados por ventos que giram em espiral em torno de um centro. Essa rotação ocorre no sentido horário no Hemisfério Sul. O deslocamento dos ciclones é definido pelo escoamento atmosférico em grande escala (movimento contínuo do ar impulsionado pelo aquecimento desigual da superfície da Terra). A trajetória do centro desses sistemas pode variar conforme o padrão desse escoamento, mas frequentemente na América do Sul eles costumam se deslocar para o sudeste ou leste, chegando ao Oceano Atlântico.   

Em um ciclone, o ar tende a subir no centro, favorecendo a formação de nuvens e chuva. São fenômenos de grande escala, capazes de alcançar centenas ou até milhares de quilômetros (o tamanho de um estado, por exemplo), e podem se formar por diferentes processos: alguns dependem do encontro entre massas de ar quente e frio, enquanto outros surgem em ambientes muito quentes e úmidos, alimentados pela energia liberada durante a formação de nuvens.

Na América do Sul os ciclones extratropicais são muito frequentes, e podem durar vários dias. Eles se formam principalmente em latitudes médias, onde é comum o encontro entre ar quente e ar frio. Isso ocorre na maior parte das vezes no oceano, na altura do litoral uruguaio e gaúcho, onde o ar frio e seco que vem da região polar se encontra com o ar quente e úmido que vem da Amazônia.

Outro fator que contribui para a frequente formação de ciclones extratropicais no sul da América do Sul é a presença da Cordilheira dos Andes. Por atuar como uma grande barreira natural, a cordilheira altera a direção dos ventos em diferentes níveis da atmosfera, canalizando o transporte de ar quente e úmido da Amazônia em direção ao centro-sul do continente e favorecendo a formação de áreas de baixa pressão a leste dos Andes. Em conjunto com o contraste entre massas de ar quente e frio, essas condições criam um ambiente propício à formação e intensificação dos ciclones extratropicais.

EFEITOS COLATERAIS – Mesmo não passando sobre o continente, os ciclones causam efeitos colaterais. Esse contraste entre as massas de ar criam frentes frias e quentes, que organizam o ciclone e conferem a ele uma estrutura mais alongada e irregular. Com o deslocamento do sistema em direção ao oceano, essas frentes avançam sobre o continente, provocando mudanças no tempo, com chuva e ventos fortes e posterior declínio nas temperaturas.

O avanço de sistemas frontais sobre o continente pode favorecer a formação de tempestades severas capazes também de evoluir para tornados. No entanto, para que isso ocorra é necessária a combinação de outros fatores atmosféricos: ventos que variam em intensidade e direção com a altitude, elevada instabilidade atmosférica, alta disponibilidade de umidade.

A diferença entre os ciclones e os tornados está, entre outras características, no tamanho e no tempo de duração: os tornados são fenômenos muito menores e extremamente concentrados. Eles geralmente se originam de tempestades severas, especialmente supercélulas, que possuem uma região de rotação interna, denominada de mesociclone. 

O tornado se forma quando essa rotação se intensifica e se estende até o solo. Embora seus ventos possam superar os de um furacão, os tornados têm dimensões muito reduzidas — normalmente centenas de metros a poucos quilômetros — e entre poucos minutos. Seus impactos são altamente localizados, enquanto os ciclones podem afetar regiões inteiras durante vários dias.

TIPOS – Existem outros tipos de ciclones, mais comuns em outras regiões do planeta. Os ciclones subtropicais formam-se sobre o oceano, em áreas de temperatura moderada. Parte do sistema é mais quente e úmida próxima ao centro, enquanto outra parte recebe influência de ar mais frio em níveis mais altos. O resultado é um ciclone parcialmente simétrico, mas não tão organizado quanto um ciclone tropical.

Também existem os ciclones tropicais, que formam seus centros sobre águas quentes, capazes de fornecer calor e umidade para alimentar tempestades profundas. São sistemas mais simétricos, com um centro bem definido e um núcleo quente em altitude. Quando alcançam ventos muito fortes, recebem diferentes nomes conforme a região do planeta: furacão no Atlântico Norte e Pacífico Nordeste, tufão no Pacífico Noroeste e ciclone tropical severo em partes do Índico e Pacífico Sul.

Apesar das variações de nomenclatura, furacões, tufões e ciclones tropicais intensos são o mesmo fenômeno, nomeados de acordo com a bacia oceânica onde ocorrem. Devido à condição de temperaturas não costumam se formar sobre o Atlântico Sul, que tem águas mais frias. Além da temperatura da água, o Atlântico Sul possui um forte cisalhamento do vento, ou seja, os ventos sopram em altitudes elevadas em direções e velocidades muito diferentes dos ventos da superfície, o que desestrutura as colunas de nuvens de tempestades tropicais antes que elas consigam se organizar em um formato circular.

Até hoje, o único furacão nesta região foi o Catarina, em março de 2004, que impactou diretamente o litoral norte do Rio Grande do Sul, o litoral sul de Santa Catarina, e causou ventos de mais de 180km/h em superfície no litoral paranaense, de forma constante, por algumas horas.

Fonte: Simepar

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