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Chuvas prejudicam lavouras no Paraná; soja atinge 62% do plantio e trigo sofre perdas de qualidade

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: Chuvas intensas prejudicam lavouras de soja, milho e trigo no Paraná, preocupando produtores rurais. Foto: ilustrativa

Da Redação

Boletim do Deral aponta impactos das tempestades no Oeste do Estado, dificuldades no desenvolvimento das culturas e avanço do plantio do milho, que já alcança 94% da área prevista

As chuvas intensas, os ventos fortes e os episódios de granizo registrados entre os dias 20 e 26 de outubro provocaram dificuldades para os produtores rurais do Paraná, especialmente nas regiões Oeste, Sudoeste, Centro-Sul e Campos Gerais. O excesso de umidade comprometeu operações de plantio e colheita, prejudicou a qualidade dos grãos e provocou danos em algumas lavouras.

As informações constam no boletim semanal Condições de Tempo e Cultivo, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), com dados atualizados até segunda-feira (26).

Apesar das condições climáticas adversas, o plantio da safra de verão continua avançando. A soja alcançou 62% da área prevista no Estado, enquanto o milho chegou a 94% e o feijão da primeira safra atingiu 76%.

Soja avança, mas excesso de chuva preocupa

A semeadura da soja ganhou ritmo durante os períodos de tempo firme, permitindo que os agricultores retomassem os trabalhos interrompidos pelas chuvas.

Segundo o Deral, 88% das lavouras de soja apresentam boas condições, 11% estão em situação média e apenas 1% em condições ruins. Do total implantado, 29% estão em germinação e 71% em desenvolvimento vegetativo.

Entretanto, o excesso de precipitação, associado à baixa luminosidade e ao encharcamento do solo, tem provocado perda de nutrientes, redução da população de plantas e ocorrência de podridões radiculares.

Em algumas propriedades, foi necessário realizar o replantio de áreas afetadas. Também foram registrados danos localizados provocados por ventos fortes e granizo.

Milho tem 94% da área plantada

O milho da primeira safra apresenta avanço significativo, com 94% da área prevista já semeada no Paraná.

Conforme o levantamento, 78% das lavouras estão em boas condições, 20% em situação média e 2% em condições ruins.

Apesar da boa germinação observada na maioria das áreas, o excesso de água no solo, as temperaturas amenas e a baixa incidência de luz solar têm retardado o crescimento inicial das plantas.

Em determinadas regiões, agricultores precisaram interromper ou retomar o plantio em razão das condições climáticas. O Deral também registra preocupação com possíveis reflexos sobre o potencial produtivo.

Trigo é uma das culturas mais prejudicadas

A situação do trigo é motivo de preocupação para os produtores. Embora a colheita tenha alcançado 88% da área cultivada no Paraná, apenas 41% das lavouras remanescentes apresentam boas condições.

Outros 48% estão em condições médias e 11% são classificados como ruins.

Segundo o Deral, as chuvas frequentes, a baixa luminosidade, as temperaturas amenas e as doenças de final de ciclo provocaram redução da produtividade e comprometimento da qualidade dos grãos.

Em algumas regiões, foram registrados baixos valores de peso hectolítrico (PH), indicador utilizado para avaliar a qualidade comercial do trigo.

Parte da produção permanece armazenada nas propriedades, aguardando melhores condições de comercialização.

A cevada também enfrenta dificuldades. Com 54% da área colhida, a cultura apresenta apenas 60% das lavouras em boas condições, enquanto 34% estão em condições médias e 6% em situação ruim.

Feijão sofre com encharcamento do solo

O feijão da primeira safra está entre as culturas mais afetadas pelo excesso de precipitações.

Com 76% da área plantada, a cultura apresenta 70% das lavouras em boas condições, 26% em condições médias e 4% em situação ruim.

O Deral alerta que o encharcamento tem favorecido o surgimento de doenças nas raízes, provocando danos que, em determinadas situações, podem ser irreversíveis, mesmo com a aplicação de tratamentos fitossanitários.

Chuvas também prejudicam outras atividades

Os efeitos das precipitações foram registrados em diferentes atividades agrícolas.

A colheita da cana-de-açúcar enfrentou interrupções em razão do excesso de água no solo. Na mandioca, houve danos em estruturas de conservação, como curvas de nível e terraços.

Nas áreas de arroz irrigado, a elevação dos rios Ivaí e Paraná provocou alagamentos, com risco de necessidade de replantio em determinadas lavouras.

As pastagens apresentam, em geral, boa disponibilidade de massa verde, mas algumas propriedades atingidas por enchentes precisaram retirar animais de áreas alagadas.

Oeste do Paraná entre as regiões atingidas

O boletim destaca que as instabilidades começaram a se intensificar nos dias 20 e 21 de outubro, principalmente no Oeste, Noroeste e Norte do Estado.

Entre os dias 22 e 24, as tempestades atingiram grande parte do Paraná, com volumes expressivos de chuva, rajadas de vento, descargas elétricas e ocorrência localizada de granizo.

No domingo (25), as chuvas diminuíram gradualmente. Já na segunda-feira (26), a entrada de uma massa de ar frio e seco proporcionou melhora nas condições do tempo em diversas regiões.

O cenário mantém os produtores atentos às condições do solo e às próximas janelas de tempo firme, fundamentais para a continuidade do plantio da safra de verão e a conclusão da colheita das culturas de inverno.

Fonte: Seab – Deral

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