Da Redação
Boletim da Secretaria da Agricultura aponta que apenas 47% da soja foi plantada no Estado, enquanto a colheita do trigo chegou a 82%. Excesso de umidade, doenças, erosão e dificuldades para entrada de máquinas preocupam o setor agrícola
As chuvas intensas registradas entre os dias 13 e 19 de outubro de 2026 continuam provocando dificuldades para os produtores rurais do Paraná, especialmente nas regiões Oeste, Norte, Noroeste e Centro-Oeste. O excesso de umidade no solo tem atrasado o plantio da soja, prejudicado o desenvolvimento do milho e comprometido a qualidade de culturas em fase de colheita, como o trigo e a cevada.
As informações constam no boletim Condições de Tempo e Cultivo, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Na região Oeste, onde está localizado o município de Toledo, as condições climáticas registradas nas últimas semanas reforçam a preocupação com o calendário agrícola. O boletim apresenta dados consolidados para o Paraná, sem especificar percentuais de plantio ou perdas exclusivamente para Toledo.
Soja: plantio chega a 47% e excesso de chuvas preocupa
A implantação da safra de soja 2026/2027 atingiu 47% da área prevista no Paraná até segunda-feira (19).
Apesar das dificuldades climáticas, 93% das lavouras implantadas apresentam boas condições, enquanto 7% são classificadas como medianas.
Segundo o Deral, os produtores têm aproveitado os intervalos de tempo firme para acelerar a semeadura, inclusive ampliando as jornadas de trabalho.
Entretanto, o excesso de chuvas provocou problemas em algumas regiões, como:
- Encharcamento e erosão do solo;
- Germinação desuniforme e apodrecimento de plantas;
- Dificuldades para entrada de máquinas agrícolas;
- Danos provocados por ventos fortes e granizo;
- Atrasos no controle de plantas daninhas.
A principal preocupação é que novos períodos prolongados de chuva prejudiquem o calendário de plantio e reduzam o intervalo disponível para a implantação da segunda safra.
Milho: 86% da área plantada e 81% das lavouras em boas condições
O milho de verão apresenta evolução mais avançada. Conforme o levantamento, 86% da área prevista já foi plantada, com 81% das lavouras em boas condições, 18% em condições medianas e 1% em situação ruim.
A maior parte das plantas, 95%, encontra-se em desenvolvimento vegetativo.
Embora a germinação seja considerada satisfatória, o excesso de água, a baixa luminosidade e os ventos fortes estão retardando o crescimento inicial em algumas áreas.
O Deral alerta que a continuidade das chuvas poderá comprometer o potencial produtivo e interferir na programação das culturas de segunda safra.
Trigo: colheita chega a 82%, mas qualidade preocupa
Entre as culturas mais prejudicadas pelas condições meteorológicas está o trigo.
A colheita atingiu 82% da área cultivada, mas apenas 45% das lavouras restantes são consideradas em boas condições. Outros 42% apresentam condições medianas e 13% são classificados como ruins.
O excesso de umidade, associado à baixa luminosidade, favoreceu o surgimento de doenças, incluindo giberela, brusone e míldio.
Além das dificuldades para realizar a colheita, o boletim aponta perda de qualidade dos grãos e redução do potencial produtivo.
Em determinadas áreas, a produção colhida apresenta qualidade inferior às exigências comerciais, reduzindo a rentabilidade. Há situações em que a receita da produção poderá não ser suficiente para cobrir os custos da safra.
Cevada enfrenta atrasos e perdas de qualidade
A situação da cevada também exige atenção.
A colheita alcançou apenas 36% da área plantada, enquanto 59% das lavouras apresentam boas condições, 34% estão em situação mediana e 7% são classificadas como ruins.
O clima úmido tem impedido o acesso de máquinas em determinadas regiões e favorecido a ocorrência de doenças.
A baixa luminosidade e as chuvas frequentes também contribuem para a perda de qualidade dos grãos.
Feijão e batata também sofrem com excesso de umidade
Na primeira safra do feijão, o plantio chegou a 65% da área estimada, com 77% das lavouras em boas condições.
Apesar do avanço, a umidade elevada tem dificultado os trabalhos no campo e favorecido o aparecimento de doenças.
Já a primeira safra da batata registra 67% da área plantada. Desse total, 71% das lavouras estão em boas condições, 28% em situação mediana e 1% em condições ruins.
Os produtores também enfrentam dificuldades para realizar tratos culturais e acessar áreas com solo encharcado.
Hortaliças, frutas e mandioca registram dificuldades
O relatório do Deral aponta que a horticultura está entre as atividades mais afetadas pela sequência de chuvas.
O excesso de água nos canteiros dificulta a absorção de nutrientes, restringe o crescimento das plantas e impede a realização de determinadas operações agrícolas.
Na fruticultura, os principais problemas foram registrados em áreas produtoras de morango e uva, onde vendavais e granizo provocaram danos em estruturas e parreirais.
A colheita da mandioca também permanece parcialmente interrompida em determinadas regiões, principalmente devido à umidade do solo e à impossibilidade de utilização de máquinas.
Principais números da agricultura paranaense
| Cultura | Situação até 19/10/2026 |
|---|---|
| Soja | 47% da área plantada |
| Milho | 86% da área plantada |
| Feijão – 1ª safra | 65% da área plantada |
| Batata – 1ª safra | 67% da área plantada |
| Trigo | 82% da área colhida |
| Cevada | 36% da área colhida |
| Batata – 2ª safra | 98% da área colhida |
Melhora temporária do tempo permite retomada dos trabalhos
O boletim informa que, após as chuvas frequentes entre os dias 13 e 15, uma massa de ar frio e seco avançou pelo Paraná, reduzindo a instabilidade.
Nos dias 17 e 18, houve predomínio de sol e temperaturas mais baixas. Na segunda-feira (19), o tempo permaneceu firme em praticamente todo o Estado.
A melhora permitiu a retomada de parte das atividades agrícolas, mas a recuperação das condições de trabalho depende da redução da umidade acumulada no solo.
Para os produtores de Toledo e da região Oeste, o cenário exige atenção, principalmente quanto ao andamento do plantio da soja, ao desenvolvimento das lavouras de milho e aos possíveis reflexos das condições climáticas sobre a produtividade e a programação da próxima safra.
A continuidade dos trabalhos dependerá de períodos de tempo favorável, capazes de permitir a entrada de máquinas e a realização dos manejos necessários.
Fonte: SEAB




