Da Redação
Levantamento do Deral aponta dificuldades para os produtores rurais devido ao excesso de umidade, temporais e granizo. No Paraná, apenas 39% da área prevista para a soja foi semeada, enquanto o milho alcançou 84% do plantio
As chuvas intensas registradas nos últimos dias no Oeste do Paraná, região onde está localizado o município de Toledo, começam a preocupar o setor agrícola, principalmente em relação ao andamento do plantio da soja e às condições das lavouras já implantadas. O excesso de umidade no solo, associado à ocorrência de temporais, rajadas de vento e granizo, tem dificultado a entrada de máquinas nas propriedades e reduzido os períodos disponíveis para os trabalhos no campo.
As informações constam no boletim Condições de Tempo e Cultivo, divulgado na terça-feira (13) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), com dados referentes ao período de 6 a 12 de outubro de 2026.
De acordo com o levantamento, as instabilidades ganharam força na quinta e sexta-feira (8 e 9), principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste. Durante o fim de semana, as precipitações persistiram em grande parte do Estado, enquanto novas tempestades foram registradas na segunda-feira (12).
A sequência de dias chuvosos tem provocado atrasos nas operações agrícolas, dificultando a aplicação de defensivos, a preparação do solo, a semeadura e a colheita de diferentes culturas.
Plantio da soja chega a 39% no Paraná
A soja, uma das principais culturas da economia agrícola de Toledo e do Oeste paranaense, está entre as atividades que exigem maior atenção neste momento.
Segundo o Deral, até esta terça-feira (13), 39% da área destinada à soja da safra 2026/27 havia sido semeada no Paraná.
O levantamento estadual aponta que 98% das lavouras já implantadas apresentam boas condições e 2% estão em situação intermediária.
Apesar dos bons indicadores das áreas semeadas, o ritmo dos trabalhos tem sido irregular. Em algumas localidades, o plantio foi retomado durante curtos períodos de tempo firme. Em outras, as operações permanecem interrompidas ou avançam lentamente devido ao solo encharcado.
A preocupação dos produtores envolve o cumprimento do calendário agrícola e a manutenção da janela recomendada para a semeadura.
O Deral também alerta que o excesso de água pode provocar falhas na germinação, enquanto a baixa luminosidade tem retardado o desenvolvimento das plantas.
Em pontos isolados, os ventos fortes e o granizo causaram desfolhamento e redução no número de plantas estabelecidas, embora o relatório não indique necessidade generalizada de replantio.
Outro fator de atenção é o surgimento de plantas daninhas, especialmente o picão-preto, além das condições favoráveis ao aparecimento de pragas e doenças.
Milho apresenta 84% da área plantada
O milho da primeira safra 2026/27 apresenta um estágio mais avançado de implantação no Paraná.
Conforme o boletim, 84% da área prevista já havia sido plantada, com 84% das lavouras em boas condições e 16% em situação intermediária.
Do total implantado, 93% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 7% na fase de germinação.
O Deral informa que o plantio do milho de verão está próximo da conclusão em diversas regiões do Estado.
Entretanto, produtores também enfrentam problemas relacionados à presença de tripes, lagartas e danos provocados por vendavais e granizo.
Em determinadas lavouras, foram identificados episódios de desfolhamento associados às condições meteorológicas adversas.
Trigo e cevada enfrentam dificuldades na colheita
As chuvas também prejudicam a conclusão da colheita das culturas de inverno, principalmente trigo e cevada.
No Paraná, a colheita do trigo alcançou 75% da área cultivada. Entretanto, apenas 46% das lavouras remanescentes apresentam boas condições, enquanto 42% estão em situação intermediária e 12% em condições ruins.
Segundo o Deral, a elevada umidade tem comprometido a qualidade dos grãos, provocado perdas de produtividade e dificultado a classificação comercial.
Em algumas áreas, os episódios de granizo provocaram a queda de grãos de espigas que estavam prontas para a colheita.
A cevada apresenta situação semelhante. Até o momento, 28% da área cultivada havia sido colhida, com relatos de problemas na qualidade e na produtividade dos grãos.
A baixa luminosidade e a umidade excessiva também aumentam a preocupação com a incidência de doenças nas lavouras ainda não colhidas.
Feijão, batata e hortaliças também são afetados
O feijão da primeira safra apresenta 58% da área plantada no Paraná, com 82% das lavouras em boas condições.
Apesar dos indicadores positivos, o excesso de chuva tem reduzido o ritmo do plantio e dificultado o desenvolvimento das plantas em determinadas localidades.
Na cultura da batata, o plantio alcançou 67% da área prevista, com 75% das lavouras em boas condições.
Os produtores enfrentam dificuldades para realizar tratamentos fitossanitários devido ao encharcamento do solo. A principal preocupação é a requeima, doença favorecida pela umidade elevada e que pode provocar perdas expressivas.
A produção de hortaliças também enfrenta transtornos. O boletim aponta dificuldades para colher repolho, couve-flor e outras folhosas, além de danos provocados pelos ventos e pelas chuvas nas coberturas de estufas em algumas localidades.
Excesso de umidade exige atenção dos produtores
O cenário descrito pelo Deral demonstra que, embora grande parte das lavouras de verão apresente boas condições, a continuidade das chuvas pode comprometer o calendário de plantio e dificultar os manejos necessários ao desenvolvimento das culturas.
Para os produtores de Toledo e dos demais municípios do Oeste do Paraná, o comportamento do clima nas próximas semanas será importante para o andamento da safra 2026/27.
A principal preocupação está relacionada à persistência da umidade excessiva, à dificuldade de acesso às áreas agrícolas e ao risco de novas tempestades.
Os percentuais apresentados pelo Deral são referentes ao conjunto do Paraná e não representam levantamentos exclusivos do município de Toledo.
Fonte: Seab





