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Chuvas atrasam plantio e colheita e aumentam preocupação com qualidade das lavouras no Paraná

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Foto: divulgação

Da Redação

Boletim do Deral aponta avanço irregular da soja e do milho, dificuldades na colheita de trigo, cevada e mandioca e impactos do excesso de umidade em diversas culturas

As chuvas frequentes registradas no Paraná entre 29 de setembro e 5 de outubro afetaram o ritmo das atividades agrícolas em várias regiões do Estado. O período foi marcado por instabilidade, com maior ocorrência de chuvas e tempestades no Oeste, Sudoeste e Sul, além da passagem de uma frente fria entre os dias 3 e 4 de outubro, que provocou chuvas fortes, temporais e rajadas de vento.

De acordo com o levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), o plantio das principais culturas de verão avançou, mas de forma desigual. Até 5 de outubro, o milho da primeira safra havia alcançado 78% da área prevista, enquanto o feijão estava em 52%, a batata da primeira safra em 65% e a soja em 36%. Apesar das dificuldades provocadas pelo clima, a maior parte das áreas já implantadas apresentava boas condições.

A soja, uma das principais culturas da safra 2026/27, apresenta avanço heterogêneo pelo Estado. Em algumas regiões, a semeadura ocorre em ritmo acelerado ou já foi concluída, enquanto em outras ainda está no início. O excesso de umidade e a baixa luminosidade também têm dificultado pulverizações e o controle de pragas e doenças, além de favorecer o surgimento de plantas daninhas.

No milho de verão, o plantio avançou durante as pequenas janelas de tempo firme, mas o excesso de chuvas tem atrasado a semeadura em algumas regiões. Por outro lado, a disponibilidade de umidade favoreceu o desenvolvimento inicial de parte das lavouras.

Trigo sofre com excesso de umidade

A colheita do trigo está na reta final em várias regiões, mas continua dependente de períodos de tempo firme. As chuvas persistentes têm atrasado ou até paralisado os trabalhos e provocado preocupação com a qualidade dos grãos.

O relatório aponta casos de produtividade abaixo do esperado e predominância de grãos de menor qualidade em parte das áreas restantes. Nas lavouras ainda em formação, permanecem a pressão de doenças e o risco de novas perdas.

A situação da cevada é semelhante. A colheita foi prejudicada pela instabilidade climática e pelo excesso de umidade. Nas áreas já colhidas, porém, a qualidade foi considerada boa, com grande parte da produção destinada à fabricação de malte.

Hortaliças também registram prejuízos

O excesso de precipitação também atingiu com força a produção de hortaliças. Foram registrados atrasos no preparo dos canteiros, plantios e colheitas, além de perdas no desenvolvimento de culturas como alface, brócolis, cebolinha, couve-flor, repolho, rúcula e salsa.

Episódios de vento forte e granizo também causaram danos em estufas e estruturas de cultivo. Em propriedades atingidas por temporais anteriores, produtores já iniciaram reparos e o replantio das áreas prejudicadas.

A mandioca também enfrenta dificuldades. A colheita segue em andamento, mas o excesso de chuva reduziu o ritmo dos trabalhos e dificultou principalmente o acesso de caminhões às lavouras e o transporte da produção.

Enquanto diversas culturas enfrentam problemas pelo excesso de umidade, as pastagens apresentam, de maneira geral, boas condições de desenvolvimento, beneficiadas pela disponibilidade de água e com oferta adequada de forragem aos animais.

O cenário reforça a necessidade de períodos de tempo mais firme nas próximas semanas, tanto para permitir o avanço do plantio da safra de verão quanto para concluir as colheitas das culturas de inverno sem novas perdas de produtividade e qualidade.

Fonte: Seab

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