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Cesta básica sobe 4,30% em Toledo e chega a R$ 689,80 em agosto, aponta pesquisa da Unioeste

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Cesta básica em Toledo registra alta de 4,30% em agosto e chega a R$ 689,80, segundo pesquisa da Unioeste. Carne e tomate estão entre os produtos que mais contribuíram para o aumento dos preços. Foto: reprodução

Da Redação

Após dois meses consecutivos de queda, custo dos alimentos volta a subir no município. Carne e tomate estão entre os produtos que mais encareceram, enquanto cesta familiar ultrapassa R$ 2 mil e compromete 138% do salário mínimo líquido

O custo da cesta básica de alimentos em Toledo voltou a subir em agosto de 2026, após dois meses consecutivos de redução. De acordo com pesquisa realizada pelo Núcleo de Desenvolvimento Regional (NDR) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, o valor da cesta individual passou de R$ 661,35 em julho para R$ 689,80 em agosto, representando um aumento de 4,30%.

O levantamento aponta que a elevação dos preços foi impulsionada principalmente pela carne e pelo tomate, produtos que apresentaram aumentos significativos no período. Dos 13 itens que compõem a cesta básica, nove ficaram mais caros e apenas quatro registraram redução de preço.

A pesquisa é desenvolvida pela Unioeste, por meio do Núcleo de Desenvolvimento Regional, em parceria com a Prefeitura de Toledo. O estudo acompanha mensalmente o comportamento dos preços dos alimentos, o poder de compra dos trabalhadores e o impacto do custo da alimentação sobre a renda das famílias.

Carne e tomate puxam aumento dos preços

Entre os produtos que compõem a cesta básica, o tomate apresentou a maior elevação percentual em agosto, com alta de 12,13%. O preço médio do quilo passou de R$ 6,02 para R$ 6,75.

A carne também registrou aumento expressivo, de 8,22%, passando de R$ 43,83 para R$ 47,43 o quilo. Embora o tomate tenha apresentado a maior variação percentual, a carne foi o produto que mais contribuiu para o aumento do custo total da cesta, em razão de seu peso na composição dos gastos com alimentação.

Segundo a pesquisa, a elevação do preço do tomate está relacionada à redução da oferta do produto no mercado.

Outros alimentos também apresentaram aumento em agosto, como o arroz (5,28%), o açúcar (4,21%), o leite (3,16%), o óleo de soja (2,20%), a banana (1,93%), a farinha de trigo (0,72%) e o pão francês (0,39%).

Batata apresenta maior redução de preço

Na contramão dos produtos que encareceram, a batata apresentou a maior queda de preço em agosto, com redução de 12,94%. O valor médio do quilo passou de R$ 5,41 para R$ 4,71.

De acordo com o levantamento, a diminuição está relacionada à intensificação da colheita da safra de inverno, que ampliou a oferta do produto.

O café também ficou mais barato, com redução de 4,12%, passando de R$ 24,28 para R$ 23,28 na embalagem de 500 gramas.

Outros dois produtos registraram queda: o feijão, com redução de 1,25%, e a margarina, com diminuição de 1,17%.

Apesar dessas reduções, a queda nos preços dos quatro produtos não foi suficiente para compensar os aumentos registrados nos demais itens da cesta básica.

Cesta básica familiar ultrapassa R$ 2 mil

O aumento dos preços também impactou o orçamento das famílias de Toledo. Em agosto, o custo da cesta básica familiar passou de R$ 1.984,05 para R$ 2.069,40, registrando a mesma elevação de 4,30% observada na cesta individual.

O cálculo considera uma família composta por dois adultos e duas crianças, sendo que o consumo das duas crianças corresponde ao de um adulto, conforme a metodologia adotada pela pesquisa.

Com o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00, o trabalhador que recebe essa remuneração não consegue adquirir a cesta básica familiar apenas com seu rendimento mensal.

O levantamento aponta que o custo da alimentação de uma família corresponde a 138,01% do salário mínimo líquido, estimado em R$ 1.499,43 após o desconto previdenciário de 7,5%.

Isso significa que a compra dos alimentos necessários para uma família de quatro pessoas ultrapassa em 38,01% a remuneração líquida de um trabalhador que recebe o piso nacional, sem considerar despesas com moradia, transporte, vestuário, saúde e outros compromissos domésticos.

Trabalhador precisa de quase 94 horas de trabalho para comprar cesta básica

Outro indicador apresentado pela Unioeste é o tempo de trabalho necessário para adquirir os alimentos que compõem a cesta básica individual.

Em julho, um trabalhador que recebia um salário mínimo precisava trabalhar 89 horas e 45 minutos para comprar os produtos. Em agosto, esse tempo aumentou para 93 horas e 42 minutos.

O resultado representa aproximadamente 42,55% da jornada mensal de 220 horas de trabalho.

O estudo também aponta que a cesta básica individual passou a comprometer 46% do salário mínimo líquido em agosto, contra 44,11% em julho.

Na prática, quase metade da remuneração líquida de um trabalhador que recebe um salário mínimo seria necessária apenas para adquirir os alimentos previstos na cesta básica individual.

Salário mínimo necessário em Toledo seria de R$ 5.795,01

Considerando não apenas os gastos com alimentação, mas também as despesas essenciais com habitação, vestuário, transporte e outras necessidades, a pesquisa estima que o salário mínimo necessário para uma família em Toledo deveria ser de R$ 5.795,01 em agosto.

O valor representa aproximadamente 3,57 vezes o salário mínimo nacional vigente de R$ 1.621,00.

Em julho, o rendimento necessário estimado pelo levantamento era de R$ 5.556,00.

Na comparação nacional, o valor calculado para Toledo ficou abaixo da estimativa de R$ 7.565,86 apresentada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para agosto de 2026.

Toledo registra aumento enquanto maioria das capitais apresenta queda

O levantamento também permite comparar a evolução do custo da cesta básica em Toledo com os resultados registrados em outros municípios e capitais brasileiras.

Em agosto, enquanto Toledo apresentou aumento de 4,30%, Cascavel registrou redução de 1,15%, com o custo da cesta individual passando de R$ 693,55 para R$ 685,59.

Em Curitiba, a redução foi de 1,12%, com a cesta passando de R$ 807,93 para R$ 798,87.

Entre os municípios do Sudoeste do Paraná analisados, Pato Branco apresentou aumento de 4,43%, Francisco Beltrão registrou alta de 3,02% e Dois Vizinhos teve elevação de 2,13%.

Nas capitais brasileiras, a tendência predominante foi de redução. Segundo os dados do Dieese apresentados no relatório, 25 das 27 capitais pesquisadas registraram queda no custo da cesta básica em agosto.

São Paulo apresentou redução de 1,58%, enquanto Florianópolis registrou queda de 1,14% e Porto Alegre, de 0,31%.

Dessa forma, Toledo apresentou comportamento diferente do observado na maioria das capitais brasileiras, com aumento do custo dos alimentos no período.

Cesta básica acumula alta de 41,18% desde 2021

A pesquisa da cesta básica de Toledo teve início em abril de 2021, quando o custo individual dos alimentos era de R$ 488,61.

Em agosto de 2026, o valor chegou a R$ 689,80, representando um aumento acumulado de 41,18% desde o início do levantamento.

O relatório também aponta alta acumulada de 8,20% no período de 12 meses analisado.

A evolução dos preços evidencia as oscilações no custo da alimentação, com períodos de aumentos e reduções influenciados por fatores como oferta e demanda, condições climáticas, sazonalidade da produção e conjuntura econômica.

A pesquisa realizada pela Unioeste utiliza metodologia baseada nos critérios do Dieese e acompanha mensalmente os preços de 13 produtos alimentícios em estabelecimentos comerciais distribuídos pelas diferentes regiões de Toledo.

Os resultados permitem acompanhar a evolução do custo da alimentação no município e seus efeitos sobre o poder de compra dos trabalhadores, especialmente entre as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento à aquisição de alimentos.

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Edição nº2827 – 28/07/2026

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