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Cesta básica sobe 3,2% em Toledo, chega a R$ 711,87 e compromete quase metade do salário mínimo líquido

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Alimentos da cesta básica em supermercado de Toledo; pesquisa da Unioeste aponta alta de 3,2% nos preços em setembro. Foto: reprodução

Da Redação

Pesquisa da Unioeste aponta segunda alta consecutiva, acumulado de 10,56% em 2026 e disparada de 39,63% no preço do tomate; professora Crislaine Colla analisa os impactos no orçamento das famílias

O custo da cesta básica de alimentos voltou a subir em Toledo e chegou a R$ 711,87 em setembro de 2026, registrando aumento de 3,20% em relação a agosto, quando custava R$ 689,80. Foi o segundo mês consecutivo de alta, após a elevação de 4,30% registrada em agosto. Os dados fazem parte da Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos, desenvolvida pelo Núcleo de Desenvolvimento Regional (NDR) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo.

O levantamento revela que o custo dos alimentos acumula alta de 10,56% entre janeiro e setembro de 2026. Nos últimos 12 meses, a elevação foi de 6,88%, considerando que, em outubro de 2025, a cesta custava R$ 666,02.

O avanço dos preços preocupa principalmente pelo impacto sobre os trabalhadores de menor renda. Em setembro, uma única cesta básica individual comprometeu 47,48% do salário mínimo líquido, enquanto a alimentação de uma família de quatro pessoas chegou a R$ 2.135,60.

Crislaine Colla analisa a segunda alta consecutiva

A professora do curso de Ciências Econômicas da Unioeste e coordenadora da pesquisa da cesta básica, Crislaine Colla, destacou que os resultados mostram uma sequência de aumentos que pressiona o orçamento dos consumidores.

“Nós observamos, no mês de setembro, um aumento de 3,2% no custo da cesta básica. Já tínhamos tido um aumento em agosto de 4,3%”, afirmou.

Segundo a professora, a análise não se limita às variações mensais, permitindo acompanhar o comportamento dos preços em períodos mais longos.

“Nos últimos 12 meses, essa variação foi de 6,88%. Em outubro de 2025, a cesta básica custava R$ 666,02 e, em setembro de 2026, passou a custar R$ 711,87”, explicou.

O levantamento demonstra que os preços têm apresentado oscilações significativas. Nos últimos 12 meses pesquisados, foram oito períodos de aumento e quatro de redução.

Desde o início da pesquisa, em abril de 2021, quando a cesta custava R$ 488,61, o aumento acumulado chegou a 45,69%.

Tomate dispara quase 40% e lidera aumentos

Entre os 13 produtos pesquisados, sete apresentaram aumento de preço em setembro, cinco ficaram mais baratos e um permaneceu estável.

O principal destaque foi o tomate, com elevação de 39,63%, passando de R$ 6,75 para R$ 9,42 o quilo. A batata apareceu na segunda posição, com aumento de 17,27%, seguida pelo arroz, que ficou 9,43% mais caro.

“O produto que mais aumentou foi o tomate, com 39,63%. A batata aumentou 17,27% e o arroz, 9,43%”, detalhou Crislaine.

Também registraram elevação a margarina (6,79%), a farinha de trigo (4,69%), o óleo de soja (1,71%) e o açúcar (0,78%).

Conforme a análise da Unioeste, os aumentos mais expressivos do tomate e da batata estão relacionados à redução da oferta, influenciada pelas chuvas e pelas temperaturas mais baixas.

Por outro lado, cinco alimentos apresentaram queda nos preços. O feijão liderou as reduções, com recuo de 7,01%, seguido pela banana (-6,30%), pelo leite (-4,25%), pelo café (-0,82%) e pela carne (-0,29%). O pão francês não apresentou alteração.

Batata acumula alta de 86% somente em 2026

Quando considerado o período de janeiro a setembro, os aumentos de alguns alimentos são ainda mais expressivos.

A batata acumula valorização de 86,10% no ano, enquanto o tomate registra alta de 85,52%. O feijão subiu 34,95% e a carne, 18,69%.

Na comparação dos últimos 12 meses, a batata também lidera, com aumento de 51,26%. Na sequência aparecem o leite (37,41%), o tomate (35,38%) e o feijão (33,74%).

A professora Crislaine chamou a atenção para essas diferenças entre as variações mensais e os resultados acumulados.

“O produto que mais aumentou nos últimos 12 meses foi a batata, que aumentou 51,26%. Depois vem o leite, com 37,41%, e o tomate, com 35,38%”.

Em sentido contrário, o café acumula redução de 21,88% nos últimos 12 meses, enquanto a banana ficou 15,31% mais barata.

Cesta familiar ultrapassa R$ 2,1 mil e pesa no orçamento

Um dos indicadores mais preocupantes da pesquisa está relacionado ao comprometimento da renda dos trabalhadores.

Para adquirir uma cesta individual de R$ 711,87, um trabalhador remunerado com o salário mínimo precisou destinar 47,48% de sua renda líquida, estimada em R$ 1.499,43 após o desconto previdenciário utilizado no levantamento.

Em agosto, essa participação era de 46%.

O tempo de trabalho necessário para comprar os alimentos também aumentou. Passou de 93 horas e 42 minutos em agosto para 96 horas e 36 minutos em setembro.

A situação é ainda mais expressiva quando considerada uma família composta por dois adultos e duas crianças. Nesse caso, a cesta básica familiar passou de R$ 2.069,40 para R$ 2.135,60, representando 142,43% do salário mínimo líquido.

Isso significa que um trabalhador que recebe o piso nacional não consegue custear sozinho nem mesmo a alimentação básica estimada para uma família desse tamanho.

Salário necessário seria de quase R$ 6 mil em Toledo

A pesquisa também calculou qual deveria ser a remuneração mínima necessária para uma família conseguir arcar com alimentação, habitação, transporte, vestuário e outras despesas essenciais.

Em Toledo, esse valor chegou a R$ 5.980,41 em setembro, equivalente a 3,69 vezes o salário mínimo nacional vigente de R$ 1.621,00.

Em agosto, o salário considerado necessário era de R$ 5.795,01.

O indicador reforça a distância entre o rendimento mínimo oficial e o valor estimado para atender às necessidades básicas de uma família.

Toledo tem cesta mais barata que Cascavel e Curitiba

A comparação com outras cidades pesquisadas mostra que Toledo apresentou custo inferior ao de vários municípios paranaenses.

Em setembro, a cesta básica custou R$ 730,25 em Cascavel, R$ 727,58 em Pato Branco, R$ 756,18 em Francisco Beltrão, R$ 760,15 em Dois Vizinhos e R$ 841,93 em Curitiba.

Embora Toledo tenha registrado aumento de 3,20%, a elevação foi menor que a observada em Cascavel (6,51%), Curitiba (5,39%) e Pato Branco (9,40%).

Entre as localidades comparadas no relatório, São Paulo apresentou o maior custo da cesta individual, de R$ 922,51, seguida por Florianópolis, com R$ 915,62.

Oscilações dos preços exigem atenção das famílias

A pesquisa da Unioeste, realizada há 66 meses, permite acompanhar o comportamento dos preços dos alimentos em Toledo e identificar os efeitos dessas variações sobre o poder de compra dos consumidores.

O relatório destaca que fatores climáticos e sazonais, assim como condições macroeconômicas, cambiais e de oferta, contribuem para a instabilidade dos preços.

O estudo também observa que os aumentos dos alimentos afetam de maneira mais intensa a população de menor renda, que destina parcela significativa do orçamento às despesas de alimentação.

Os resultados de setembro reforçam essa preocupação: mesmo com a redução no preço de cinco produtos, os aumentos expressivos do tomate e da batata foram suficientes para pressionar novamente o custo da cesta básica.

Com a alimentação consumindo quase metade do salário mínimo líquido de um trabalhador, a evolução dos preços continua sendo um indicador importante para compreender as dificuldades enfrentadas pelas famílias de Toledo.

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