Da Redação
Pesquisa da Unioeste mostra alta contínua nos preços dos alimentos, perda de poder de compra e salário mínimo insuficiente para cobrir a cesta familiar
A cesta básica de alimentos em Toledo voltou a subir em maio, registrando alta de 5,10% em relação a abril e alcançando o valor de R$ 722,91, segundo pesquisa do Núcleo de Desenvolvimento Regional da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. O resultado marca o terceiro mês consecutivo de aumento, em um cenário de forte volatilidade dos preços ao longo dos últimos 12 meses.
A trajetória recente da cesta básica mostra oscilações ao longo de 2025 e início de 2026, com períodos alternados de queda e alta. Essa dinâmica evidencia a recuperação dos preços a partir do início de 2026, após quedas registradas no segundo semestre de 2025, culminando no maior valor do período analisado em maio.
Variação mensal (jun/2025 – maio 2026
- Jun/25 – Jul/25: -0,68%
- Jul/25 – Ago/25: -1,70%
- Ago/25 – Set/25: -2,16%
- Set/25 – Out/25: +4,35%
- Out/25 – Nov/25: -5,52%
- Nov/25 – Dez/25: +1,25%
- Dez/25 – Jan/26: +1,07%
- Jan/26 – Fev/26: -3,49%
- Fev/26 – Mar/26: +8,19%
- Mar/26 – Abr/26: +2,31%
- Abr/26 – Mai/26: +5,10%
Sobe e desce
Dos 13 itens que compõem a cesta básica, 9 apresentaram aumento no preço médio em maio. As principais altas foram registradas na batata (74,89%), tomate (23,82%), arroz (6,88%), farinha de trigo (5,15%), açúcar (2,42%), feijão (2,09%), leite (1,09%), carne (0,60%) e margarina (0,27%).
Por outro lado, 4 produtos registraram redução no período: banana (-11,57%), café (-1,43%), óleo de soja (-1,34%) e pão francês (-1,20%).
Entre os destaques do mês, a batata apresentou o maior aumento de preços, com alta de 74,89%, influenciada pela menor oferta decorrente do encerramento da safra das águas e do início da colheita da safra de inverno. Em seguida, o tomate registrou elevação de 23,82%, impactado por condições climáticas adversas, como temperaturas mais baixas e ocorrência de pragas em algumas regiões produtoras, que reduziram a oferta do produto.
Na direção oposta, a banana apresentou a maior queda no período, com recuo de -11,57%, resultado da boa safra e de condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras (DIEESE, 2026).
Diante da variação total de 5,10% na cesta básica individual em maio de 2026, observa-se que a alta foi concentrada principalmente na batata e no tomate, que exerceram o maior impacto positivo sobre o índice mensal, enquanto a queda da banana contribuiu parcialmente para atenuar a elevação geral dos preços.
Variação dos principais produtos (maio)
- Batata: +74,89%
- Tomate: +23,82%
- Arroz: +6,88%
- Farinha de trigo: +5,15%
- Feijão: +2,09%
- Banana: -11,57%
- Café: -1,43%
- Óleo de soja: -1,34%
- Pão francês: -1,20%
No campo do poder de compra, o impacto do aumento é direto sobre o orçamento do trabalhador. Em maio de 2026, o custo da cesta básica individual passou a comprometer 48,21% do salário mínimo líquido, contra 45,87% no mês anterior. O tempo de trabalho necessário também aumentou, chegando a 98 horas e 7 minutos por mês, evidenciando a perda de poder aquisitivo da população de baixa renda.
A cesta básica familiar também registrou alta, passando de R$ 2.063,47 para R$ 2.168,74, valor que supera amplamente a capacidade de compra de uma família que depende de um único salário mínimo.
Indicadores de renda e consumo (maio/2026)
- Cesta individual: R$ 722,91
- Cesta familiar: R$ 2.168,74
- Salário mínimo necessário em Toledo: R$ 6.073,20
- Comprometimento do salário: 48,21%
Na comparação regional e nacional, Toledo apresenta custo intermediário entre os municípios analisados, ficando abaixo de capitais como Curitiba e São Paulo, mas acima de cidades menores como Pato Branco. Ainda assim, acompanha a tendência geral de alta observada em todas as localidades pesquisadas.
O relatório indica que a inflação dos alimentos em Toledo segue pressionada por fatores sazonais e climáticos, com impacto direto sobre o orçamento das famílias. A elevação dos preços de itens básicos reforça a perda de poder de compra e a dificuldade de adequação da renda mínima às necessidades alimentares da população.





