Rede de saúde de Toledo vem recebendo muitos pacientes com sintomas de dengue. Foto: arquivo pessoal

Por Marcos Antonio Santos

Em todo o ano epidemiológico (agosto a julho) de 2022/2023, o município de Toledo registrou 1.046 casos de dengue, até o início deste mês de março já são confirmados 1.009 casos da doença. O número que pode crescer significativamente, pois há 831 pessoas com sintomas da doença aguardando resultado do exame.

Somando os casos confirmados, em análise e os 1.136 que já foram descartados, 2.976 pessoas com sintomas da doença (manchas avermelhadas na pele, dor abdominal, febre, dor no corpo, cansaço, entre outros) procuraram os serviços públicos e privados de saúde desde 1º de agosto de 2023, início do atual ano epidemiológico – em 2021/2022, este patamar de confirmações só foi atingido na primeira quinzena de maio; em 2022/2023, no fim de junho. Três em cada cinco casos estão concentrados em cinco bairros: Europa/América (381), Fachini (84), Coopagro (58), Santa Clara IV (52) e Porto Alegre (43).

PREOCUPANTE – A diretora de Vigilância em Saúde, Juliana Beux Konno, disse que o atual momento é extremamente preocupante, porque em 2023, o município decretou epidemia de dengue no mês de abril. “Neste ano decretamos em fevereiro, começamos o pico dos casos dois meses antes. Isso nos preocupa, porque entendemos que essa epidemia vai mais longe, vai durar mais o ciclo. Normalmente o pico começa em abril, e depois nos meses de maio e junho começa a cair. O poder público vem realizando várias ações, as equipes do Setor de Endemias estão nas ruas todos os dias realizando mobilização social em vários pontos da cidade, e mesmo assim não estamos conseguindo diminuir os casos. Percebemos que nem sempre a população entende a gravidade da doença, já tivemos uma morte no município, não é somente um problema de Toledo, é em todo o Brasil. Está muito complicado neste ano, mas precisamos da colaboração da população, que cada morador possa olhar o seu quintal, principalmente depois da chuva, verificar as calhas que é mais difícil de se visualizar, sendo um criadouro muito perigoso, porque acumula água. Temos que solicitar que a população nos auxilie neste processo, porque quanto poder público não estamos conseguindo, e vamos realizar outras estratégias para melhorar, mas precisamos da colaboração de todos”, afirma.  

Setor de Epidemias está nas ruas todos os dias realizando mobilização social. Foto: arquivo pessoal

Em Toledo desde a segunda-feira, 26, está funcionando a Unidade Sentinela, na Vila Paulista, para o atendimento de quem tem sintomas de dengue, e as pessoas podem procurar ainda todas as Unidades de Saúde e a UPA.  “O ideal é que em caso de suspeita de dengue, a pessoa comece a hidratação, muito líquido, e procure o atendimento, porque precisa fazer a identificação dos sintomas, a classificação do risco do paciente, se tem comorbidades, tem que avaliar o quadro clínico, as condições de saúde de momento para prescrever o medicamento ideal. Nem todo o medicamento é benéfico para os sintomas da dengue, por isso é importante passar por uma avaliação médica. A medicação errada pode piorar os sintomas”, alerta Juliana Beux.

Ela lembra que todos os locais da rede pública e toda a rede privada estão atendendo os pacientes com sintomas de dengue. “A cidade inteira está focada na dengue, toda a rede de saúde.  Claro que nem todos têm a dengue, por isso é preciso avaliar cada paciente. Temos muitos vírus circulando, covid é um deles. É necessário fazer um diagnóstico para identificar a doença, nesta época do ano temos muitos vírus circulando e o profissional de saúde é o mais indicado para a identificação, orientação e tratamento dos pacientes”, comenta Juliana Beux Konno.