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Câmara itinerante: aproximar o povo ou afastar o bom senso?

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Democracia de R$ 33 mil?

O vereador Marcos Zanetti colocou o dedo numa ferida que alguns talvez preferissem manter escondida: até R$ 33.400 para levar uma sessão da Câmara às ruas de Toledo. É aproximação com a população ou uma estrutura cara demais para algo que poderia ser realizado com mesa, cadeiras e microfone? Afinal, desde quando exercer a democracia fora do plenário exige tamanho investimento? O povo precisa de vereadores presentes, não necessariamente de uma estrutura que custe uma pequena fortuna por algumas horas.

A Câmara sai, a conta fica

A proposta é levar o Legislativo até a comunidade. Bonito no discurso! Mas, quando aparece um teto de R$ 33.400 para uma única sessão, a beleza da iniciativa começa a perder o encanto. Como questionou Zanetti, se a própria Câmara dispõe de equipamentos e servidores, por que não aproveitar essa estrutura? Será que a democracia funciona melhor com equipamentos caros ou com vereadores dispostos a ouvir a população? Porque, pelo visto, sair do plenário pode ser fácil. Difícil será explicar a conta.

Em Brasília é absurdo. Em Toledo, pode?

Talvez o trecho mais contundente do pronunciamento de Marcos Zanetti tenha sido o recado aos colegas que utilizam a tribuna para condenar desperdícios e gastos públicos em Brasília. E quando a despesa questionável aparece dentro da própria Câmara? O discurso continua valendo? Fiscalizar os milhões dos outros é fácil. Mas quem está disposto a questionar os milhares gastos debaixo do próprio nariz? A coerência política começa em casa. Ou deveria!

Dispensa de licitação não dispensa explicação

Zanetti reconheceu a possibilidade legal da contratação por dispensa de licitação, mas contestou o valor previsto. E aqui está uma questão que merece resposta: quem elaborou a estimativa de R$ 33.400, quais serviços estão incluídos e por que essa estrutura seria indispensável? A Lei nº 14.133/2021 permite contratações diretas em determinadas situações, mas não afasta a necessidade de justificar os preços e demonstrar a economicidade. A dispensa pode ser legal. A explicação do gasto continua obrigatória.

Sessão curta, conta comprida

Uma sessão que, segundo Zanetti, poderá durar duas ou três horas, com previsão de despesa de até R$ 33.400. Convenhamos, é dinheiro suficiente para provocar mais debate sobre o custo da estrutura do que sobre a própria pauta legislativa! Aliás, qual será a pauta dessa sessão tão especial? Quais matérias justificariam tamanha estrutura? E, principalmente, qual benefício concreto a população receberá que não poderia ser alcançado com uma sessão externa mais simples e econômica?

Microfone de ouro?

Marcos Zanetti sugeriu uma alternativa quase revolucionária pela simplicidade: utilizar uma associação de moradores, uma mesa, uma caixa de som, um microfone e servidores da própria Câmara. Será que isso seria insuficiente para aproximar os vereadores da população? Ou a simplicidade perdeu espaço para a necessidade de produzir grandes eventos? Afinal, quem vai às comunidades para ouvir o povo precisa de uma estrutura tão cara ou de disposição para trabalhar? O microfone pode até ser simples. O compromisso com o dinheiro público é que precisa ser grande.

Quem vai assinar essa conta?

Zanetti foi categórico ao afirmar que, com sua assinatura, a contratação nesses moldes não acontecerá. Agora, a pergunta passa aos demais vereadores e à direção da Casa: quem defenderá a necessidade dessa despesa e apresentará seus fundamentos? Não basta dizer que a intenção é aproximar o Legislativo da população. É preciso demonstrar que o custo é necessário, proporcional e vantajoso. Afinal, quem administra dinheiro público não precisa apenas explicar onde pretende gastá-lo, mas também por que não poderia gastar menos.

A conta não é dos vereadores!

A Câmara de Toledo precisa estar próxima da população. Ninguém discute isso. O que merece questionamento é o preço dessa aproximação. Porque democracia não se mede pelo tamanho do palco, pela potência do som ou pelo custo da estrutura. Mede-se pela qualidade da representação e pelo respeito ao contribuinte. E fica a pergunta que deveria incomodar os 19 vereadores: se os R$ 33.400 saíssem do bolso de cada um, a contratação seria feita nos mesmos moldes?

Vereadores da própria base estão chiando mais que chaleira fervendo!

A insatisfação já não vem apenas da oposição. Vereadores ligados à base do prefeito Mario Costenaro estão utilizando a tribuna para cobrar respostas, providências e, principalmente, atenção do Executivo. Bruno Radunz reclama de solicitações que, segundo ele, se arrastam há mais de um ano. Já Chumbinho Silva foi muito além: denunciou as condições perigosas das estradas rurais e afirmou que seus alertas sequer foram respondidos. Se até os aliados precisam elevar o tom para serem ouvidos, como anda o diálogo entre o Paço Municipal e sua sustentação política?

A chaleira da base começou a apitar!

Pelo andar da carruagem, a maior chiadeira na Câmara de Toledo começa a sair da própria cozinha política do prefeito Mario Costenaro. Vereadores da base estão perdendo a paciência com a falta de respostas às suas reivindicações. Bruno Radunz e Chumbinho Silva deram o tom. Se os aliados precisam recorrer à tribuna para conseguir atenção, imagine o cidadão comum tentando ser ouvido pelos gabinetes do Executivo!

Bruno Radunz: um ano perguntando. E a resposta?

O vereador Bruno Radunz levou à tribuna uma reclamação que, segundo ele, já ultrapassa um ano: a falta de respostas sobre a ampliação da área do EstaR na Avenida Santos Dumont, em direção aos setores oeste e norte. Afirmou ter procurado diferentes instâncias, sem obter uma definição. Afinal, o que impede a Prefeitura de responder? Falta projeto, falta decisão ou está faltando consideração com quem cobra? O vereador não pediu favor. Pediu uma resposta que a administração tem o dever de prestar.

Chumbinho perdeu a paciência!

O vereador Chumbinho Silva não usou meias palavras ao dirigir-se ao prefeito Mario Costenaro e ao secretário Fábio Leal. Ao relatar as condições das estradas entre o KM 41 e Linha União, disparou: “Vocês estão brincando com vidas humanas”. Segundo o parlamentar, os problemas já foram comunicados por WhatsApp, inclusive com sugestão de solução paliativa, mas sem resposta. A gravidade da denúncia exige esclarecimentos: o Executivo recebeu os alertas? Houve vistoria? E quais providências estão previstas?

Prefeito, vá com seu próprio carro!

Chumbinho foi ainda mais incisivo ao desafiar o prefeito a percorrer o trecho entre o KM 41 e Linha União utilizando o próprio veículo, e não um carro da frota municipal. O recado foi direto: uma coisa é conhecer as estradas por relatórios; outra é enfrentar pessoalmente as condições denunciadas por quem trafega nelas. Será que uma visita ao local ajudaria a acelerar as providências? O convite está feito. Resta saber se haverá resposta.

Tragédia anunciada não aceita protocolo!

Quando um vereador que já ocupou cargo de secretário municipal sobe à tribuna e classifica uma estrada como cenário de possível tragédia, o alerta não pode ser tratado como simples reclamação política. Chumbinho afirmou que a situação é de extrema urgência. Será preciso acontecer um acidente grave para que os alertas recebam a devida atenção? O Executivo precisa esclarecer quais são as condições da via e o que pretende fazer para garantir a segurança dos usuários.

Base aliada ou base ignorada?

A situação provoca uma pergunta inevitável: qual é o peso político dos vereadores da base dentro da administração Costenaro? Porque apoiar o prefeito nas votações e, ao mesmo tempo, reclamar publicamente da falta de respostas revela, no mínimo, um problema de comunicação. Afinal, quem faz parte da sustentação política do governo deveria encontrar canais institucionais para encaminhar demandas. Ou a base só é lembrada quando o Executivo precisa de votos?

WhatsApp sem resposta, problema ignorado?

Chumbinho afirmou que encaminhou mensagens ao prefeito e ao secretário Fábio Leal relatando a gravidade das condições das estradas, mas não obteve retorno. De que adianta abrir canais de comunicação com os vereadores se os alertas sobre segurança viária ficam sem resposta? E mais: quantas outras solicitações podem estar aguardando alguma manifestação do Executivo?

O silêncio também faz barulho!

Bruno Radunz cobra informações. Chumbinho exige providências urgentes. Ambos levam publicamente ao prefeito reivindicações que, segundo seus pronunciamentos, não foram atendidas. O detalhe político é que as cobranças partem de vereadores da própria base. O que está acontecendo nos bastidores do governo Costenaro? Falta articulação, capacidade de resposta ou simplesmente disposição para ouvir? Seja qual for a explicação, uma coisa ficou evidente: o silêncio do Executivo está fazendo barulho na Câmara.

A panela está no fogo, prefeito!

Na política, quando a oposição reclama, o governo costuma administrar o confronto. Mas, quando a própria base começa a chiar, é sinal de que a temperatura interna merece atenção. Radunz quer respostas. Chumbinho exige ação antes que aconteça uma tragédia. E o prefeito Mario Costenaro, vai responder às cobranças ou esperar que mais vereadores recorram à tribuna? Porque, pelo tom dos pronunciamentos, a chaleira já está apitando. E não é pouco!

Líder saco de pancadas

Estou com dó mesmo é do líder do governo na Câmara, professor Oseias. Mesmo munido de informações concisas, não consegue tranquilizar os próprios colegas da base quanto ao atendimento de suas reivindicações. E por quê? Simples: como garantir aquilo que nem ele próprio tem certeza de que a gestão vai cumprir? Enquanto o Executivo demora a responder, sobra para o líder administrar a chiadeira, aparar as arestas e levar as pancadas. Afinal, ser líder de um governo que não dá respostas é representar o prefeito ou servir de saco de pancadas para a própria base?

E a bolha?  Bom, creio que está tomando forma e, logo, logo, vai estourar.

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Edição nº2830 – 22/09/2026

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