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A BRF espera que os novos prazos para vencimento de produtos estabelecido pela Arábia Saudita podem afetar suas exportações, mas também tem expectativa de que haja um “diálogo” entre a indústria exportadora e os sauditas para alcançar um acordo sobre os prazos, disse o presidente da empresa Lorival Luz em teleconferência com analistas na quinta-feira (13).

A autoridade sanitária da Arábia Saudita, a Saudi Food and Drug Authority (SFDA), notificou o Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 6 de maio sobre a alteração do regulamento técnico de validade de determinados produtos, reduzindo o prazo de validade de frangos in natura congelados e seus cortes, de um ano para três meses, contados da data de abate.

“Isso (novo prazo) pode, sem dúvida, impactar a nossa exportação dado o tempo necessário entre a produção, embarque, transporte, tempo em águas, desembarque e desembaraço…”, disse Luz sobre o novo prazo anunciado pela Arábia Saudita.

Os países membros da OMC potencialmente afetados têm o prazo de 60 dias, a partir da data de notificação da Arábia Saudita, para apresentar comentários, segundo a BRF.

Luz disse que a indústria de carnes saudita e o setor de food service daquele país também precisam de prazos maiores que três meses.

A Arábia Saudita, segundo maior importador de carne de frango brasileiro conforme dados consolidados de 2020, suspendeu as compras do produto de 11 plantas brasileiras na semana passada. A BRF não foi afetada.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse na quarta-feira (12) que ainda não havia ocorrido o envio, por parte das autoridades sauditas, de qualquer relatório com informações que fundamentassem “minimamente” a suspensão das 11 plantas.

“Ao mesmo tempo, a redução do shelf life (ou validade de um produto a partir de sua data de fabricação) para três meses, sem critérios técnicos claros e longe da prática do mercado internacional, sugere uma decisão com potencial cunho protecionista”, disse a ABPA em comunicado.

“Esta é uma situação que alcança todos os produtores e exportadores de carne de frango globalmente, e está sendo abordada no âmbito do Conselho Mundial da Avicultura (IPC, na sigla em inglês) para a construção de uma linha de reação unificada.”

Fonte: CarneTec