Da Redação
Visita do FSBBB apresenta usina referência na produção de biogás e biometano a partir de resíduos agroindustriais, com tecnologia, sustentabilidade e parceria com a Embrapa
A programação do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), em Foz do Iguaçu, encerra-se nesta quinta-feira, 16, e reservou o último dia para visitas técnicas. Os participantes conheceram de perto a produção de biogás no Oeste do Paraná. Foram visitadas unidades geradoras de biogás em seis municípios.
O Roteiro 2 foi no município de Toledo, à Biokohler/Biograss e à Central Bioenergia de Toledo.
A usina Biokohler/Biograss, localizada em Vila Ipiranga, está em operação desde 2018 e tem capacidade instalada para o recebimento de até 80 toneladas/dia de resíduos agroindustriais, suinocultura, bovinocultura e culturas energéticas. A produção de biogás na planta é destinada à geração de energia elétrica e à produção de biometano para abastecimento de frota. A usina mantém parceria com a Embrapa, desenvolvendo estudos sobre o uso de culturas energéticas, como capiaçu e sorgo forrageiro, na alimentação dos biodigestores.
O gerente comercial da Biokohler/Biograss, Fábio Heck, explica que a instalação recebe dejetos suínos e resíduos agroindustriais para produzir biogás, que é convertido em energia elétrica para autoconsumo e biometano. O biometano abastece veículos da empresa, incluindo um caminhão, reduzindo custos e emissões. A empresa também pesquisa o potencial de culturas energéticas, como capiaçu e sorgo, em parceria com a Embrapa, e utiliza biofertilizante na propriedade para culturas como soja e milho, além de fenação. Ele destaca ainda que a empresa também atua na construção de biodigestores e equipamentos para biogás na região sul do Brasil, Mato Grosso do Sul e até fora do país.

“O recebimento de dejetos suínos é diário, proveniente de duas propriedades da região, que são transportados por caminhões para processamento. Ao final do processo, obtém-se biofertilizante, que é aplicado na propriedade, em áreas de cultivo de grama Tifton, utilizadas para fenação, e nas plantações de soja e milho. Além da produção de biogás e biometano, o biofertilizante é um produto relevante. A cultura energética, armazenada sob lonas pretas para conservação, é composta por capiaçu e sorgo, cultivados em áreas adjacentes. Quando as plantas atingem o ponto ideal de desenvolvimento, são cortadas de uma só vez com uma ensiladeira. O material é compactado e armazenado. Diariamente, o biodigestor recebe cerca de uma tonelada e meia desse material, além dos dejetos suínos e, em breve, resíduos”, afirma.
PROCESSO – O processo de transformação de dejetos suínos em biogás e biometano envolve a biodigestão anaeróbia em um biodigestor. Os dejetos, ou outros resíduos orgânicos líquidos, são inseridos no biodigestor, um recipiente fechado sem oxigênio. Ali, bactérias específicas (arqueias) consomem a matéria orgânica, liberando biogás, que contém 50-70% de metano. A planta, construída em 2018/2019, possui tecnologia moderna, como sistema de agitação potente e aquecimento do biodigestor com o calor gerado pelo grupo gerador (que produz energia elétrica). A temperatura ideal de operação é de 38-40 graus.
“Em um ambiente isento de oxigênio, bactérias específicas, chamadas arqueias, realizam a biodigestão. Elas consomem a matéria orgânica presente nos resíduos. Durante esse processo, as bactérias liberam o biogás, que contém entre 50% e 70% de metano, o componente combustível. O restante do biogás é composto principalmente por dióxido de carbono. A usina, construída em 2018 e iniciada em 2019, utiliza um projeto alemão, adaptado e construído pela Biocolor. A planta se destaca por sua tecnologia moderna, incluindo um biodigestor com sistema de agitação potente, que permite o uso de materiais fibrosos como silagem. Além disso, o biodigestor é aquecido pelo calor residual gerado pelo grupo gerador, responsável pela produção de energia elétrica. A temperatura ideal de operação é mantida entre 38°C e 40°C. Essa tecnologia avançada é um diferencial significativo em relação a outras plantas de biogás”, explica Fabio.

CENTRAL BIOENERGIA – A Central de Bioenergia de Toledo opera integrando 14 produtores rurais, onde as melhorias ambientais em suas propriedades não se viabilizam. Também oferece uma solução inovadora para a destinação de resíduos agropecuários. A Central atua com o recebimento de resíduos do setor agroindustrial e da suinocultura do município de Toledo com capacidade de tratar os resíduos e produzir biogás para geração de energia elétrica em primeiro momento e posteriormente biometano.
FÓRUM – O 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano tem a realização de instituições representativas do setor nos três estados do Sul do Brasil: Centro Internacional de Energias Renováveis – CIBiogás (PR), Embrapa Suínos e Aves (SC) e Universidade de Caxias do Sul – UCS (RS), e é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (Sbera).





