Pobreza menstrual: a arrecadação ofertará dignidade para muitas jovens que faltam à escola todos os meses por conta deste problema social grave. Foto: Luciomar Castilho/Alep

Estima-se que no Paraná 374 mil meninas adolescentes não possuem acesso a absorventes; quem não tem acesso a absorventes, não frequenta a escola no período menstrual

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), por meio da Procuradoria Especial da Mulher, já arrecadou mais de 30 mil unidades de absorventes descartáveis em apoio à campanha “Dignidade Feminina”, que trabalha no combate à pobreza menstrual. A campanha apoiada pela Assembleia é uma idealização do Coletivo Igualdade Menstrual. As doações se encerram neste dia 28 de maio, data de celebração do Dia Internacional da Saúde da Mulher. Todo o volume arrecadado será repassado para escolas estaduais, que mantêm estoques de absorventes para doarem a meninas em situações de vulnerabilidade.

O tema vem ganhando cada vez mais visibilidade em órgãos de apoio à pauta feminina. Por isso, tramita na Casa o projeto de lei 944/2019, que prevê a distribuição de absorventes íntimos em escolas da rede estadual e nas unidades básicas de saúde do Estado. A iniciativa garante, segundo a justificativa, dignidade às adolescentes nas escolas públicas e mulheres que procuram atendimento de saúde, uma vez que é destinado às cidadãs em vulnerabilidade social e econômica. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia (CCJ) e aguarda parecer das demais comissões temáticas.

O projeto, de autoria dos deputados Boca Aberta Junior (PROS), Goura (PDT), Cristina Silvestri (CDN), Mabel Canto (PSC), Cantora Mara Lima (PSC), Luciana Rafagnin (PT), Michele Caputo (PSDB) e Luiz Cláudio Romanelli (PSB), quer evitar que jovens paranaenses abandonem a escola durante o período menstrual. “Enquanto o projeto de lei tramita para criar uma política pública sobre a Pobreza Menstrual no Paraná, arrecadar essas doações significa mais dignidade para muitas jovens que faltam à escola todos os meses por conta deste problema social grave”, disse a procuradora da Mulher na Assembleia, deputada Cristina Silvestri, ao comemorar os mais de 30 mil absorventes doados até o momento.

De acordo com Fabiana Campos, esposa do primeiro secretário da Assembleia, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), os números de jovens atingidas pela falta de absorventes reforçam a importância da iniciativa. “Apenas em nosso Estado, estima-se que 374 mil meninas adolescentes não possuem acesso a absorventes. Em Curitiba, a estimativa é de 33.500 meninas. Se considerarmos que, quem não tem acesso a absorventes, não frequenta a escola no período menstrual, temos estudantes que deixam de comparecer às aulas cinco dias por mês. Isso causa uma defasagem enorme de aprendizagem, o que aumenta a evasão escolar e, consequentemente, a desigualdade de gênero”, afirmou.

Rose Traiano, mulher do presidente do Legislativo, deputado Ademar Traiano (PSDB), concordou. “Esta é uma iniciativa de extrema importância da Procuradoria Especial da Mulher e da Assembleia Legislativa. O absorvente é um item de higiene básica. Estudos apontam que uma a cada quatro meninas já faltaram às aulas por falta de absorventes. Temos de nos unir para levar mais dignidade para estas jovens”, frisou.

Na opinião de Gisele de Souza, esposa do segundo secretário da Assembleia, deputado Gilson de Souza (PSC), a doação permite dar mais dignidade às jovens paraenses.  “Os meus parabéns à Procuradoria da Mulher pela adesão a essa campanha que visa resguardar a dignidade feminina, encorajando nossas jovens a não deixar de frequentar as aulas no período menstrual pela falta de absorventes”, disse.

Fonte: Alep