Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

As impressionantes perdas do agronegócio com as crises climáticas

h

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
(Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados)

Dilceu Sperafico*

O agronegócio, como sabemos, está sendo a maior vítima das crises climáticas que assolam o mundo inteiro, até porque trata-se de atividade econômica exercida a céu aberto. Isso que o Brasil, como maior produtor e exportador de alimentos desde 1996 adota política pública conhecida como Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que orienta todos 5.570 municípios do País sobre o que plantar, quando plantar e onde plantar, com nível de risco de 20%. Assim, de maneira geral, os agricultores que adotam essas indicações têm 80% de chance de sucesso na colheita da lavoura.

O sistema utiliza 30 anos de dados diários de chuva e temperatura atualizados anualmente. A estratégia adotada para incorporar as mudanças climáticas é substituir, ano a ano, os dados mais antigos pelos mais recentes. Isso permite captar as mudanças no clima em tempo real. No entanto, a questão importante é se devemos manter a série de 30 anos ou reduzi-la para 10, considerando a rapidez com que o clima está mudando.

O principal ponto agora é que o aumento de temperatura e os eventos extremos estão com dinâmica muito maior do que os critérios estatísticos clássicos indicam. Na verdade, para definir o que plantar, onde plantar e quando plantar, não é possível mais depender de longas séries de 30 anos. A redução para séries de 10 anos pode ser mais adequada, dado o aumento das perdas na agricultura e na pecuária do Brasil, maiores a cada ano em função de fenômenos como seca, geadas, chuvas intensas e ondas de calor, entre outros.

Trabalho desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), “Histórico de Perdas na Agricultura Brasileira – 2000-2021”, indicou que perdas foram se avolumando neste período, considerando que os principais eventos climáticos são aqueles que incluem períodos longos de estiagem, que alteram a disponibilidade hídrica do solo; condições de temperatura extremas e geadas; granizos e vendavais; e eventos de precipitação excessiva, que influenciam o período de colheita e interferem nas datas de plantio.

O Mapa apontou nesse mesmo estudo sobre perdas agrícolas entre 2000 e 2021, que aumentaram no período, considerando que os principais eventos climáticos foram estiagens prolongadas, geadas, granizos, vendavais e precipitações excessivas, que afetaram diretamente a produção. Os estados que mais sofreram com as quebras de safras foram Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, seguidos de perto por Mato Grosso do Sul. Desde 2004, pesquisadores do clima e seus impactos na agricultura têm alertado para o efeito de ondas de calor que, associadas às

secas, provocam o abortamento de flores em culturas como café, laranja e feijão, entre outras.

Esse evento causa impacto quando a temperatura máxima fica próxima de 33ºC ou 34ºC e persiste por dois a três dias. O efeito é devastador. causando perdas substanciais na produção de café e laranja. Nos últimos anos, entre 2006 e 2022, foram observadas 25 ondas de calor de três dias na primavera. As consequências do fenômeno foram abortamento de flores, aumento da deficiência hídrica e morte de animais. A morte de bovinos vem sendo registrada, principalmente em Mato Grosso do Sul e na fronteira do Brasil com a Argentina. Em 2023, estudo mostrou perdas por eventos extremos de 300 bilhões de reais no período de 2013 a 2023, o equivalente a 75% dos Planos Safras do mesmo período.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

Veja também

Publicações Legais

Edição nº2811 – 02/03/2026

Cotações em tempo real