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As bem-aventuranças e o “ai de vós”

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

Nos evangelhos dos domingos anteriores, São Lucas orientou os discípulos sobre a comunidade de Cristo: missão e chamada dos apóstolos, batismo e perdão dos pecados, comunhão com os pecadores convertidos, jejum e o sábado. Agora ele dá instruções sobre o novo caminho da salvação.

O texto deste domingo (16/02) deve ser lido à luz do livro do Êxodo. Moisés subiu ao monte, junto com seus discípulos mais próximos, para receber as palavras da vida (os Dez Mandamentos). Em seguida, desceu e comunicou aos 70 anciãos e depois a todo o povo. Da mesma forma, Jesus sobe ao monte, escolhe os 12 apóstolos, desce do monte para anunciar a Palavra de Deus a numerosos discípulos e a todo o povo.

Com o discurso das bem-aventuranças, Jesus inaugura a sua missão e apresenta uma nova lei, o mandamento novo do amor e da misericórdia. Jesus apresenta as bem-aventuranças seguida dos “ai de vós” para acentuar que a acolhida de sua Palavra se trata da vida ou morte.

O discípulo de Cristo é convidado a associar a sua vida à vida de Cristo, servo de Deus, que viveu na pobreza e foi perseguido até a morte. Com as bem-aventuranças Cristo proclama a realização das promessas messiânicas: bem-aventurados os pobres, os famintos, os que choram. Nos pobres e perseguidos São Lucas vê a Igreja em que ele vive. O que sustenta os seguidores de Cristo a se manter firmes é a alegria de sentir-se amados por Deus que tudo recompensa e deste modo participam da vida dos profetas. Os acontecimentos da vida devem ser vistos à luz do Cristo Ressuscitado.

São Lucas contrapõe os pobres e os ricos, os famintos e os saciados, os que que choram e os que riem, os rejeitados e os reconhecidos. Coloca em evidência que os “ai de vós” não são um tipo de condenação, como os “bem-aventurados” não exprimem aprovação de uma situação socioeconômica. Aqui se trata de uma afirmação clara sobre a inversão dos critérios que acabam colocando em julgamento a humanidade e suas escolhas à luz da ressurreição de Cristo.

O texto evangélico convoca todos os que têm fé e a própria Igreja a testemunhar que o fundamento da existência não está nas riquezas, mas no próprio Deus. O vigor do texto chama a atenção porque a questão é profunda: não basta um desapego afetivo e interior. O evangelho diz claramente que tudo o que temos deve ser colocado a serviço de todos, principalmente os mais necessitados. Neste sentido, a comunidade cristã é obrigada a rever o uso dos bens em perspectiva de fidelidade ao evangelho de Jesus Cristo.

O discurso de São Lucas coloca em contraste duas escalas de valores, duas sabedorias: a sabedoria do mundo, que é insensatez, e a insensatez do evangelho que é verdadeira sabedoria. Que sejamos estimulados a seguir as bem-aventuranças porque nosso coração é repleto de Deus.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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Edição nº2806 – 28/01/2026

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