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Araucária rescinde contrato com IDEAS, Assis Chateaubriand esconde IDEAS e Toledo se ferra com IDEAS.  

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Foto: Gilson Abreu/AEN

Nem mesmo diante do rastro de denúncias — local, estadual e nacional — Toledo dá sinais concretos de reação. Sim, houve reuniões, inclusive com participação do Ministério Público. Mas, ainda assim, nem diante de números contestados e apontamentos de inconsistências, o Instituto IDEAS deixa de operar na saúde pública municipal.

O instituto segue atuando como se estivesse no seu ambiente natural: quanto mais caos, mais dinheiro circulando. E o que acontece em Toledo não é caso isolado — soma-se a uma sequência de suspeitas, falhas operacionais e alertas que se repetem em diferentes estados do país.

O mais grave é justamente isso: os problemas são recorrentes, previsíveis e amplamente conhecidos. Ainda assim, o contrato permanece intocado, e o debate público segue morno, quase protocolar — uma complacência institucional que, na prática, abandona o contribuinte e expõe o paciente.

A conta não fecha — e alguém precisa explicar

Nos bastidores, o rombo do Hospital Regional de Toledo já teria ultrapassado R$ 22 milhões — um número grave demais para ser tratado com naturalidade ou empurrado com a barriga. E esse tipo de déficit não é apenas estatística de planilha: vira fila, vira falta de profissionais, vira ausência de insumos, vira desassistência.

Quando a gestão falha, a conta não cai no colo de quem assinou contrato. Cai no colo do paciente. E, muitas vezes, cai em forma de tragédia.

Por isso, Ministério Público e Legislativo precisam se posicionar com clareza e firmeza:
quem fiscalizou? quem permitiu? quem renovou? e, principalmente, quem vai ser responsabilizado?

Porque quando R$ 22 milhões desaparecem na engrenagem da saúde, não é só dinheiro público que some. É dignidade — e, em muitos casos, vida.

Falta o básico: profissionais, equipamentos… e até gaze

O que chega da ponta é assustador: relatos de falta de profissionais, carência de equipamentos, dificuldades para manutenção de equipes e até ausência de insumos básicos como gaze. Não se trata de detalhe: quando um hospital não tem estrutura mínima, quem paga é o paciente — muitas vezes com a própria vida.

Mortes, processos e o “segue o jogo”

Uma pergunta incômoda — e obrigatória: quantas mortes ainda serão necessárias para Toledo agir com firmeza? Já existem processos volumosos, denúncias históricas em outros estados, e há quem relate que erros graves já custaram vidas. Mesmo assim, o contrato segue resistindo ao óbvio. E o silêncio institucional, aqui, vira cumplicidade política.

O IDEAS virou pauta nacional

O IDEAS não é um nome qualquer. Em maio de 2025, a CGU e a Polícia Federal deflagraram operação para apurar suspeitas envolvendo contrato estimado em R$ 196 milhões na saúde de Santa Catarina, com indícios como subcontratações ilegais, superfaturamento e vantagens indevidas. O instituto aparece no contexto das apurações, ainda que negue irregularidades e não haja condenação até o momento.

Ou seja: quando o alerta vem do Brasil inteiro, ignorar é escolha.

Araucária: rescisão por inexecução contratual

Enquanto Toledo permanece imóvel, Araucária decidiu reagir. A Secretaria Municipal de Saúde notificou o IDEAS comunicando rescisão unilateral do contrato do Hospital Municipal de Araucária em 10 de dezembro de 2025, citando inadimplência generalizada, descumprimento de metas, glosas e multas, além de intervenção ética indicada pelo CRM-PR por falta de médicos suficientes.

Traduzindo: o município afirma, por escrito, que a execução contratual virou risco assistencial.

O mesmo “modus operandi” se repete

Araucária descreve exatamente o que já se ouve em outras regiões:
➡️ falta de médicos por setores
➡️ falha nas obrigações contratuais
➡️ problemas com fornecedores
➡️ risco à continuidade do serviço público

A pergunta é: Toledo vai esperar chegar ao mesmo ponto para agir?

Assis Chateaubriand: o IDEAS que “não aparece no papel”

Em Assis Chateaubriand, um fato chama atenção: o IDEAS não figura formalmente em contratos, mas seu nome surge nos bastidores do Hospital Beneficente Moacir Micheletto, principalmente por meio da circulação de gestores ligados ao instituto, como Rodrigo Massaroli, e relatos internos de presença anterior. É o chamado “IDEAS invisível”: não assina, mas influencia.

Isso exige apuração pública: quem decide, quem controla e quem responde?

A política dentro do hospital

Outro dado que pesa — e muito — é a politização da gestão hospitalar. A movimentação recente, envolvendo ex-secretário municipal de Saúde assumindo a direção do hospital e, na sequência, o rearranjo no comando da pasta, acende um alerta que não pode ser ignorado: hospital não pode virar braço político nem espaço de acomodação administrativa.

Saúde pública exige gestão técnica, fiscalização rigorosa e transparência absoluta. Quando decisões passam a obedecer mais à lógica política do que à competência técnica, o risco deixa de ser administrativo e passa a ser assistencial.

Explica-se. Rodrigo Furlan era, até então, secretário municipal de Saúde, escolhido a dedo pelo prefeito Marcel Micheletto. Ao ser designado para a gestão do hospital que leva o nome de seu pai, o prefeito fez nova escolha direta para a Secretaria de Saúde: sua própria esposa, Franciane Micheletto, que também ocupa o cargo de vice-prefeita.

Ou seja: a saúde pública passou a orbitar dentro de um mesmo núcleo familiar.

Não se trata aqui de julgamento pessoal, mas de questionamento institucional. A pergunta que precisa ser feita — e respondida — é simples: quem fiscaliza quem, quando tudo fica em família?

Porque, na saúde, confiança política não substitui controle técnico. E a conta dessa mistura perigosa, quase sempre, chega para quem menos pode pagar: o paciente

O alerta aos vereadores

A Câmara Municipal de Toledo precisa sair do discurso genérico e agir como Poder Fiscalizador. Cabe requerer:
✅ cópias integrais do contrato e aditivos
✅ relatório completo de metas e entregas
✅ glosas, multas e notificações
✅ auditorias e apontamentos técnicos
✅ relatórios de RH, escalas e faltas por setor
✅ custos de manutenção e contratos paralelos

Porque se vereador não fiscaliza contrato de milhões na saúde, fiscaliza o quê?

Executivo: o prefeito vai sustentar esse risco até quando?

O Executivo não pode dizer que “não sabia”. Quando os indícios se multiplicam, quando denúncias se acumulam e quando o país inteiro já discute a atuação do instituto, manter o contrato vira ato político — não técnico. E ato político tem consequência.

MP: o tempo da mediação já passou

O Ministério Público tem sido chamado para mediar crises em diferentes cenários envolvendo falta de pagamento, risco de paralisação e insegurança assistencial. Mas é hora de ir além da mediação: é hora de responsabilização e prevenção, antes que a tragédia se torne estatística.

Toledo vai esperar mais uma crise para agir?

O que aconteceu em Araucária mostra que há caminho legal e administrativo para reagir quando a execução contratual se degrada. E se Araucária chegou ao limite, é porque o problema não nasceu ontem.

Portanto, o alerta está feito: Toledo não pode esperar o colapso para tomar providência.

Perguntas que não podem ser engavetadas

Para concluir, ficam perguntas que exigem resposta pública:

  1. Qual o valor atualizado do déficit do Hospital Regional?
  2. Quantas notificações contratuais já foram emitidas?
  3. Quantas multas? Quantas glosas?
  4. Quais setores operam com equipe incompleta?
  5. Existe auditoria independente em andamento?
  6. Quem autorizou pagamentos e quais serviços foram comprovados?
  7. Por que Toledo mantém o contrato mesmo diante do cenário nacional?

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Edição nº2802 – 18/12/2025

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