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Aliado de Moro vira caso de polícia em Toledo e amplia histórico de controvérsias

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Advogado estava na cidade durante agenda eleitoral do candidato e foi preso após ocorrência em hotel

A passagem da campanha de Sergio Moro pelo Oeste terminou produzindo um episódio que certamente não estava previsto na agenda eleitoral.

Jorge Augusto Derviche Casagrande, advogado, aliado político e integrante das articulações em torno da candidatura de Moro, acabou envolvido em uma ocorrência policial no Hotel do Lago, em Toledo. Segundo informações da Gazeta de Toledo, ele estava na cidade em razão da extensa programação política do candidato neste sábado (12) e domingo (13).

De acordo com o Boletim de Ocorrência nº 1210979/2026, a Polícia Militar foi chamada após relatos de um hóspede bastante alterado, com ameaças, agressões, danos e confusão na recepção.

A esposa relatou aos policiais ofensas, dano ao aparelho celular e o arrombamento da porta do quarto, episódio no qual sofreu lesão em um dedo. Outros hóspedes também teriam sido agredidos. Segundo o registro, ao receber voz de prisão, o advogado ainda teria resistido à condução, exigindo intervenção física dos policiais.

O boletim reúne, entre as naturezas registradas, ameaça, tráfico de influência, lesão corporal em contexto de violência doméstica, dano e desacato. Trata-se, naturalmente, de um registro policial inicial, sujeito à investigação e ao direito de defesa.

Não é a primeira controvérsia

O episódio chama ainda mais atenção porque Casagrande já aparece em outros episódios públicos.

Seu nome consta de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, relacionada a uma contratação superior a R$ 8,2 milhões para aquisição de plataformas aéreas destinadas ao Corpo de Bombeiros. O advogado nega irregularidades, afirma que atuou apenas profissionalmente e ressalta que nunca respondeu criminalmente por esses fatos.
Há ainda uma condenação por danos morais, estimada pelo próprio Casagrande em aproximadamente R$ 500 mil, relacionada à sua atuação na chamada CPI das Falências da Assembleia Legislativa do Paraná. Ele informou que pretende buscar a revisão da decisão.

Politicamente, sua proximidade com Moro também não é especulação. O próprio advogado já declarou publicamente sua aliança e alinhamento político com o senador e passou a integrar a direção do Democracia Cristã no Paraná em 2026.

Um problema para além do boletim

Moro não pode ser responsabilizado por uma conduta particular atribuída a um aliado. Mas uma campanha ao Governo do Estado também é julgada pela qualidade das pessoas que escolhe para seu entorno político.

Quem participa de articulação eleitoral precisa conviver com pressão, divergência, negociação e conflito. Autocontrole não é detalhe para quem trabalha próximo de quem pretende comandar o Estado.

Se confirmados os fatos registrados pela Polícia Militar em Toledo, o episódio revela um grau de desequilíbrio incompatível com esse tipo de responsabilidade.

E aí surge uma questão política objetiva: se esse é o comportamento atribuído a alguém que atua próximo de um projeto de poder ainda durante a campanha, é razoável perguntar qual é o critério utilizado para selecionar quem estará por perto caso esse projeto chegue ao Governo.

O problema, portanto, já não é apenas o que aconteceu dentro de um hotel em Toledo.

É também quem uma candidatura escolhe para ajudá-la a chegar ao poder.

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