Por Marcos Antonio Santos
Escola inaugurada em 1985 enfrenta galerias entupidas, paredes rachadas e salas inundadas; episódios se repetem há anos e assustam alunos e funcionários
A Escola Presidente Tancredo Neves, localizada no bairro Boa Esperança, em Toledo, foi inaugurada em 21 de maio de 1985 e passou por sua última reforma em 2007. Desde então, a estrutura se deteriorou a ponto de, em dias de chuva, tornar-se um ambiente de risco e insegurança para alunos e funcionários. O episódio mais recente ocorreu na tarde dessa segunda-feira, 1, quando o pátio e várias salas de aula ficaram inundados, repetindo um problema antigo e já conhecido pela comunidade escolar.
Segundo professores e direção, a situação não é nova. Há muitos anos a escola sofre com problemas na estrutura: galerias pequenas e entupidas, canaletas incapazes de suportar o volume de água, manilhas quebradas e invadidas por raízes, além de calhas obstruídas. O resultado é sempre o mesmo: a água não escoa e invade os ambientes internos, causando medo e paralisação das atividades.
Rachaduras nas paredes, parte elétrica comprometida, goteiras constantes e danos no telhado fazem parte da rotina. Em vários setores, baldes e bacias são usados para conter a água que cai do teto. Professores relatam que, durante as chuvas, precisam acalmar as crianças, que ficam assustadas com a enxurrada entrando pelas portas e corredores. “Eles ficam apreensivos, alguns até choram”, relatam.
Além dos problemas estruturais, a quadra de esportes apresenta danos que impedem seu uso adequado. A escola também enfrenta invasões, tanto para consumo de drogas quanto para a utilização indevida do parquinho por pessoas externas em horários proibidos, mesmo sendo um espaço reservado exclusivamente aos alunos da unidade.


Reforma prometida após anos de cobrança
Após sucessivas promessas de administrações anteriores — especialmente em 2022, quando um projeto chegou a ser citado, mas não avançou —, a prefeitura anunciou nessa terça-feira, 2, que a reforma finalmente será realizada. O prefeito Mario Costenaro, a secretária de Educação, Janice Salvador, e o secretário de Esportes e Lazer, Jozimar Polasso apresentaram o anúncio oficial: o projeto já está em andamento e as obras devem custar cerca de R$ 5 milhões.
Diretora confirma que problemas são antigos e profundos
A diretora da escola, professora Liege Aparecida Martim, que assumiu a gestão em 10 de janeiro deste ano, conta que os problemas estavam evidentes desde seus primeiros dias de trabalho.
“Assim que entrei, fiz um mapeamento da estrutura. Os problemas eram antigos e já chamavam atenção: rede de esgoto comprometida, manilhas quebradas, calhas entupidas, raízes que invadiram tubulações e dificultam o escoamento. Informei a Secretaria da Educação, e a secretária Janice veio prontamente verificar”, afirma.
A diretora destaca que a precariedade é resultado de anos sem intervenções adequadas.
“É uma escola de 1985, com estrutura antiga. Como não houve um olhar atento das gestões anteriores, a escola foi se corroendo com o tempo. Problemas elétricos, banheiros sem portas, infiltrações, rachaduras… tudo se somou”, relata.


A unidade atende hoje cerca de 300 alunos, com sete turmas em período integral e seis turmas regulares.
Segundo Liege, relatos de professores confirmam que o que aconteceu nesta segunda-feira não foi um caso isolado.
“Já aconteceu outras vezes, mas desta vez foi gritante. As crianças não conseguiam sair das salas, tudo ficou alagado. As manilhas são muito pequenas, não têm como dar vazão a tanta água.”
A diretora diz que já houve limpeza das calhas e que a atual gestão tem demonstrado atenção, mas admite que a solução definitiva depende da reforma completa.
“Agora vamos acreditar que dessa vez vai sair do papel”, conclui.
Professores relatam rotina de goteiras, buracos e alagamentos
A professora Daiane de Souza Dias, que trabalha na escola desde 2020, confirma que os problemas sempre existiram.
“Desde 2020 isso já acontecia. Eles vêm, fazem pequenos reparos, mas a gente sabe que o problema é muito maior. Em dias de chuva intensa, as crianças tiram os calçados, porque molha tudo. E como são alunos de período integral, ficam o dia inteiro dentro da sala”, diz.
As goteiras também fazem parte do dia a dia. “Temos que colocar baldes e bacias dentro das salas. Não é novidade para ninguém.”
A professora Joice Carpiné, há três anos na escola — e que já foi estagiária ali aos 14 anos — reforça que a situação é antiga:
“No ano passado, teve um dia em que choveu forte e tivemos que buscar as crianças com guarda-chuva dentro da escola. O professor Giliardi chegou a carregar alunos no colo. Isso não começou agora”, afirma.
Ela conta que sua sala possui um buraco desde o início do ano.
“Sempre a mesma desculpa: ‘a reforma está chegando’. E ficamos assim, convivendo com buracos, galerias sujas e a mesma promessa ano após ano. A reforma começaria em janeiro, depois em julho… e nada. Ontem nos disseram que agora o projeto está assinado e que vai para licitação. Esperamos que seja verdade”.
Segundo os professores, enquanto a reforma não acontece, cada chuva continua trazendo o mesmo problema: alagamento, goteiras e risco para as crianças.





Fotos: Gazeta de Toledo





