Entre a narrativa apresentada em 19 páginas e o cenário encontrado pela reportagem existe um abismo. Após vistoria realizada pela Gazeta de Toledo, o Centro de Eventos Ismael Vicente Sperafico revela estruturas deterioradas, problemas administrativos (SE QUER RESPONDERAM OS PROTOCOLOS), pendências financeiras e uma realidade muito distante daquela descrita pela Sociedade Rural.
Foram 19 páginas produzidas pela Sociedade Rural de Toledo na tentativa de convencer a opinião pública de que a entidade estaria sendo vítima de uma decisão arbitrária da Prefeitura. Na nota, sustenta que preservou o patrimônio público, realizou investimentos e que foi surpreendida por um decreto considerado ilegal.
A reportagem da Gazeta encontrou outro cenário.
Depois de receber dezenas de fotografias, vídeos e documentos, este jornalista esteve no Centro de Eventos Ismael Vicente Sperafico para verificar pessoalmente a situação. O que foi encontrado não guarda correspondência com a versão apresentada pela entidade. Em diversos setores, especialmente na área dos rodeios, currais e estrebarias, sob responsabilidade da Sociedade Rural, predominam estruturas deterioradas, falta de manutenção e um ambiente que evidencia anos de descaso.





As imagens que serão publicadas nos próximos dias falam por si. Não se trata de divergência política nem de disputa de versões. Trata-se da situação física de um patrimônio público que qualquer cidadão poderá avaliar.
O problema, entretanto, não termina na conservação da estrutura.
Documentos obtidos pela coluna apontam uma situação financeira extremamente delicada. As pendências acumuladas ultrapassam R$ 1,5 milhão, sem atualização monetária. Apenas junto ao ECAD, os débitos superam R$ 900 mil. Há ainda fornecedores de diversos segmentos aguardando pagamento, inclusive empresas de comunicação responsáveis pela divulgação de eventos promovidos pela Sociedade Rural, entre elas a própria Gazeta de Toledo.
Outro ponto que deverá ser devidamente esclarecido diz respeito à utilização do espaço público para atividades particulares. Durante a apuração, a reportagem recebeu informações de frequentadores segundo as quais pagamentos referentes às atividades equestres eram realizados diretamente em conta bancária da companheira do atual presidente da Sociedade Rural. Esse fato também será objeto da série de reportagens que a Gazeta publicará, garantindo, como determina o bom jornalismo, espaço para manifestação da entidade e dos envolvidos.
Não é coragem. É dever administrativo.
A assinatura do decreto não deve ser tratada como um ato de coragem política, mas como uma obrigação administrativa diante da responsabilidade de proteger o patrimônio público.
Enquanto muitos gestores preferem adiar decisões capazes de gerar desgaste, Rodrigo Souza, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, e Luiz Carlos Bombardelli, secretário de Agricultura, assumiram a responsabilidade administrativa de formalizar a retomada do Centro de Eventos. A decisão foi tomada com respaldo jurídico e autorização do prefeito Mario Costenaro.
Naturalmente, o decreto poderá ser questionado judicialmente. Esse é o caminho previsto pelo Estado Democrático de Direito.
O que dificilmente poderia ser justificado seria a permanência da inércia diante de um patrimônio público que, segundo a apuração da Gazeta, acumulou problemas estruturais, administrativos e financeiros ao longo dos últimos anos.

IMAGENS FALAM POR SI







































