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A última doação de um herói silencioso: Nelson Scherer encerra trajetória de 55 doações de sangue

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Exemplo de solidariedade: Nelson Luiz Scherer chegou à marca de 55 doações de sangue ao longo de quase três décadas. Foto: Gazeta de Toledo

Por Marcos Antonio Santos

Morador de Quatro Pontes realizou sua última doação aos 69 anos na Unidade de Coleta de Toledo, encerrando uma história de quase três décadas ajudando a salvar vidas

Doar sangue uma vez pode salvar até quatro vidas. Agora imagine doar 55 vezes. Esse é o histórico do senhor Nelson Luiz Scherer, que entre 1997 e 2026 realizou dezenas de doações registradas no Paraná, a maioria delas em Toledo. A trajetória começou há cerca de 29 anos, quando a Unidade de Coleta de Sangue ainda funcionava no antigo Mini Hospital, na Vila Pioneiro.

A história que iremos contar teve seu capítulo final nesta quinta-feira, 12, por volta das 13h30, quando Nelson realizou sua última doação. Morador de Quatro Pontes e nascido na região de Nova Santa Rosa (RS), ele completará 70 anos em abril, idade limite permitida pela legislação para a doação de sangue.

Seu tipo sanguíneo é O+ (O positivo), e a primeira doação registrada ocorreu quando ele tinha 41 anos.

“Fui sempre muito bem atendido. Não tive nenhuma reação adversa. Tenho 55 doações registradas no Paraná. Lembro que já não era tão jovem. Aos 20 anos fui morar no Paraguai e lá permaneci até 1994. Na época eu trabalhava bastante, como pedreiro, e não tinha muito tempo disponível. Às vezes, quando me chamavam por haver necessidade, eu ia até Cascavel. Mais próximo da aposentadoria, passei a doar três ou quatro vezes por ano, sempre que vinha a Toledo. Embora more em Quatro Pontes, quando vinha a Toledo procurava saber se havia doação. Às vezes não agendava e comparecia sem aviso prévio, buscando uma vaga. Sou muito grato por tudo isso”, conta.

Com 55 doações registradas, Nelson Luiz Scherer mostra a bolsa de sangue O+, tipo considerado valioso para transfusões. Foto: Gazeta de Toledo

O+:  Um tipo sanguíneo valioso

A farmacêutica da Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) de Toledo, Lariane Cargnelutti, explica que o sangue O+ é extremamente importante para os bancos de sangue.

“O sangue O+ não possui determinados antígenos nas hemácias, o que permite que seja utilizado por pacientes de diferentes tipos sanguíneos positivos, como A, B e AB. Por isso, depois do O-, o O+ é considerado muito valioso. O tipo sanguíneo O+ não é raro, porém o senhor Nelson possui um histórico de doação contínua, o que o torna um doador de grande importância”, explica.

Segundo Lariane, um dos diferenciais do senhor Nelson é ser um doador de repetição, algo essencial para o funcionamento dos bancos de sangue.

“Seu sangue O+ pode ser utilizado para atender diversos pacientes, incluindo aqueles com tipos sanguíneos A e O. Além disso, o sangue dele foi fenotipado, o que significa que, além do tipo sanguíneo, outros antígenos das hemácias foram identificados. Essa informação é crucial para pacientes que necessitam de transfusões frequentes, como os portadores de anemia falciforme. Nesses casos, fazemos um estudo detalhado das hemácias e o sangue do senhor Nelson pode ser utilizado por ser compatível. É como se fossem ‘padrinhos’ que garantem o suprimento de sangue para pacientes com necessidades específicas”, explica.

Felicidade e missão cumprida

Com 55 doações registradas, cada uma podendo salvar até quatro vidas, a contribuição de Nelson pode ter ajudado cerca de 220 pessoas ao longo dos anos. Apesar da satisfação, ele lamenta apenas não poder continuar doando por causa da idade.

Hoje, ele é considerado o doador com maior número de doações na Unidade de Toledo, superando as expectativas de quem acompanha o trabalho do Banco de Sangue.

“Sinto-me feliz com o que já consegui realizar. Gostaria de fazer mais doações por mais anos, mas a legislação não permite devido à idade. Eu não imaginava que tinha realizado tantas doações. Quando no ano passado me falaram, eu não acreditei, pois não tinha conhecimento”, relata.

Nelson recebeu homenagens das colaboradoras do Banco de Sangue. Foto: Gazeta de Toledo

Emoção e homenagem

O dia da última doação foi marcado por muita emoção. Nelson recebeu homenagens das colaboradoras do Banco de Sangue, além de presentes e agradecimentos pela contribuição ao longo de quase três décadas.

Com o sentimento de dever cumprido por possivelmente ter ajudado a salvar mais de 200 vidas, ele ainda aproveitou o momento para incentivar novos doadores.

“É gratificante. Sinto-me honrado. Não apresento problemas de saúde e o único desafio é a compreensão das informações. Consigo ouvir, mas entender às vezes é mais difícil. Mesmo assim, estou bastante emocionado. É importante que quem tem boas condições de saúde se torne doador. Assumi essa prática como um compromisso pessoal. Sempre que possível, a cada três ou quatro meses, procurava o Banco de Sangue. Sentia que era minha obrigação. Agradeço e volto para casa feliz, esperando que muitas pessoas também possam doar sangue”, destaca Nelson Luiz Scherer, que estava acompanhado da sua esposa.

Nelson com a esposa e colaboradoras do Banco de Sangue. Foto: Gazeta de Toledo.

A importância dos doadores de repetição

Lariane Cargnelutti reforça que doadores como Nelson são essenciais para o sistema de saúde.

“Doadores de repetição, como o senhor Nelson, são fundamentais para os bancos de sangue, pois são pessoas confiáveis, com histórico de doação e compromisso com a causa. Isso reduz a necessidade constante de buscar novos doadores e também diminui a possibilidade de descarte de bolsas de sangue”, afirma.

Como funciona o processo para doar sangue

A doação de sangue é um procedimento simples, seguro e fundamental para salvar vidas. O processo começa com o cadastro do doador no hemocentro ou banco de sangue, onde é necessário apresentar um documento oficial com foto para registro dos dados pessoais.

Em seguida, o candidato passa por uma triagem clínica, realizada por um profissional de saúde. Durante essa etapa é feita uma entrevista confidencial com perguntas sobre histórico de saúde, uso de medicamentos, cirurgias recentes, hábitos de vida e possíveis viagens. O objetivo é garantir segurança tanto para o doador quanto para quem receberá o sangue.

“O processo envolve cadastro na recepção, triagem com um profissional de saúde — incluindo avaliação de pressão arterial e hemoglobina —, coleta de sangue e, por fim, a liberação do doador. O sangue coletado é enviado para Cascavel, onde é processado em hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado. Cada doação pode salvar até quatro vidas e, em média, são coletados cerca de 450 mililitros de sangue”, conclui a farmacêutica Lariane Cargnelutti.

No Brasil, a doação de sangue pode ser feita por pessoas com idade entre 16 e 69 anos.

  • 16 e 17 anos: podem doar, mas precisam de autorização dos pais ou responsáveis legais.
  • 18 a 69 anos: podem doar normalmente, desde que estejam em boas condições de saúde.
  • 60 a 69 anos: só podem doar se já tiverem realizado pelo menos uma doação antes dos 60 anos.

Além da idade, é necessário cumprir alguns outros requisitos básicos:

  • pesar no mínimo 50 kg
  • estar em boas condições de saúde
  • estar alimentado, evitando alimentos gordurosos antes da doação
  • apresentar documento oficial com foto

Também existem intervalos mínimos entre as doações:

  • Homens: até 4 doações por ano, com intervalo mínimo de 2 meses
  • Mulheres: até 3 doações por ano, com intervalo mínimo de 3 meses

Uma única doação pode ajudar até quatro pessoas, pois o sangue é separado em diferentes componentes usados em diversos tratamentos e emergências.

Fotos: Gazeta de Toledo

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