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A preocupante redução do número de caminhoneiros no Brasil

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Foto: Agência Progressistas

                   Dilceu Sperafico*

         O Brasil dependente do transporte rodoviário para o escoamento da crescente produção agropecuária e industrial, apesar de sua extensão territorial, ferrovias abandonadas e potencial do transporte fluvial e marítimo, tem novo e preocupante desafio pela frente. Trata-se da redução de caminhoneiros e até a possibilidade de extinção futura da profissão. Conforme dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o País perdeu 22% dos motoristas de caminhão nos últimos 10 anos, pois contava com 5,6 milhões de condutores habilitados nas categorias C e E em 2015 e esse número caiu para 4,4 milhões em 2025. Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), de 2024, revelou que o caminhoneiro típico brasileiro é homem, na proporção de 99%, tem 46 anos, está há 17 anos na profissão e trabalha, em média, 12 horas por dia. Além disso, 54% da categoria pretendem deixar a estrada e apenas 46% desejam continuar na atividade.

Entre 2011 e 2015 o número de condutores de caminhões e ônibus, cresceu ano a ano, chegando a mais de 13 milhões. Em 2016, começou a queda, até atingir o cenário atual, após a entrada em vigor do exame toxicológico obrigatório para condutores das categorias C, D e E. Conforme dados da CNTA, 25% dos caminhoneiros admitem ter usado rebites ou outras substâncias para aguentar longas jornadas de trabalho. De acordo com o estudo, quase metade dos caminhoneiros acredita que nunca há por parte do Governo Federal ações para incentivar de fato a categoria a permanecer na profissão. Assim, os profissionais estão envelhecendo com a média de 46 anos e os jovens diminuindo. O envelhecimento da categoria é cada vez mais visível, pois enquanto em 2014 a idade média dos caminhoneiros era de 38 anos, atualmente é de 46 anos, com aumento de oito anos em uma década. Conforme especialistas, a baixa remuneração e condições precárias de trabalho são responsáveis por essa nova realidade, pois a desvalorização salarial agrava o desinteresse pela profissão.

No País, entre motoristas contratados via CLT metade recebe entre 2.562 e 4.020 reais mensais, enquanto apenas 10% ganham mais de 5.136 reais. A média salarial é de 3.120 reais e está praticamente estagnada nos últimos anos. Com profissionais autônomos a realidade é semelhante. Trabalham 12 horas diárias e recebem, em média, 39,50 reais por hora de serviço, o que representa renda bruta de cerca de 10 mil reais por mês, valor que diminui significativamente com custos de combustível, pedágios e manutenção dos veículos. Além das longas jornadas, muitos relatam falta de segurança nas estradas, ausência de pontos de descanso e baixa valorização da categoria. Para completar, enquanto caminhoneiros deixam a estrada, a frota de caminhões do Brasil cresce, passando de 5,3 milhões de veículos em 2015 para 8 milhões em 2025, com aumento de 50%, mesmo com a queda no número de profissionais, o que pode indicar que não habilitados seguem conduzindo muitas unidades. Nesse mesmo período, o País avançou muito pouco na pavimentação de rodovias, que passaram de 211,1 mil km em 2015 para 216,9 mil km em 2025, com expansão de 12,6% da malha rodoviária nacional de 1,7 milhão de quilômetros. Mesmo assim, a dependência do transporte rodoviário do País aumentou de 61,1% para 64,8% das cargas movimentadas, com os recordes anuais na produção de grãos, proteínas animais e derivados, além de matérias primas.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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