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A polêmica Campanha da Fraternidade 2021

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Faltando praticamente uma semana para o início da quaresma, no próximo dia 17 de fevereiro, acentuam-se polêmicas em torno da Campanha da Fraternidade 2021 (CF-2021). Ela é parte da programação da Igreja Católica para um período de 40 dias (que inicia na quarta-feira de cinzas e termina na Páscoa, daí a origem do nome quaresma) e existe desde 1964, tendo sido criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a famosa CNBB.

Em linhas gerais, a Campanha da Fraternidade tem como objetivo conduzir o povo católico a refletir sobre algum problema concreto brasileiro nos âmbitos da saúde, do meio ambiente, da família, dentre outros.

Além do mais, a cada cinco anos, sua propositura não é apenas católica: é ecumênica, ou seja, tem apoio e engajamento de várias outras igrejas que entendem a importância da comunhão e da partilha de experiências – também de gestos concretos. Assim, é endossada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, o CONIC.

Além de ser uma importante ferramenta formativa e de engajamento, uma Campanha da Fraternidade Ecumênica oportuniza o diálogo entre diferentes convicções e pode ser palco para a construção de uma verdadeira cultura de paz. Porém… ela nem ainda começou e já traz polêmicas!

Cartaz oficial da Campanha da Fraternidade 2021 (Fonte: Divulgação CNBB)
Cartaz oficial da Campanha da Fraternidade 2021 (Fonte: Divulgação CNBB)

Polêmicas num momento de divisão e de euforia

Como fruto do delírio coletivo acirrado por meio do bizarro contexto político em que o Brasil se encontra – além da empoeirada divisão entre conservadores e progressistas que perdura desde o final do Concílio Vaticano II (1962-1965) – já era de se esperar que haveria críticas à proposta da Campanha da Fraternidade de 2021. Afinal, ela convida à verdadeira conversão – algo que nem todo cristão, mais de nome do que de obras, é capaz de vislumbrar.

Ao pretender educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor – que é uma exigência central do Evangelho – a proposta da Campanha da Fraternidade 2021 chocou. E qual o motivo para tanto transtorno? Simples, ela convida “comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual”, conforme aponta seu texto base.

Quando fala na superação de polarizações, a proposta da CF-2021 é justamente o que causa alarde no cristão disfuncional (aquele que adora fazer escândalo e chamar quem fala de problema social ou de pobreza dentro do âmbito teológico de comunista) e isso o motiva a ataques contra o ecumenismo.

Tal comportamento leva a uma onda de outras ações, que vão da produção de fakenews e de conteúdos que tentam desmerecer membros do CONIC ao descontrole argumentativo e à crítica a importantes movimentos que promovem a unidade, além de ataques desenfreados à CNBB.

Ou seja: enquanto quem espera por mudanças faz campanha visando à fraternidade, os contrários iniciaram uma contra-campanha. E ela é desserviço, que revela o desejo intencional de se dividir ainda mais o povo – do que unir.

Exemplo disso é o vídeo “Saiba quem está por trás da Campanha da Fraternidade!”, divulgado pelo Centro Dom Bosco do Rio de Janeiro: uma arma de propagação de ódio e de calúnias infundadas, que do carisma salesiano nada tem. É material digno de repúdio, pois conclama à desunidade.

O que fazer em meio a tanta desunião?

Ficar dentro de sua bolha é muito mais cômodo para quem tripudia a vivência prática do Evangelho, refutando o fato de que a sociedade brasileira tem assistido aos mais agressivos problemas na área da saúde, da economia, da política, e tantos outros… O comodismo e o egoísmo não permitem perceber o outro, pois para se fazer algo de concreto, é necessário despojamento: de estruturas, de ideologias, de proselitismos e também de si mesmo.

Ironicamente, a proposta da CF deste ano é a solução do problema para tanta desunidade: o tema escolhido foi “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef. 2.14). Para a sociedade brasileira atual, não haveria nada mais assertivo, pois traz muitos aspectos positivos!

Que outros aspectos positivos existem na Campanha da Fraternidade 2021?

Os temas abordados nas CF testemunham a sintonia da Igreja com a vida da população, especialmente a percepção dos grandes problemas que atingem, sobretudo, os pobres, os quais nem sempre têm a quem recorrer em seus sofrimentos devido às situações injustas.

E é justamente isso que incomoda aos que vivem uma religião descontextualizada da realidade. Afinal, um povo que questiona a fome, a miséria, a violência, pode despertar para o pensar e o agir orgânico, além de comunitário. É isso que ultraja: povo inerte é massa de manobra, quando passivo é manipulável. Ademais, é fácil chamar de socialista, marxista, comunista quem assim o pensa e gerar o medo de uma excomunhão, de um descompasso com a hierarquia da Igreja.

Não confundamos propostas de fraternidade com contextos políticos! Estamos em 2021! E apesar de serem realidades que fazem fronteira, vivemos uma incrível eclesiologia de construção e de partilha. Aliás, é importante separarmos bem as coisas: a fraternidade proposta pela Campanha da Fraternidade é a do Evangelho, a partir das palavras de Cristo, e não a da boca pra fora, dos revolucionários medievais conclamando às Cruzadas via internet.

Vejamos outros dos objetivos e aspectos positivos da Campanha da Fraternidade deste ano:

– Denunciar as violências contra pessoas, povos e a Criação, em especial, as que usam o nome de Jesus;
– Encorajar a justiça para a restauração da dignidade das pessoas, para a superação de conflitos e para alcançar a reconciliação social;
– Animar o engajamento em ações concretas de amor à pessoa próxima;
– Promover a conversão para a cultura do amor em lugar da cultura do ódio;
– Fortalecer e celebrar a convivência ecumênica e inter-religiosa.

Quer saber mais sobre a Campanha da Fraternidade 2021?

Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre a CF-2021, a editora Edições CNBB preparou uma página com três videoaulas, além de deixar disponível em seu site na internet o texto-base e materiais diversos. O conteúdo é apresentado pelo secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, de maneira didática, rápida, clara e objetiva, favorecendo a compreensão sobre o tema. Para assistir, acesse:  https://campanhas.cnbb.org.br/canal/cf2021

*Prof. Ana Beatriz Dias Pinto é professora de Teologia no Studium Theologicum e membro da Comissão de Comunicação da Arquidiocese. BemParaná publicado originalmente

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