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A paz esteja convosco!

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Foto: assessoria

O segundo domingo da Páscoa prolonga a alegria do dia da Ressurreição. A Igreja o celebra como **Domingo da Misericórdia**, recordando que o Cristo ressuscitado é a manifestação viva do amor misericordioso do Pai. Não se trata apenas de um atributo de Deus, mas do seu modo de agir, Deus vem ao nosso encontro com misericórdia.

O Evangelho de São João (Jo 20,19-31) nos conduz ao cenáculo, onde os discípulos estão com as portas fechadas por medo. É a imagem de uma comunidade ferida, insegura, marcada pela ausência e pela decepção. É também a imagem do nosso coração, quando nos deixamos dominar pelo medo, pela culpa, pela tristeza ou pela falta de esperança.

Mas é justamente ali que o Ressuscitado entra. Não bate à porta, não espera condições ideais, Ele vem. E sua primeira palavra é: “A paz esteja convosco”. Esta paz não é apenas um consolo, é um dom pascal, fruto da vitória sobre o pecado e a morte. É a paz que reconcilia, que recomeça, que restaura.

Em seguida, Jesus mostra as mãos e o lado. As chagas permanecem, mas já não são sinais de derrota, são sinais de amor. A misericórdia nasce precisamente dessas chagas. Como ensina a tradição da Igreja, é do coração aberto de Cristo que brota a vida nova.

Neste contexto, compreendemos profundamente o sentido do Domingo da Misericórdia, tão difundido a partir das revelações recebidas por Santa Faustina Kowalska. A misericórdia não é uma ideia abstrata, mas um encontro com Cristo que nos conhece, nos ama e nos perdoa.

Jesus sopra sobre os discípulos e diz: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados”. Aqui encontramos um ensinamento profundamente catequético, a misericórdia não é apenas recebida, ela é também confiada à Igreja. No sacramento da Reconciliação, Cristo continua a oferecer o perdão e a restaurar a vida.

Surge então a figura de Tomé. Ele representa cada um de nós, quando temos dificuldade de acreditar, quando precisamos de sinais, quando somos marcados por dúvidas. Tomé quer ver, quer tocar. E Jesus não o rejeita. Ao contrário, vai ao seu encontro.

Isso nos revela algo essencial, Deus não se escandaliza com a nossa fragilidade. A misericórdia não elimina a dúvida com dureza, mas a transforma com amor. Quando Tomé encontra o Senhor, faz uma das mais belas profissões de fé do Evangelho: “Meu Senhor e meu Deus”.

A experiência de Tomé nos ensina que a fé pascal nasce do encontro pessoal com Cristo. Não basta ouvir falar, é preciso experimentar. E essa experiência acontece de muitos modos, na Palavra, na oração, nos sacramentos, mas também no amor concreto vivido no cotidiano.

Quem experimenta a misericórdia é chamado a tornar-se misericordioso. O cristão não pode guardar para si o dom recebido. A comunidade cristã deve ser sinal vivo da misericórdia de Deus no mundo.

Neste Domingo da Misericórdia, a Igreja nos convida a renovar a confiança no amor de Deus e a dar passos concretos na vida cristã: abrir as portas do coração à presença de Cristo, acolher o dom do perdão, viver a misericórdia no encontro com os irmãos.

Dom João Carlos Seneme

Bispo de Toledo                                                 

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Edição nº2818 – 27/03/2026

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