Foto: Andrea Iacquadio

Quando falamos sobre educação, não podemos deixar de considerar os avanços e conquistas que o cenário brasileiro tem vivenciado. Contudo, sabemos ainda que tem muito a ser feito e que o caminho diante de nós é de grandes desafios a serem superados.

E se as muitas conquistas que precisamos alcançar na educação exigem de nós uma série de fatores como conhecimento, adaptação, flexibilização e tantos outros. Como proporcionar educação ao surdo que por tanto tempo viveu e ainda vive às margens da sociedade que é majoritariamente ouvinte? Como podemos considerar a inclusão social do surdo neste cenário educacional e cultural?

Sabemos também que em muitas escolas públicas e privadas em boa parte do país, não há uma educação que busca capacitar o surdo a aprender sua própria língua. Quanto mais capacitar a criança ouvinte na língua de sinais. Afinal de contas, quando falamos sobre inclusão, precisamos considerar também a partir da perspectiva do surdo.

Apesar de ser grande a deficiência no ambiente educacional, e aqui abordo especificamente a inclusão do surdo, essa realidade começou a ganhar força de mudança quando ficou determinado pela lei 10.436 de 24 de abril de 2002, que Libras seria reconhecida como língua oficial da comunidade surda do Brasil.

A partir de então começamos a dar passos para que de fato o surdo ganhe “voz” em nossa sociedade. Entretanto, quando direcionamos nosso olhar para a realidade do surdo vivendo numa sociedade majoritariamente ouvinte, iremos conseguir perceber o enorme esforço que ele faz para ser incluído, em diversos aspectos da sociedade, seja econômico, cultural e educacional.

Ainda que de maneira sucinta, abordamos sobre os avanços da educação, também sobre a realidade do surdo nos diferentes contextos sociais, e o esforço feito para que esta comunidade seja reconhecida ganhando visibilidade e voz. Mas o ouvinte? Qual tem sido o esforço por parte da sociedade ouvinte em aprender Libras para se comunicar e conviver mais com os surdos?

Sabemos que essa é uma realidade um pouco distante. E mesmo que muitos não tenham este interesse, isto é, de aprender Libras, a lei brasileira está posta para se valer. Como também, instituições públicas e privadas se preparando cada vez mais para que seja muito melhor, e porque não dizer, mais ‘normal’ o convívio entre ouvintes e surdos usufruindo a mesma comunicação, a saber, Libras.

Por tantos aspectos que aos poucos começam a ser considerados para a inclusão do surdo, é bom vislumbrar uma realidade, ainda que um pouco remota, onde o ouvinte se envolve de maneira ativa buscando conhecer a língua brasileira de sinais e com isso possibilitando de fato uma realidade em que a comunicação de Libras possa se fazer para todos os brasileiros.

Autor: Leonardo Taveira é professor do curso de Pedagogia