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A hipocrisia também tem memória curta

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Na política de Toledo, algumas figuras parecem ter descoberto uma nova modalidade de atuação: quando estão no poder, não fazem. Quando deixam o poder, exigem que os outros façam!

É o velho e conhecido princípio do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Não fizeram quando podiam. Agora querem que façam!

A protagonista mais uma vez é a vereadora Professora Marli, ex-secretária municipal da Educação, que agora resolveu levantar bandeiras em defesa de compensações pelo Dia do Professor e pelo Dia do Servidor Público. Para reforçar a narrativa, surgiu até Leandro Crestani, ex-integrante da gestão anterior, apresentando interpretações legais que, curiosamente, não teriam produzido o mesmo resultado quando ambos estavam do lado de quem decidia.

Este colunista resolveu analisar a questão e ouvir quem acompanha diretamente os direitos dos mais de quatro mil servidores municipais: a atual direção sindical.

Mas o que chama a atenção não é apenas a discussão jurídica. É a impressionante facilidade com que alguns personagens políticos parecem esquecer o próprio passado administrativo.

E por falar em esquecimento, há outro episódio que merece ser refrescado na memória da ex-secretária. Segundo informações recebidas por esta coluna, o relatório de transição da Educação teria apontado a necessidade de contratar pouco mais de 150 professores. Entretanto, a deficiência encontrada pela nova administração teria ultrapassado 500 profissionais!

E o que aconteceu? No primeiro ano, a gestão Mário Costenaro realizou centenas de contratações, creio que 443,  para enfrentar a defasagem e reorganizar a rede municipal de ensino.

Diante disso, este colunista não consegue deixar de perguntar: a caneta falhou na hora de registrar a realidade? A calculadora estava com defeito? Ou a memória administrativa também entrou em recesso?

Afinal, se havia tanta preocupação com os direitos e as condições de trabalho dos professores, por que uma diferença tão expressiva entre a necessidade informada na transição e aquela posteriormente identificada?

Porque cobrar é fácil. Difícil é explicar por que não se fez quando havia poder para fazer.

A caneta perdeu a memória?

A ex-secretária da Educação conhecia a estrutura administrativa e tinha condições de defender a regulamentação de benefícios. Mas, segundo relatos recebidos, os dois dias de compensação não eram concedidos durante a gestão anterior. E agora? A legislação mudou ou foi apenas a posição política da vereadora? A caneta tinha tinta para cobrar ou só começou a escrever depois que mudou de mãos?

A matemática que não fecha

Mais de 150 professores apontados como necessários na transição, diante de uma deficiência que teria ultrapassado 500? Este colunista gostaria de conhecer a fórmula utilizada. E mais: em 2025, a nova administração contratou 443 professores, dos quais 353 para suprir defasagens. Será que faltaram professores ou sobraram equívocos no diagnóstico? A Educação de Toledo merece uma explicação, não um exercício de adivinhação.

O milagre da oposição

É impressionante! Basta deixar o governo para alguns políticos se transformarem em especialistas naquilo que não conseguiram colocar em prática. Antes, havia obstáculos. Agora, tudo virou obrigação. Será que a sabedoria jurídica só aparece depois que se perde a caneta? Ou estamos diante de mais um daqueles milagres que só acontecem quando o político troca a cadeira do Executivo pela tribuna da oposição?

O ex-diretor também descobriu a lei?

Leandro Crestani também entrou em cena para defender sua interpretação sobre os recessos. Ótimo! Mas este colunista gostaria de saber onde estava essa mesma disposição durante a administração anterior. Porque conhecimento jurídico que só aparece depois da troca de governo tem um curioso problema de calendário. A lei já existia ou precisou esperar a mudança de prefeito para ser descoberta?

E os demais servidores, como ficam?

Este colunista faz outra pergunta: se os professores devem ter compensações pelo Dia do Professor e pelo Dia do Servidor Público, por que guardas municipais, enfermeiros, farmacêuticos e tantas outras categorias não teriam tratamento equivalente em suas respectivas datas profissionais?

Evidentemente, direitos específicos podem existir, desde que amparados pela legislação. Mas onde fica o princípio da isonomia? Será que existem servidores de primeira e segunda categoria? Valorizar o magistério é fundamental. Transformar uma reivindicação em privilégio sem respaldo legal é outra história.

Lei não é peça de conveniência

Uma das normas mencionadas na discussão teria aplicação aos servidores federais. E uma regra federal não se transforma automaticamente em direito municipal. Este colunista quer saber: qual lei de Toledo assegura expressamente as duas compensações? Porque apresentar dispositivos legais sem esclarecer sua aplicabilidade pode produzir mais confusão do que informação. Lei não é figurino político para ser usado conforme a conveniência de quem está no governo ou na oposição.

A tribuna não apaga o passado

A vereadora tem todo o direito de fiscalizar a atual administração. Aliás, essa é uma de suas obrigações. Mas fiscalização exige coerência. Quem cobra hoje precisa explicar o que fez ontem. E isso vale tanto para a discussão dos recessos quanto para os números da Educação deixados na transição. A tribuna pode amplificar discursos, mas não possui borracha para apagar a história. Muito menos os registros administrativos.

O sindicato merece respeito

Este colunista ouviu a atual direção do sindicato que representa mais de quatro mil servidores municipais. As informações recebidas contribuíram para compreender a controvérsia jurídica. E aqui cabe uma observação: entidade sindical não deve ser transformada em instrumento de disputa partidária. Seu compromisso é com os trabalhadores, seus direitos e a legalidade. Servidor público precisa de valorização, não de narrativas políticas que provoquem divisões entre categorias.

Moralidade não se improvisa

Na política, discurso bonito qualquer um produz. Difícil é manter a mesma postura quando se está no comando e quando se está na oposição. Quem reivindica hoje aquilo que não implementou ontem precisa apresentar uma explicação convincente. E quem deixou responsabilidades administrativas também precisa responder pelo que entregou ao sucessor. Coerência não é favor. Ética não é discurso de ocasião. E responsabilidade não termina quando se entrega a chave do gabinete.

A pergunta que não quer calar

Professora Marli e Leandro Crestani: quando participavam da administração anterior, por que não defenderam e implementaram essas mesmas compensações? Existia impedimento jurídico? Faltava iniciativa administrativa? Ou a interpretação atual é diferente daquela adotada no passado?

E acrescento outra pergunta à ex-secretária: como explicar a diferença entre a necessidade de professores supostamente apontada na transição e a deficiência identificada pela administração seguinte?

Este colunista não está questionando o direito de fazer oposição. Está questionando a coerência de quem exige dos outros aquilo que não realizou quando teve oportunidade.

Porque a memória pode até ser curta. Mas os registros administrativos permanecem.

A memória é o pior inimigo da incoerência

Fiscalizar é dever. Defender servidores é legítimo. Mas usar a legislação como munição política, esquecendo o que não se fez quando se tinha a caneta, é uma contradição que merece explicações.

Este colunista não questiona direitos, mas a coerência de quem cobra hoje aquilo que não colocou em prática ontem.

Afinal, a lei mudou ou foi apenas a cadeira de quem agora faz tantas exigências?

Na política, discurso não apaga histórico, tribuna não é lavanderia de decisões passadas e memória seletiva não substitui prestação de contas.

Porque quem teve a caneta e não escreveu não pode estranhar quando alguém resolve ler as páginas que deixou em branco!

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Edição nº2831 – 07/10/2026

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