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A falta de caminhoneiros e escoamento das safras agrícolas no País

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Foto: Assessoria

                            Dilceu Sperafico*

A inesperada falta de caminhoneiros masculinos no transporte rodoviário brasileiro é mais uma preocupação para o agronegócio, a indústria, o comércio, o setor de prestação de serviços e o público consumidor de alimentos e produtos industrializados, pois pode elevar os fretes e preços de bens de consumo, além de pressionar a logística de escoamento da produção primária e secundária do País. Mesmo com a surpreendente adesão de novas condutoras femininas de veículos, incluindo caminhoneiras, na medida em que a mão-de-obra do transporte rodoviário não atender a demanda do setor, seus efeitos atingirão todos os bens de consumo e serviços urbanos e rurais, penalizando trabalhadores, empreendedores e população consumidora. Conforme especialistas, a queda no número de motoristas, envelhecimento da categoria e dificuldades para atrair jovens para a atividade, mesmo com a chegada de robôs, preocupam o setor responsável por 65% do transporte de cargas no Brasil e seus dependentes.

Com isso, a falta de caminhoneiros no Brasil pode se tornar um dos principais gargalos da logística nacional nos próximos anos. Em um país onde cerca de 65% das cargas são transportadas por rodovias, a redução da mão-de-obra ameaça elevar o custo do frete, aumentar os prazos de entrega e limitar a capacidade de atendimento em períodos de maior demanda, como nas safras agrícolas e datas de forte consumo. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), com base em dados do Ministério dos Transportes, mostra que o número de caminhoneiros em atividade caiu quase 20% nos últimos 10 anos e dos 27 Estados brasileiros, 19 registraram retração da categoria no período. A redução foi mais intensa no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto Estados do Norte e Nordeste, como Tocantins e Pará, apresentaram crescimento no número de caminhoneiros. Representantes do setor afirmam que a escassez de profissionais é resultado de conjunto de fatores, como envelhecimento da categoria, falta de renovação geracional, insegurança nas estradas, longos períodos longe da família e remuneração considerada incompatível com as dificuldades da profissão.

Além disso, a ausência de perspectivas de crescimento profissional e salarial, bem como a complexidade e alto custo para a obtenção da carteira de motorista também foram apontados como entraves para a expansão da profissão. Conforme especialistas, essa realidade não é exclusiva do Brasil, mas no País ganha contornos mais graves devido à forte dependência do transporte rodoviário. A CNT estima déficit de cerca de 250 mil motoristas de caminhões no País, apontando que além dos motivos já mencionados, o setor enfrenta ainda a perda de profissionais para outros países, especialmente Portugal, onde o pagamento do salário em euro se tornou atrativo para motoristas brasileiros. Para diminuir os impactos da redução de mão-de-obra na atividade, transportadoras têm ampliado a capacidade dos caminhões, movimentando o mesmo volume de cargas com menos profissionais na atividade. Além disso, a entidade adotou programas de qualificação e apoio à obtenção de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs), das categorias D e E. Da mesma forma, a redução de custos para a obtenção da carteira de motorista e as premiações para caminhoneiros da ativa e contratação de imigrantes, são hoje maneiras de incentivo e atração de novos profissionais.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

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