Da Redação
Levantamento dos resultados nacionais mostra como mudaram os votos dos presidenciáveis entre os dois turnos, o peso dos demais candidatos, a redução dos votos brancos e nulos e a queda da abstenção
A eleição presidencial de 2026 apresentou uma mudança significativa entre o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, e o segundo, disputado no domingo (25). Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado a primeira votação na frente, com 56.104.503 votos, foi ultrapassado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos.
A comparação dos resultados revela que Lula conquistou 10.376.694 votos a mais no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro ampliou sua votação em 3.721.538 votos. A diferença de crescimento entre os dois foi de 6.655.156 votos, suficiente para inverter a vantagem registrada na primeira votação.
Mas de onde vieram esses votos? A resposta passa pelos mais de 9,3 milhões de votos destinados aos candidatos eliminados no primeiro turno, pela redução da abstenção e pela diminuição dos votos brancos e nulos.
Comparativo da votação entre os dois turnos
| Candidato | 1º turno | 2º turno | Aumento |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 53.879.538 | 64.256.232 | +10.376.694 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 56.104.503 | 59.826.041 | +3.721.538 |
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou com vantagem de 2.224.965 votos. No segundo, Lula venceu com diferença de 4.430.191 votos.
Resultado completo do primeiro turno
A votação de 4 de outubro contou com 12 candidatos à Presidência da República. Confira os votos recebidos por cada um:
| Candidato | Partido | Votos |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | PL | 56.104.503 |
| Lula | PT | 53.879.538 |
| Augusto Cury | Avante | 3.448.569 |
| Renan Santos | Missão | 2.675.887 |
| Ronaldo Caiado | PSD | 2.605.148 |
| Romeu Zema | Novo | 326.488 |
| Samara Martins | UP | 122.911 |
| Hertz Dias | PSTU | 43.103 |
| Clariana Barão | DC | 40.043 |
| Edmilson Costa | PCB | 22.693 |
| Wilson Grassi | Democrata | 16.881 |
| Rui Costa Pimenta | PCO | 15.024 |
Somados, os dez candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam 9.316.747 votos, equivalentes a aproximadamente 7,81% dos votos válidos.
Brancos, nulos e abstenções: o que mudou?
A diferença também aparece no comportamento do eleitorado. No segundo turno, quase 3 milhões de pessoas a mais compareceram às urnas, enquanto o número de votos brancos e nulos diminuiu.
| Indicador | 1º turno | 2º turno |
|---|---|---|
| Comparecimento | 125.275.835 | 128.236.074 |
| Votos válidos | 119.300.788 | 124.082.273 |
| Votos brancos | 2.300.798 | 1.430.496 |
| Votos nulos | 3.674.249 | 2.723.305 |
| Abstenções | 33.469.244 | 30.509.005 |
Dados nacionais das eleições presidenciais de 2026. Fontes: TSE e painéis de totalização.
A redução foi expressiva. Os votos em branco caíram 870.302, enquanto os nulos diminuíram 950.944. Juntos, esses dois grupos registraram 1.821.246 votos a menos.
A abstenção passou de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, representando 2.960.239 eleitores a mais participando da votação.
Afinal, de onde vieram os 10,3 milhões de votos adicionais de Lula?
A explicação exige considerar três fatores: a votação dos candidatos eliminados, os eleitores que não haviam comparecido no primeiro turno e aqueles que anteriormente votaram em branco ou anularam o voto.
A conta nacional mostra que os dois finalistas, juntos, ampliaram suas votações em 14.098.232 votos. Esse aumento corresponde exatamente à soma de:
- 9.316.747 votos que haviam sido destinados aos outros dez candidatos no primeiro turno;
- 2.960.239 votos correspondentes ao aumento líquido de comparecimento;
- 1.821.246 votos correspondentes à redução dos brancos e nulos.
Isso explica matematicamente por que Lula e Flávio puderam aumentar suas votações em proporções tão diferentes.
Entretanto, não é possível afirmar que Lula recebeu todos os votos dos candidatos eliminados ou identificar exatamente de onde vieram seus 10,3 milhões de votos adicionais. O voto é secreto, e os resultados agregados não permitem acompanhar a decisão individual de cada eleitor entre os turnos.
É possível que tenha havido transferências de votos entre candidaturas, mudanças de preferência entre os finalistas e participação de pessoas que não haviam registrado voto válido anteriormente. Os números demonstram o resultado dessas mudanças, mas não identificam individualmente seus responsáveis.
De onde vieram os 14,1 milhões de votos a mais no segundo turno?
| Origem dos votos adicionais | Total |
|---|---|
| Candidatos eliminados no 1º turno | 9.316.747 |
| Redução das abstenções | 2.960.239 |
| Redução de brancos e nulos | 1.821.246 |
| Total | 14.098.232 |
Para onde foi o aumento dos votos?
| Candidato | Votos a mais |
|---|---|
| Lula | +10.376.694 |
| Flávio Bolsonaro | +3.721.538 |
| Total | 14.098.232 |
A conta fecha exatamente. O aumento dos votos de Lula e Flávio corresponde à soma dos votos dos candidatos eliminados, da redução das abstenções e da diminuição dos brancos e nulos. Isso não significa, porém, que seja possível identificar como cada eleitor votou no segundo turno.
O que decidiu o resultado?
O fator determinante nos números foi a diferença de crescimento entre os dois candidatos. Lula aumentou sua votação em aproximadamente 10,4 milhões, enquanto Flávio Bolsonaro acrescentou 3,7 milhões.
Com isso, a vantagem inicial de Flávio foi revertida. A redução das abstenções e dos votos brancos e nulos também contribuiu para elevar o total de votos válidos, que passou de 119,3 milhões para 124,1 milhões.
O resultado final, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral, foi de 51,79% dos votos válidos para Lula e 48,21% para Flávio Bolsonaro, encerrando a disputa presidencial de 2026 com diferença de 4,43 milhões de votos.





