Nem mesmo a chuva acompanhada de granizo, que marcou a tarde desta quarta-feira (21) em Toledo, tirou a importância de um momento especial para o turismo rural do município. No Sítio Della Pasqua, na Linha Flórida, distrito de Vila Nova, a programação reuniu a entrega simbólica de placas de identificação destinadas a 12 empreendimentos turísticos e a assinatura simbólica de três leis municipais voltadas ao fortalecimento do setor. As iniciativas representam um passo importante na valorização das propriedades, na divulgação das belezas do interior e na geração de novas oportunidades de renda para as famílias rurais. Afinal, Toledo já é potência na produção de alimentos e agora busca mostrar que o campo também tem muito a oferecer aos visitantes. O tempo fechou, mas novos caminhos se abrem para o turismo rural!
Toledo reconhece a força do turismo rural
A Lei nº 3.182/2026 declarou de utilidade pública municipal a ATTUR – Associação Toledana de Turismo Rural, entidade sem fins lucrativos dedicada ao setor. O reconhecimento institucional coloca em evidência uma atividade que reúne potencial econômico, cultural e gastronômico. Toledo, conhecida pela força do agronegócio, também tem no campo oportunidades para diversificar seus atrativos turísticos. O desafio agora é transformar esse reconhecimento em novas oportunidades para os empreendedores rurais, valorizando as propriedades, os produtos e as tradições do nosso interior.
Bruno Radunz: Turismo rura nasceu da união de esforços

O vereador Bruno Radunz destacou, durante o evento desta quarta-feira (21), o papel decisivo da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da Câmara no fortalecimento do turismo rural de Toledo. Segundo ele, a iniciativa ganhou força a partir das reivindicações de empreendedoras como Rosilene e Sirleia, envolvendo vereadores, Prefeitura, Biopark e instituições parceiras. Radunz ressaltou que, além de gerar renda e evitar o êxodo rural, o turismo valoriza o protagonismo feminino no campo. “Ninguém faz nada sozinho”, enfatizou, comemorando os avanços conquistados após inúmeras reuniões e articulações.
Mário Costenaro: As melhores ideias nascem de quem produz

O prefeito Mario Costenaro aproveitou a entrega das placas do turismo rural para defender um modelo de gestão construído de baixo para cima, valorizando as iniciativas da própria comunidade. Segundo ele, cabe ao poder público ouvir, apoiar e transformar as demandas dos empreendedores em ações concretas. “O que pode parecer uma simples placa é, na verdade, parte de um grande processo”, destacou. Costenaro ressaltou que o turismo rural representa uma nova oportunidade para Toledo ampliar a renda das famílias, fortalecer a permanência no campo e atrair visitantes. Para o prefeito, os verdadeiros protagonistas dessa conquista são os próprios empreendedores.
Amanhã, mais pronunciamentos sobre esse grande paço que Toledo dá ao turismo rural.
Queda de braço: Zanetti questionou, Baierle defendeu, mas a sessão itinerante caiu.

A queda de braço entre os vereadores Marcos Zanetti e Gabriel Baierle, presidente da Câmara Municipal de Toledo, parece ter terminado com uma vitória política de Zanetti.
Depois de questionar publicamente os gastos previstos para a realização da sessão itinerante do programa Câmara Presente, marcada para 27 de outubro, Zanetti ouviu de Baierle uma defesa enfática da iniciativa, sob o argumento de que tudo havia sido aprovado por unanimidade, inclusive os valores.
Pois bem! A unanimidade não segurou a sessão.
Conforme publicação oficial, a Presidência cancelou o evento e revogou a Dispensa de Licitação nº 9/2026, destinada à contratação de estrutura audiovisual, energia de contingência e mobiliário, alegando a perda superveniente da necessidade administrativa. A decisão consta de despacho assinado em 15 de outubro.
A pergunta que fica é inevitável: a cobrança de Zanetti surtiu efeito ou a Presidência simplesmente reconheceu que a despesa já não se justificava? Oficialmente, não há confirmação de que o cancelamento tenha ocorrido em razão dos questionamentos do vereador. Politicamente, porém, o desfecho fortalece seu discurso de fiscalização.
E agora, presidente Baierle? Se estava tudo aprovado, discutido e respaldado pela unanimidade, o que mudou para que a sessão fosse cancelada? Afinal, uma coisa é ter autorização para gastar. Outra, bem diferente, é demonstrar que o gasto é realmente necessário.
Toledo: comprar aqui é fortalecer nossa economia
A Lei nº 3.180/2026 instituiu a Semana Municipal de Valorização do Comércio Local, que será realizada anualmente na semana do dia 16 de julho, Dia do Comerciante. A proposta é incentivar a população a comprar produtos e contratar serviços de empresas estabelecidas em Toledo. Afinal, comprar no comércio local significa movimentar nossa economia, gerar empregos e manter a riqueza circulando dentro do próprio município. Uma iniciativa que merece a participação das entidades empresariais e dos consumidores.
Comércio forte precisa de mais que uma semana
A valorização do comércio de Toledo agora tem uma semana oficial no calendário municipal. A lei permite campanhas educativas, palestras, eventos e parcerias com entidades empresariais. Mas fica uma reflexão: não basta criar uma semana comemorativa. É preciso transformar a iniciativa em ações permanentes de fortalecimento do comércio local. Afinal, nossos empresários geram empregos, pagam impostos e contribuem diariamente para o desenvolvimento da cidade. Valorizar quem empreende deve ser compromisso dos 365 dias do ano.
Toledo fecha espaços públicos para publicidade de bets
A Lei nº 3.181/2026 proibiu a divulgação e a promoção de plataformas de apostas e jogos de azar em bens públicos municipais. A restrição alcança prédios, veículos oficiais, praças, parques, ruas, equipamentos e espaços cedidos a terceiros. Quem descumprir a legislação estará sujeito a multa de 10 Unidades de Referência de Toledo (URTs), dobrada em caso de reincidência. A lei entrará em vigor 30 dias após sua publicação. Campanhas educativas de prevenção à dependência e aos danos das apostas continuam permitidas.
Bets: quem vai fiscalizar?
A Câmara aprovou, e o prefeito Mário Costenaro sancionou, a lei que impede a publicidade de apostas em espaços e equipamentos públicos municipais. A intenção é restringir a promoção dessas plataformas utilizando estruturas ligadas ao poder público. Mas surge uma pergunta: quem fiscalizará o cumprimento da nova legislação? A proibição está no papel, acompanhada de multas. Agora será necessário garantir sua aplicação, inclusive em eventos realizados em espaços públicos. Afinal, aprovar leis é uma coisa; fazê-las cumprir é outra.
OS MÃOS LIMPAS
Um conto sobre as sete bocas, os dezenove votos e a extraordinária capacidade de alguns políticos de lavar as mãos sem molhar a consciência.
Era uma vez, numa cidade chamada Toledo, uma Câmara Municipal onde, aparentemente, os votos tinham voz, as bocas tinham fome e algumas consciências estavam sempre disponíveis para negociação.
Dizem que o tempo é o senhor da razão. Discordo! Em Toledo, o tempo parece ser o melhor detergente político já inventado. Lava biografias, enxágua reputações e, com uma boa dose de conveniência, transforma personagens de episódios constrangedores em exemplos de moralidade pública.
Foi assim que, numa dessas viagens ao passado, reencontrei uma velha história. Uma história que ficou conhecida como “Kit Propina”.
Naquele enredo, que não nasceu da imaginação de um escritor, mas de investigações, gravações e despachos judiciais, surgiu uma expressão digna de entrar para o folclore político toledano:
“Sabe, né? Eu tenho que convencer os sete… as sete bocas…do 10… para completar os 19 votos e aprovar seu projeto.”
Ah, as sete bocas!
Sete bocas que, segundo aquela conversa, precisavam ser convencidas. Não se sabe se com argumentos técnicos, demonstrações de interesse público ou alguma outra modalidade de persuasão que não costuma aparecer nos manuais de ética parlamentar.
Mas que extraordinária coincidência! Enquanto a população acreditava que projetos eram discutidos por seu mérito, aquela gravação sugeria uma matemática bastante peculiar: para alcançar os dezenove votos, primeiro seria necessário resolver o problema das sete bocas.
E pensar que havia quem acreditasse que a política era feita apenas de ideias!
Mas o nosso conto não termina aí.
Porque, entre as personagens dessa história, existe uma figura ainda mais fascinante: o cidadão das mãos limpas.
Ah, esse merece um capítulo especial!
Trata-se daquele personagem que cultiva a imagem de honestidade, retidão e compromisso inabalável com a moralidade. Um verdadeiro monumento ambulante à virtude.
Suas mãos são tão limpas, mas tão limpas, que despertam uma curiosidade inevitável: como alguém consegue atravessar determinadas histórias políticas sem sequer sujar as pontas dos dedos?
Eis o mistério!
Porque, convenhamos, se eu fosse um cidadão que faz questão de ostentar mãos limpas, pensaria mil vezes antes de emprestar meu respeitável nome para testemunhar em defesa de personagens envolvidos em acusações de achaque. Pior, estar ao lado de outras 6 mãos que seguravam as bandeiras dos achacadores.
Não que testemunhar em favor de alguém represente cumplicidade. Evidentemente, não! Afinal, até os personagens mais controversos têm direito à defesa.
Mas existe uma diferença entre exercer um direito e transformar determinadas companhias em motivo de orgulho moral.
E a história fica ainda mais curiosa.
Conta-se que um dos vereadores daquele período, personagem que hoje teria trocado os corredores do Legislativo pela rotina das portas de cadeia, chegou a relacionar nomes de pessoas que supostamente seriam beneficiadas naquele enredo.
E adivinhem?
Segundo o relato, entre os nomes mencionados estaria justamente o do nosso ilustre personagem das mãos limpas!
Que coisa, não?
Naturalmente, ser mencionado numa conversa não prova participação em irregularidade alguma. Mas, para um conto político, a coincidência é irresistível.
Imaginem a cena: de um lado, as sete bocas aguardando convencimento; do outro, os dezenove votos compondo a matemática parlamentar; e, circulando pelo cenário, personagens que, anos depois, parecem ter descoberto o segredo da pureza absoluta.
Talvez a política de Toledo tenha inventado uma nova categoria de higiene: a limpeza retrospectiva.
Funciona assim: o passado incomoda? Lava-se. A memória insiste? Enxágua-se. Alguém recupera uma gravação antiga? Aplica-se uma generosa camada de indignação moral.
E pronto!
Surge um novo cidadão, impecável, perfumado e pronto para ensinar honestidade aos demais.
O problema é que a memória não aceita sabão.
Os áudios continuam sendo áudios. Os documentos continuam sendo documentos. Os depoimentos permanecem registrados. E as perguntas, essas danadas, sobrevivem até às mais eficientes operações de limpeza de imagem.
Por isso, ao terminar esta viagem no tempo, fiquei pensando:
Será que as mãos são realmente limpas ou apenas aprenderam a não deixar impressões digitais na memória política?
Não tenho a resposta.
Mas uma coisa aprendi com esse velho conto de Toledo: existem políticos que fazem questão de mostrar as mãos. Outros preferem esconder o passado.
E existem aqueles que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Moral da história: na política, mãos limpas não se comprovam com discursos, poses ou certificados de boa conduta. Comprovam-se com atitudes, coerência e uma biografia capaz de resistir à luz do dia.
Quanto às sete bocas?
Bem, essas ficaram na história.
E os donos das mãos limpas que expliquem, se quiserem, por que determinados episódios do passado continuam provocando tantas perguntas no presente.
Porque, em Toledo, o tempo pode até passar. Mas há histórias que nem toda a água do Rio Toledo e com toda esses diluvios, consegue lavar.





