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Nelso Bassani revive aventura de 50 anos atrás e representa Toledo em viagem de Fusca à Argentina

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Ivanir Gaffuri, Claudir Klais, Julce Bassani e Nelso Bassani, integrantes da expedição à Argentina, representam o Veteran Car Club de Toledo, ao lado da F-1000 e do Fusca 1970. Foto: arquivo pessoal

Da Redação

A bordo de um Fusca 1970, integrante do Veteran Car Club de Toledo percorreu 3.100 quilômetros, entre ida e volta, para participar da Autoclásica 2026, em Buenos Aires

Quase meio século depois de realizar uma viagem de aproximadamente 2.500 quilômetros a bordo de um Fusca, em 1977, quando se casou, o toledano Nelso Bassani decidiu enfrentar novamente as estradas com um veículo do mesmo modelo. Desta vez, porém, o desafio era ainda maior: percorrer cerca de 3.100 quilômetros, entre ida e volta, em um Fusca fabricado em 1970, com 56 anos de história, até Buenos Aires, na Argentina.

A aventura terminou nessa quinta-feira (15), com o retorno a Toledo após nove dias de viagem, muitas histórias, novas amizades e a participação na Autoclásica 2026, um dos mais importantes encontros de veículos antigos da América Latina.

Integrante do Veteran Car Club de Toledo, Bassani viajou acompanhado da esposa, Julce Bassani, e participou de uma expedição formada por oito veículos antigos e 21 pessoas, provenientes de municípios do Paraná e de Santa Catarina.

A comitiva, denominada “Clássicos Sem Fronteiras”, contou com a participação de um Fusca 1970 e uma Ford F-1000 representando Toledo, levando à Argentina o nome do município e a divulgação dos eventos promovidos pelo Veteran Car Club.

Uma viagem que começou há quase 50 anos

Para Nelso Bassani, a experiência de viajar com um Fusca por milhares de quilômetros não era exatamente uma novidade. Em 1977, quando se casou, ele já havia realizado uma viagem de aproximadamente 2.500 quilômetros com um veículo do mesmo modelo.

A diferença é que, naquela época, o Fusca era praticamente novo, as rodovias tinham outras características e o movimento de veículos era muito menor.

“De Fusca, eu havia feito uma viagem de aproximadamente 2.500 quilômetros quando me casei, há quase 50 anos. Era uma situação diferente, porque eu tinha um Fusca novo e as condições de trânsito e das estradas eram muito diferentes das de hoje”, recordou.

Agora, quase cinco décadas depois, o desafio ganhou outros ingredientes: um automóvel com 56 anos de fabricação, rodovias movimentadas, longas distâncias e a responsabilidade de manter o veículo em perfeitas condições durante toda a viagem.

“Percorrer 3.100 quilômetros com um Fusca de 56 anos, no movimento que temos hoje nas estradas, exige bastante coragem, determinação e, principalmente, um carro em dia”, destacou Bassani.

O entusiasmo pelo antigomobilismo e a vontade de viver novas experiências falaram mais alto.

Fotos: arquivo pessoal

O convite dos amigos e os preparativos

A ideia da viagem surgiu a partir do convite de integrantes de um grupo de amigos apaixonados por veículos antigos, que já haviam realizado expedições por diferentes regiões do Brasil e por outros países da América do Sul.

Bassani recebeu o convite por intermédio de amigos de Toledo e decidiu participar da aventura ao lado da esposa.

“Esse grupo já existe há bastante tempo. Eles já fizeram viagens para Buenos Aires, para diversos lugares do Brasil e também para o Chile. Fomos convidados e decidimos fazer essa viagem juntamente com esses amigos”, contou.

A preparação começou vários meses antes da partida. O Fusca passou por revisões e manutenções preventivas para enfrentar os cerca de 1.550 quilômetros que separavam Toledo da capital argentina.

“A viagem foi programada há vários meses. Nesse período, fomos fazendo as manutenções e revisando o que era necessário no Fusca”, explicou.

A preocupação era evitar contratempos que pudessem comprometer o deslocamento do grupo.

Oito carros antigos, 21 pessoas e milhares de quilômetros pela frente

A viagem começou com um trecho de aproximadamente 250 quilômetros, até o ponto de encontro com os demais participantes.

No segundo dia, a expedição enfrentou uma das etapas mais longas: cerca de 800 quilômetros de estrada.

O grupo saiu às 6h da manhã e chegou ao local de pernoite por volta das 19h. Durante o percurso, enfrentou aproximadamente duas horas de chuva e um pneu furado, sem maiores complicações.

No terceiro dia, foram mais de 500 quilômetros até Buenos Aires. As condições das rodovias eram boas, mas o trânsito ficou intenso na aproximação da capital argentina, especialmente por ser véspera de feriado.

Mesmo assim, os oito veículos conseguiram chegar juntos ao hotel.

“Apesar do grande movimento, foi tudo muito tranquilo. Conseguimos chegar ao hotel em Buenos Aires com os oito carros antigos juntos, sem nenhum problema”, relatou.

Para Bassani, um dos aspectos mais importantes foi a convivência durante o percurso.

As paradas para abastecimento, os lanches rápidos e os jantares se transformaram em oportunidades para fortalecer amizades entre participantes de diferentes cidades.

“Entre uma parada para abastecer, um lanche rápido e o jantar, a gente foi conhecendo os amigos, eles foram conhecendo a gente e o nosso entrosamento melhorando. A viagem se tornava cada vez melhor”, lembrou.

Integrantes do Veteran Car Club de Toledo representam o município na Autoclásica 2026, em Buenos Aires, Argentina, levando a bandeira do clube e divulgando o antigomobilismo toledano. Foto: arquivo pessoal

De Toledo para um dos maiores encontros de carros antigos da América Latina

O destino principal da expedição era a Autoclásica 2026, realizada em Buenos Aires, evento que reúne colecionadores, restauradores e apaixonados pela história do automobilismo.

A participação representou também uma oportunidade de divulgar o município de Toledo no cenário internacional do antigomobilismo.

“Fomos em um grupo de oito veículos e 21 pessoas de diversas cidades do Paraná e de Santa Catarina. Cada cidade estava representada, cada grupo de carros antigos também. Nós, de Toledo, fomos representar o Veteran Car Club e aproveitamos para divulgar o município, o Paraná e o Brasil”, afirmou Bassani.

Os participantes utilizaram camisetas personalizadas com a identificação “Clássicos Sem Fronteiras”, nome escolhido para representar o espírito da expedição.

Além da bandeira do clube, os representantes de Toledo levaram banners e materiais de divulgação do 6º Encontro Internacional de Veículos Antigos de Toledo, previsto para os dias 17 e 18 de abril, no Lago Municipal Diva Paim Barth.

O objetivo foi apresentar o evento toledano a outros colecionadores e incentivar a participação de antigomobilistas de diferentes regiões.

A primeira visita de Nelso e Julce a Buenos Aires

Além da paixão pelos veículos antigos, a viagem também proporcionou a Nelso e à esposa Júlia a oportunidade de conhecer Buenos Aires pela primeira vez.

Após a participação na Autoclásica, o casal aproveitou dois dias para visitar pontos turísticos e conhecer um pouco da capital argentina.

“Foi nossa primeira viagem a Buenos Aires, minha e da esposa Julce. Aproveitamos muito bem, tanto a participação no encontro quanto os dois dias em que permanecemos na cidade para conhecer um pouquinho da capital argentina”, relatou.

Bassani também destacou a importância dos amigos que fizeram o convite e proporcionaram a integração do casal à expedição.

Para ele, o maior patrimônio da viagem não foi apenas a participação no encontro internacional, mas o relacionamento construído com pessoas que compartilham a mesma paixão pelos veículos históricos.

Quando o policial não queria documentos, mas uma fotografia do Fusca

Entre os episódios mais curiosos da viagem, um chamou especialmente a atenção de Bassani: a reação de motoristas e até de policiais argentinos diante dos veículos antigos.

Ele conta que, por diversas vezes, automóveis se aproximavam do Fusca, permaneciam ao lado por algum tempo e demoravam a ultrapassar.

Inicialmente, a situação causava estranheza. Depois, os participantes perceberam que os ocupantes estavam fotografando e filmando os veículos.

“Vinha um carro nos acompanhando, ficava do lado e não ultrapassava. Quando percebemos, era alguém filmando o nosso Fusquinha. Isso aconteceu várias vezes”, contou.

Mas a surpresa maior aconteceu durante uma abordagem policial.

Bassani seguia com o grupo quando um policial solicitou que parasse o Fusca.

Acostumado aos procedimentos de fiscalização, imediatamente pensou em apresentar a documentação do veículo.

A reação do policial, entretanto, foi completamente diferente do que esperava.

“Minha primeira reação foi pegar os documentos. Mas o guarda falou: ‘Não precisa de documento. Eu só quero permissão para tirar uma foto do Fusca’”, relatou.

O episódio se transformou em uma das lembranças mais divertidas da expedição.

Para Bassani, situações como essa demonstram que os veículos antigos despertam admiração e aproximam pessoas, independentemente da nacionalidade.

Fotos: arquivo pessoal

A volta para Toledo e a preocupação com as chuvas

Depois de três dias em Buenos Aires, chegou o momento de retornar ao Brasil.

O grupo acompanhava as informações sobre as fortes chuvas que atingiam a região Oeste do Paraná, mas as previsões indicavam condições mais favoráveis ao longo do trajeto de retorno.

No primeiro dia, percorreram aproximadamente 500 quilômetros e pernoitaram no mesmo local utilizado durante a ida.

No segundo, foram mais 800 quilômetros. Próximo à fronteira brasileira, os participantes enfrentaram apenas chuva leve, sem dificuldades para prosseguir.

No terceiro dia, os integrantes se despediram e seguiram para suas respectivas cidades.

Bassani e os representantes de Toledo concluíram a viagem nesta quinta-feira (15), após nove dias de estrada e aproximadamente 3.100 quilômetros percorridos.

“Voltamos com muito orgulho e muita gratidão”

Ao recordar a experiência, Nelso Bassani demonstra satisfação por ter concluído a viagem com segurança, representado o Veteran Car Club de Toledo e compartilhado momentos especiais com a esposa e os amigos.

“Voltamos para Toledo com muito orgulho e muita gratidão. Eu costumo dizer que a gratidão é a São Cristóvão, protetor dos motoristas”, afirmou.

A experiência também renovou a vontade de participar de outras expedições.

“Já ficamos pensando que um dia vamos estar na estrada novamente, com esse grupo ou com outro. Temos que aproveitar esses momentos que surgem”, destacou.

Para quem, em 1977, percorreu 2.500 quilômetros em um Fusca praticamente novo, a viagem de 2026 teve um significado especial.

Quase 50 anos depois, Bassani voltou a enfrentar uma longa jornada a bordo de um Fusca, desta vez com mais de meio século de fabricação, ao lado da esposa e de novos amigos.

O Fusca 1970 venceu os 3.100 quilômetros de estrada. Nelso Bassani voltou com novas histórias para contar e com a certeza de que a paixão pelos carros antigos continua levando o nome de Toledo para além das fronteiras brasileiras.

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