Da Redação
Boletim divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Deral aponta redução no ritmo dos trabalhos agrícolas, piora na qualidade do trigo e avanço das exportações de carnes de frango e suína
As chuvas intensas registradas nos últimos dias em Toledo e em diversas regiões do Paraná estão dificultando os trabalhos no campo. Segundo o Boletim Conjuntural da 42ª semana de 2026, divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o excesso de umidade reduziu o ritmo do plantio da soja e do milho, além de prejudicar a qualidade das lavouras de trigo.
Em Toledo, município que tem na produção de grãos e proteínas animais uma das principais bases da economia, o cenário exige atenção, especialmente diante dos elevados volumes de chuva registrados neste mês de outubro.
Soja chega a 39% e milho alcança 90% da área plantada
De acordo com o Deral, o plantio da safra de soja 2026/2027 alcançou 39% da área prevista no Paraná, estimada em pouco mais de 5,7 milhões de hectares.
Apesar da redução no ritmo dos trabalhos nesta semana, o percentual permanece igual ao registrado no mesmo período da safra anterior. O excesso de chuvas, entretanto, dificulta a entrada de máquinas nas propriedades rurais e pode comprometer o calendário agrícola caso as precipitações persistam.
No milho, a semeadura chegou a 90% da área estimada em 371 mil hectares no estado. A continuidade das operações também depende de condições mais favoráveis de tempo.
Trigo perde qualidade e preocupa agricultores
A situação é mais delicada para os produtores de trigo. Segundo o levantamento, dos 182 mil hectares ainda pendentes de colheita no Paraná, 46% apresentam boas condições, 42% estão em situação média e 12% são considerados ruins.
As chuvas frequentes vêm comprometendo a qualidade dos grãos, inclusive em lavouras que apresentavam bom potencial produtivo.
Diante desse cenário, o Deral aponta possibilidade de nova redução nas estimativas da safra de inverno. Uma atualização da produção estadual está prevista para 29 de outubro.
Paraná amplia exportações de carnes de frango e suína
Enquanto as chuvas dificultam as atividades agrícolas, o setor de proteínas animais apresenta resultados positivos no comércio exterior.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Paraná exportou 1,605 milhão de toneladas de carne de frango, crescimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O faturamento atingiu US$ 3,017 bilhões, aumento de 23,5%.
Na suinocultura, o estado também apresentou crescimento. Foram exportadas 163,7 mil toneladas de carne suína, alta de 10,8%, com receita acumulada de aproximadamente US$ 372,8 milhões.
Os números demonstram a importância das cadeias produtivas de aves e suínos para a economia paranaense, atividades que também têm forte presença no município de Toledo.
Preocupação com a continuidade das chuvas
O boletim do Deral aponta que a influência do fenômeno El Niño e a previsão de novas precipitações exigem cautela dos produtores rurais.
A persistência das chuvas pode reduzir as oportunidades de plantio, dificultar a colheita e afetar a qualidade dos produtos agrícolas.
Os percentuais divulgados pelo Deral representam o conjunto do Paraná e não constituem um levantamento específico das lavouras de Toledo. Mesmo assim, o cenário estadual serve de alerta para os produtores da região, que dependem de condições adequadas de tempo para manter o calendário da safra 2026/2027.
Fonte: Seab – Departamento de Economia Rural (Deral)





