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Morre aos 79 anos Pitágoras da Silva Barros, jornalista, escritor e guardião da memória de Toledo

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A imprensa, a literatura e a história de Toledo amanheceram de luto nesta segunda-feira, 28 de setembro. Morreu, aos 79 anos, o professor, jornalista, escritor e ex-vereador Pitágoras da Silva Barros, personagem de uma geração que ajudou a registrar, preservar e contar a construção do município e da região Oeste do Paraná.

Pitágoras enfrentava sérios problemas de saúde havia algum tempo e morreu vítima de insuficiência respiratória.

Para a Gazeta de Toledo, a despedida tem um significado ainda mais particular. Além do profissional respeitado, do intelectual e do homem público, parte um grande amigo e colaborador da imprensa, daqueles que carregavam na memória histórias, personagens e acontecimentos que ajudaram a formar Toledo.

Natural de Maceió (AL), Pitágoras era filho do escritor Oscar Silva e de Gildanira Bezerra Barros. Foi o segundo filho de Oscar Silva, nome profundamente ligado aos primeiros passos da imprensa, da literatura, da política e da vida cultural de Toledo.

Assim, falar de Pitágoras é também falar de continuidade.

Ele recebeu do pai não apenas a convivência com os livros e com a escrita, mas a inquietação de observar a sociedade, registrar fatos e preservar a memória das pessoas que ajudaram a construir uma cidade ainda jovem. Se Oscar Silva esteve entre os desbravadores da cultura e da imprensa toledana, Pitágoras assumiu parte dessa missão e a levou adiante por décadas.

Uma vida em muitas frentes

A trajetória profissional de Pitágoras da Silva Barros não ficou restrita às redações. Jornalista reconhecido no Oeste paranaense, trabalhou em jornais e órgãos públicos de Toledo e Cascavel.

Foi também professor, bancário, escritor e vereador, reunindo experiências que lhe permitiram acompanhar Toledo por diferentes perspectivas: a educação, a política, a administração pública, a imprensa e, sobretudo, a vida cotidiana de sua população.

Na literatura, encontrou uma das formas mais duradouras de preservar aquilo que conheceu.

Em “Toledo Uma Grande Família”, Pitágoras reuniu crônicas e personagens ligados à história do município. A própria escolha do antigo Clube do Comércio para o lançamento da obra carregava simbolismo. Para ele, aquele espaço representava parte importante da construção política, social e cultural de Toledo.

Na ocasião, Pitágoras explicou o espírito que conduzia seu trabalho: “Resgato nas crônicas a história de Toledo e queremos resgatar o que de melhor temos no lançamento do livro, realizando o evento no antigo Clube do Comércio. Um local representativo para Toledo, política, social e culturalmente, unindo o que fez parte da construção deste município”.

Seu trabalho de preservação da memória não havia terminado.

Mesmo enfrentando problemas de saúde, Pitágoras estava empenhado na segunda edição do livro “As Famílias de Toledo”, mais um trabalho dedicado a registrar pessoas e famílias que participaram da formação e do desenvolvimento do município.

Academia de Letras e o legado do pai

Pitágoras também integrou a Academia de Letras de Toledo, ocupando a cadeira nº 3.

Há uma particularidade carregada de significado nessa história: o patrono da cadeira é justamente seu pai, Oscar Silva.

Pai e filho ficaram, assim, ligados também institucionalmente pela literatura e pela preservação da memória cultural de Toledo.

A presença de Pitágoras entre os escritores locais ajudou a fortalecer uma característica nem sempre conhecida por quem observa Toledo apenas por seus indicadores econômicos e agroindustriais. O município construiu também uma expressiva produção literária, com centenas de obras publicadas por autores locais.

Pitágoras pertenceu a essa história.

Mais que números, cargos ou funções, porém, deixa a marca de quem compreendeu que uma cidade também é construída pelas histórias que consegue preservar.

O homem por trás do jornalista

Pitágoras era pai de seis filhos: Rogério, Luciano, Jeanine, Namir, Jussara e Vitor.

A eles, aos demais familiares, amigos, colegas de profissão, antigos alunos e leitores permanece agora uma memória que vai muito além das páginas de seus livros.

Para quem conviveu com Pitágoras nas redações e nos ambientes culturais e políticos de Toledo, ficam as conversas, as histórias, o conhecimento acumulado e aquela capacidade peculiar de buscar no passado os elementos necessários para compreender o presente.

A morte de Pitágoras da Silva Barros representa, portanto, mais do que a despedida de um jornalista.

Toledo perde um de seus memorialistas.

A imprensa perde um companheiro.

A literatura perde um escritor.

A cultura perde um de seus defensores.

E muitos de nós perdemos um grande amigo.

Mas homens que dedicam parte da vida a registrar a história conquistam uma condição especial: partem, mas deixam sua voz guardada nas páginas que escreveram.

Pitágoras passou boa parte da vida contando Toledo.

Agora, é Toledo que passa a contar a história de Pitágoras da Silva Barros.

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