Da Redação
Durante o Setembro Verde, Estado celebra avanço na doação de órgãos, com crescimento superior a 300% no número de doações efetivas e redução da recusa familiar
O Paraná alcançou a marca histórica de mais de 10 mil transplantes de órgãos e tecidos realizados desde a criação do Sistema Estadual de Transplantes (SET), em 2011. O resultado ganha destaque durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos, e representa novas oportunidades de vida para milhares de pacientes.
Os números demonstram a evolução do sistema estadual. Entre janeiro e agosto de 2011, o Paraná registrou 70 doações efetivas, quando os órgãos são retirados e encaminhados para transplante. No mesmo período de 2026, foram contabilizadas 293 doações, um crescimento superior a 300%.
Considerando os dados anuais, o número de doações passou de 111, em 2011, para 462, em 2025. Já entre janeiro e setembro de 2026, o Estado contabilizou 1.386 transplantes de órgãos e tecidos.
Os resultados refletem o trabalho integrado de profissionais da saúde, hospitais e equipes especializadas, responsáveis por identificar potenciais doadores, acolher familiares e coordenar os procedimentos necessários para que os órgãos cheguem aos pacientes que aguardam na fila de transplantes.
Organização e atendimento 24 horas
Um dos principais componentes dessa estrutura é a Organização de Procura de Órgãos (OPO), responsável por acompanhar os processos de doação nos hospitais, prestar suporte às equipes médicas e garantir o acolhimento humanizado das famílias.
O Sistema Estadual de Transplantes funciona de forma ininterrupta, com monitoramento das demandas e da disponibilidade de órgãos durante 24 horas por dia.
O Paraná conta com quatro OPOs, distribuídas estrategicamente em Curitiba, Cascavel, Maringá e Londrina. Juntas, as unidades possuem 26 profissionais que coordenam as diferentes etapas do processo de doação e transplante.
A regionalização permite que as equipes acompanhem de perto a realidade dos hospitais de cada região, garantindo maior agilidade na identificação de possíveis doadores e na realização dos procedimentos.
O processo começa quando uma unidade hospitalar identifica um paciente com quadro neurológico grave e possível evolução para morte encefálica. A OPO, em conjunto com as Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes (e-DOTs), acompanha os protocolos de diagnóstico, os cuidados clínicos e a preparação para a entrevista familiar.
Paraná registra índice de recusa familiar inferior à média nacional
Um dos indicadores que se destacam no Estado é o índice de recusa familiar à doação de órgãos. Enquanto a média nacional é de 45%, o Paraná registra 33%, uma das menores taxas do Brasil.
O resultado está associado ao trabalho de capacitação e preparação das equipes que atuam diretamente com as famílias durante os momentos de luto.
Médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais recebem treinamento para oferecer suporte emocional, esclarecer dúvidas e transmitir informações sobre o diagnóstico de morte encefálica e os procedimentos relacionados à doação.
O acolhimento humanizado é considerado fundamental para que os familiares possam compreender o processo e tomar uma decisão consciente sobre a possibilidade de autorizar a doação.
Após a autorização, as equipes iniciam a organização logística, que envolve a mobilização dos profissionais responsáveis pela captação, a disponibilidade de centros cirúrgicos, a identificação de amostras biológicas e, quando necessário, a articulação com o Instituto Médico-Legal (IML).
Todo esse trabalho exige rapidez e integração entre os hospitais, uma vez que a viabilidade dos órgãos depende de condições clínicas e de transporte adequadas.
Cascavel coordena doações no Oeste e Sudoeste do Paraná
A Organização de Procura de Órgãos de Cascavel, responsável pelo atendimento às regiões Oeste e Sudoeste do Estado, também apresenta resultados expressivos.
Entre janeiro e setembro de 2026, a unidade viabilizou 80 doações efetivas, que resultaram em mais de 256 transplantes.
Além do acompanhamento hospitalar, a OPO de Cascavel desenvolve ações educativas para ampliar o conhecimento da população sobre a importância da doação.
Entre as iniciativas está o projeto “Bloco Doação de Órgãos, Fale sobre isso”, que utiliza momentos de mobilização e descontração para incentivar o diálogo sobre o tema.
As atividades buscam esclarecer dúvidas, combater informações equivocadas e estimular as pessoas a conversarem com seus familiares sobre o desejo de serem doadoras.
Conscientização pode transformar vidas
O Setembro Verde reforça que a doação de órgãos começa muito antes de um procedimento cirúrgico. A informação, o diálogo familiar e a preparação dos profissionais de saúde são fundamentais para que mais pessoas tenham a oportunidade de receber um transplante.
A legislação brasileira estabelece que a autorização para a doação de órgãos após a morte deve ser concedida pela família. Por isso, manifestar previamente o desejo de ser doador é uma atitude importante para orientar os familiares no momento da decisão.
Com mais de 10 mil transplantes realizados desde 2011, o Paraná evidencia a importância da integração entre os serviços de saúde, da estrutura logística e da conscientização da sociedade para ampliar as oportunidades de vida dos pacientes que aguardam por um órgão.





