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Unioeste de Toledo é espaço de inclusão e suporte pedagógico para estudantes PcD

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Foto: Luciano E. Piltz Palagano

No Dia Nacional de Luta da PcD, universidade reforça ações para ingresso e permanência dos acadêmicos no ensino superior.

A universidade pública é espaço de acolhimento para todas as pessoas e, neste dia 21 de setembro, marcado pelo Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, reforça a importância da inclusão. Além de garantir o acesso ao Ensino Superior, a instituição se preocupa com a permanência das pessoas com deficiência (PcDs), para que consigam concluir o processo formativo da graduação e pós-graduação.

Além da reserva de 5% das vagas ofertadas no Vestibular e demais processos seletivos da graduação, a Universidade oferece apoio acadêmico aos estudantes PcDs por meio do Programa de Educação Especial (PEE), serviço prestado há 21 anos no campus de Toledo e há quase 30 anos pela Unioeste de Cascavel.

Atualmente, o PEE atende 49 acadêmicos em Toledo, sendo 25 atendidos diretamente com apoio em classe e apoio extraclasse, e os demais com orientações e atividades pontuais. A procura precisa partir dos estudantes, que apresentam laudo comprobatório. Atualmente, a equipe é composta por três professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE), um intérprete de Libras, um estagiário e um bolsista.

Segundo a coordenadora do PEE no campus de Toledo, Denise Dumke, não há fila de espera, com atendimento a todos os 49 alunos. “O PEE incentiva a autonomia para que o estudante aprenda aqui dentro e consiga replicar lá fora”, afirma.

TRAJETÓRIA ACADÊMICA – Maurício Rangel de Oliveira Couto é um dos acadêmicos atendidos pelo PEE. Diagnosticado com paralisia cerebral do tipo tetraparesia espástica, uma limitação motora nos quatro membros, marcada por fraqueza e rigidez nos músculos, especialmente no lado direito, ele utiliza cadeira de rodas motorizada para locomoção.

Estudante do terceiro ano de Psicologia, Maurício integra a primeira turma do curso no campus, iniciada em 2024. A escolha pelo curso veio desde cedo, quando ouvia e aconselhava os amigos. Chegou a ingressar numa faculdade privada em 2018, mas não conseguiu seguir com os estudos. Quando soube da abertura do curso na Unioeste, agarrou a vaga “como última oportunidade”.

“Estou satisfeito com o curso. Tem muitos desafios de socialização, conteúdos densos, leituras complexas, aulas que trazem conteúdo para refletir. Sinto que estou desmontando o Maurício do senso comum e me reconstruindo por inteiro”, relata.

DESAFIOS – No período de estágio, Maurício aponta a logística com um dos maiores desafios, pelo deslocamento por transporte público até o Centro da Juventude, no Jardim Europa. A questão se complica, por ele morar no Cesar Parque, enquanto o campus da Unioeste fica no Jardim La Salle.

Maurício reconhece: “O apoio do PEE é fundamental”. Ele conta com o acompanhamento dos professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE), Maria Lourdes de Moura (Malu), Isabel Cristina Theiss e Everton Gazola, com apoio em classe e apoio extraclasse. Nas aulas, eles digitam o conteúdo e auxiliam no uso de tecnologia assistiva, como computador, gravador e microfone. No contraturno, auxiliam na leitura de textos, na discussão de estudos de casos, além de digitar as respostas formuladas por ele para a entrega das atividades.

“O professor do PEE é uma ferramenta de auxílio, porém, não faz a parte do aluno O protagonismo do acadêmico precisa estar presente”, frisa Malu, reconhecendo o incentivo à autonomia dos estudantes. Ela exemplifica com conquistas cotidianas, como incentivar Maurício a utilizar o elevador sozinho, organizar o material pedagógico e realizar de forma independente tarefas que gradualmente se integram à sua rotina.

Devido às exigências de sigilo ético da Psicologia, o atendimento presencial do PEE não ocorre no estágio curricular. Com isso, o estudante já vivencia a independência e a experiência prática do mercado de trabalho.

Consciente do seu trajeto, Maurício incentiva mais pessoas. “Uma das principais ideias quando cheguei aqui era ser espelho para as pessoas, ser inspiração. É possível. Tem seus desafios. Independente da dificuldade que tenho, é possível. Me motiva a vencer minhas dificuldades”, conta.

Nesses anos de atividade, o PEE também acompanhou a trajetória acadêmica de Júlio Marcos Souza, primeira pessoa surda a concluir uma graduação no campus de Toledo, no curso de Filosofia, além do acadêmico Lucildo Teodoro, do curso de Educação Especial Inclusiva, que possui deficiência visual, já graduado em Ciências Sociais pela Unioeste.

DEMANDA – Desde a implantação das vagas reservadas, a procura é constante por estudantes PcDs, refletida no histórico das inscrições homologadas do Vestibular da Unioeste.

No processo seletivo anterior foram registradas 190 inscrições deferidas, enquanto a edição 2025 atingiu o recorde de 255 candidatos homologados. Nos vestibulares anteriores, os números foram de 167 inscritos (2024), 133 (2023) e 123 (2022).

A reserva de 5% das vagas PcD é voltada a candidatos que cursaram e concluíram todo o Ensino Médio em escola pública e que não possuam diploma de graduação anterior. A validação exige o envio de laudo médico comprobatório durante a inscrição.

VESTIBULAR – A oportunidade para que todas as pessoas iniciem os estudos no Ensino Superior está aberta. As inscrições para o Vestibular 2027 da Unioeste podem ser feitas até dia 8 de outubro pelo site www.unioeste.br/vestibular. A prova será realizada no dia 29 de novembro.

Fonte: Unioeste

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