Da Redação
Mapa da Logística da Loggi aponta alta de 17% nas remessas paranaenses no primeiro semestre de 2026; Estado movimenta bilhões no comércio eletrônico e pequenas e médias empresas ampliam participação nas vendas pela internet
O avanço do comércio eletrônico brasileiro ganhou força fora dos grandes centros e coloca o Paraná entre os principais protagonistas desse movimento. Dados da quinta edição do Mapa da Logística, elaborado pela Loggi, mostram que o Estado registrou crescimento de 17% no volume de envios no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado coloca o Paraná na terceira posição entre os estados que apresentaram os maiores crescimentos de remessas no levantamento, atrás apenas de Santa Catarina, com alta de 24%, e Rio Grande do Sul, com 23%. Na sequência aparecem Distrito Federal, com 10%, e Ceará, com 4%.
O estudo analisou operações de cerca de 22 mil empresas, de diferentes portes e segmentos, com entregas realizadas em mais de 5 mil municípios brasileiros durante os seis primeiros meses deste ano.
Paraná ganha força entre pequenos negócios
Um dos destaques é o peso das pequenas e médias empresas paranaenses. Cerca de 9% dos pacotes enviados por PMEs brasileiras têm origem no Paraná. Entre as grandes marcas, a participação do Estado é de aproximadamente 5%.
Santa Catarina responde por 15% dos envios das PMEs, enquanto Paraná e Minas Gerais aparecem com 9% cada. O resultado mostra uma desconcentração do comércio eletrônico e uma participação crescente de empresas instaladas fora de São Paulo.
Outro sinal da transformação está na forma como os pedidos são despachados. Os pontos de recebimento e postagem, conhecidos como PUDOs, já representam 39% dos envios realizados pelas PMEs e tiveram crescimento de 53% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Paraná vende R$ 14 bilhões e compra R$ 17,5 bilhões pela internet
O tamanho financeiro do mercado paranaense aparece em outro levantamento, a Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026, elaborada pela FecomercioSP com informações próprias e dados do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Em 2025, empresas instaladas no Paraná realizaram aproximadamente R$ 14,075 bilhões em vendas pela internet. Com esse resultado, o Estado ocupou a quinta posição nacional entre as unidades da Federação que mais venderam online, respondendo por 4,8% do faturamento brasileiro.
O ranking de vendas foi liderado por São Paulo, com R$ 165 bilhões, seguido de Minas Gerais, com R$ 37,998 bilhões; Santa Catarina, R$ 18,4 bilhões; Espírito Santo, R$ 15,755 bilhões; e Paraná, com R$ 14,075 bilhões.
Na outra ponta, os consumidores paranaenses compraram ainda mais. As compras online destinadas ao Paraná movimentaram R$ 17,586 bilhões em 2025, colocando o Estado na quarta posição nacional entre os maiores mercados consumidores do e-commerce, com 5,9% das compras brasileiras.
A diferença entre o que consumidores paranaenses compraram e o que empresas localizadas no Estado venderam ficou em aproximadamente R$ 3,5 bilhões. Isso caracteriza o Paraná, nesse levantamento, como um mercado consumidor de comércio eletrônico maior do que sua oferta local.
Toledo
No caso específico de Toledo, a quinta edição do Mapa da Logística da Loggi não apresenta, em sua divulgação pública, uma classificação individual dos municípios paranaenses nem informa o número de pacotes ou o valor financeiro movimentado pelo e-commerce em cada cidade.
Como indicador complementar da presença digital das empresas locais, a plataforma privada Econodata identifica 225 empresas ativas relacionadas ao universo de e-commerce em Toledo em levantamento realizado em 2026. A própria plataforma ressalta, porém, que não existe um CNAE específico para “e-commerce” e que sua classificação considera empresas relacionadas ao termo, razão pela qual esse número não representa exclusivamente lojas virtuais.
Os dados estaduais, entretanto, mostram um cenário favorável para cidades economicamente fortes do interior, como Toledo. O crescimento de 17% nos envios paranaenses e a maior participação das pequenas e médias empresas indicam que a expansão das vendas digitais está deixando de se concentrar apenas nas capitais e grandes centros.
O movimento também cria oportunidades para empresas locais ampliarem mercados. Uma loja instalada em Toledo já não depende apenas do consumidor do município ou da região Oeste: marketplaces, plataformas próprias, meios digitais de pagamento e uma rede logística cada vez mais descentralizada permitem que pequenos e médios negócios alcancem consumidores em diferentes regiões do País.
Com o Paraná entre os três estados de maior crescimento nos envios e entre os cinco maiores mercados nacionais tanto em vendas quanto em consumo online, o comércio eletrônico passa a ocupar espaço cada vez mais importante na estratégia de crescimento do varejo paranaense — e também das empresas de Toledo.
Brasil chega a R$ 295,6 bilhões
No Brasil, o comércio eletrônico atingiu faturamento recorde de R$ 295,6 bilhões em 2025, crescimento de 20% em relação a 2024. Em valores absolutos, foram aproximadamente R$ 48 bilhões adicionais em vendas.
O e-commerce passou a representar 6,5% de todo o faturamento do varejo nacional, contra 5,4% em 2024 e 5,1% em 2023. Em dez anos, as vendas online cresceram 429%, passando de R$ 55,9 bilhões em 2016 para R$ 295,6 bilhões em 2025.
Outra pesquisa aponta mercado paranaense de R$ 23 bilhões
Um levantamento da Confi em parceria com o E-Commerce Brasil, utilizando metodologia própria, estimou que o comércio eletrônico paranaense movimentou cerca de R$ 23 bilhões em 2025, envolvendo mais de 72,5 milhões de pedidos.
Segundo essa pesquisa, o faturamento cresceu 21,7%, enquanto o número de pedidos avançou 26,5%. O ticket médio ficou em R$ 317,10, acima da média brasileira de R$ 302,60.
Já nos dois primeiros meses de 2026, a mesma base estimou movimentação próxima de R$ 3,5 bilhões no Paraná. O número de pedidos cresceu 14,4% e o ticket médio ficou em R$ 301,80. Como este levantamento utiliza metodologia diferente da Radiografia da FecomercioSP, os valores não devem ser comparados diretamente.





