Há um velho ditado que diz que quem perdeu aceita o resultado e segue a vida. Mas há quem prefira inaugurar uma nova escola jurídica: a do recurso permanente.
Depois da cassação, os protagonistas do chamado “kit propina” parece ter adotado o jus sperneandi — expressão latina inexistente nos manuais, mas perfeita para definir quem transforma qualquer derrota em uma cruzada infinita contra a realidade.
Vale tudo. Recurso, petição, manifestação, pedido de habilitação, despacho, nova manifestação, mais um documento, mais uma tese e, se preciso for, uma oração para São Expedito, uma consulta ao pai de santo e um despacho até para Mercúrio retrógrado.
Enquanto isso, o fato concreto continua exatamente o mesmo: os mandatos foram perdidos. O resto segue transitando em papel.
Há quem diga que recorrer é um direito. E é mesmo.
Transformar o processo em modo de vida já é outra discussão.
Papagaio de prerrogativas
O advogado dos cassados continua falando pelos cotovelos. Aliás, talvez pelos quatro cotovelos que a criatividade jurídica consegue produzir.
Agora, o palco mudou. Depois da Câmara, a discussão migrou para outras instâncias, sempre acompanhada de discursos sobre prerrogativas profissionais.
O curioso é que até a própria manifestação da OAB/PR deixa claro que sua atuação não tem por objetivo discutir o mérito da cassação, mas apenas a proteção das prerrogativas da advocacia.
Ou seja: uma coisa é defender o advogado. Outra, bem diferente, é desfazer a cassação.
A peregrinação continua

Os recursos seguem sendo alimentados com novos documentos, pareceres e manifestações.
A estratégia é conhecida: tentar convencer o Tribunal de que houve nulidades processuais relacionadas às intimações da defesa técnica. Essa é justamente a tese sustentada pelos apelantes.
Se convencerá ou não o Judiciário? Ainda não se sabe.
Por enquanto, nada mudou
O despacho mais recente do Tribunal não anulou cassação, não reformou decisão e não devolveu mandato.
O relator apenas determinou que os apelados sejam intimados para se manifestar sobre os documentos apresentados e, depois disso, o processo volte para nova manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça.
Traduzindo do juridiquês: O jogo continua. Sem gol.
O peso da realidade
Enquanto o processo caminha em ritmo de tartaruga olímpica, existe uma verdade difícil de contornar:
Os vereadores continuam cassados.
E, como costuma acontecer na política, a realidade costuma ser bem menos generosa do que as teses jurídicas.
SRT nas mãos de quem?

A cada manifestação do atual presidente da Sociedade Rural de Toledo, fica mais evidente que a entidade precisa voltar às mãos de pessoas que compreendam gestão, transparência e respeito às instituições. Atacar a imprensa não paga contas, não recupera patrimônio e muito menos explica o estado em que a SRT chegou.
O mensageiro incomoda
Depois das denúncias publicadas nesta coluna, o presidente Daniel passou a disparar críticas em grupos de WhatsApp. Nenhuma resposta sobre as dívidas, nenhuma explicação convincente sobre a deterioração do Centro de Eventos. Preferiu atacar quem mostrou os fatos.
A lógica invertida
Entre as justificativas apresentadas, uma chama atenção: a de que a Gazeta de Toledo “sempre teve as portas abertas e nunca pagou nada”. É uma inversão curiosa. Veículos de comunicação são contratados para divulgar eventos e realizar coberturas. Pela lógica do presidente, a imprensa é que deveria pagar para trabalhar.
Quem ainda espera receber?
Não é segredo para ninguém do setor. Há veículos de comunicação que participaram da divulgação e da cobertura das duas únicas edições da ExpoToledo realizadas nesta gestão e, até hoje, aguardam o pagamento pelos serviços prestados. Falar é fácil. Quitar os compromissos é outra história.
Contra imagens não há discurso
É possível tentar desqualificar o jornalista. O que não se consegue é desmentir fotografias. As imagens do abandono e da deterioração do Centro de Eventos foram mostradas por esta coluna. Contra fatos documentados, versões têm prazo de validade.
Prioridades
Enquanto a diretoria dedica tempo para responder em grupos de WhatsApp, a comunidade espera respostas sobre assuntos bem mais importantes: as dívidas, o futuro da SRT, o patrimônio da entidade e a credibilidade perdida. Esses, sim, são os temas que merecem esclarecimentos.
O tempo dirá
A história da Sociedade Rural de Toledo é muito maior do que qualquer gestão. A expectativa do setor é que a entidade volte a ser referência pela força do agronegócio e pela boa administração, e não pelas polêmicas que hoje ocupam as redes sociais.





