Complexo Soja teve crescimento de 18% na receita e respondeu por mais de 40% das vendas externas do Estado; trigo, uva e outros setores também foram analisados pelo Deral/Seab
O Paraná encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma receita de US$ 8,9 bilhões em exportações, resultado 5% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo agronegócio, com destaque para o Complexo Soja e o setor de carnes.
Segundo o Boletim Conjuntural da Divisão de Conjuntura Agropecuária do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), o Complexo Soja apresentou crescimento de 18% na receita, passando de US$ 3,05 bilhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 3,6 bilhões em 2026.
O grupo representou 40,4% de toda a receita das exportações paranaenses no período. Entre os produtos do complexo, a soja em grão foi o principal item comercializado, com receita de US$ 2,43 bilhões, crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior.
Na sequência aparece o farelo de soja, que alcançou US$ 659,4 milhões em exportações, também com alta superior a 12%. Já o óleo bruto de soja teve o melhor desempenho proporcional dentro do complexo, com receita acumulada de US$ 461,5 milhões, aumento superior a 73%.
O setor de carnes também apresentou resultado positivo, com crescimento de 16% na receita. Juntos, carnes e Complexo Soja responderam por mais de 70% do valor total das exportações do Paraná no primeiro semestre.
Apesar do aumento financeiro, o volume total exportado pelo Estado teve retração de 3%. De acordo com o Deral, a redução está relacionada principalmente ao menor volume de milho enviado ao exterior, devido à permanência do produto no mercado interno, além da queda nas exportações de produtos florestais e açúcar.
Importação de trigo recua no Paraná
As compras externas de trigo pelo Paraná diminuíram no primeiro semestre de 2026. O Estado importou 413 mil toneladas, contra 481 mil toneladas no mesmo período de 2025, uma redução de 14%, equivalente a 68 mil toneladas.
O movimento acompanhou a retração nacional registrada pelo Agrostat/Mapa, que apontou queda nas importações brasileiras de trigo, passando de 3,57 milhões para 2,77 milhões de toneladas nos primeiros seis meses do ano.
A expectativa era de aumento nas compras externas em razão da redução da safra brasileira de 2025 e da projeção de uma colheita menor em 2026. Como esse cenário não se confirmou, o mercado trabalha com maior incerteza para o segundo semestre, quando os moinhos deverão recompor estoques.
O Paraná, por possuir o maior parque moageiro do país e estar próximo das regiões produtoras, tende a sofrer impactos menores. Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), nos estados do Sul menos de 20% do trigo utilizado na moagem é importado, enquanto nas demais regiões esse índice ultrapassa 60%.
Produção de uva mantém destaque no Paraná
Outro setor analisado pelo Deral foi a viticultura. O Paraná ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores produtores de uva do Brasil, com participação de 2,7% da produção nacional.
Para 2026, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma colheita estadual de aproximadamente 58 mil toneladas de uvas em uma área próxima a 4 mil hectares.
A atividade está presente em 258 dos 399 municípios paranaenses. Dados levantados pelo Deral indicam que, em 2025, a produção estadual alcançou 50,4 mil toneladas, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 389,7 milhões.
As uvas de mesa representam a maior parcela da renda gerada pelo setor, com R$ 312,3 milhões, equivalente a 80,1% do VBP. Já as variedades destinadas à agroindustrialização movimentaram R$ 77,4 milhões.
Entre os municípios produtores, Marialva, no Norte do Paraná, se destaca na produção de uvas finas de mesa. O município concentra 450 hectares de parreirais, produção de 13,5 mil toneladas e VBP de R$ 129,6 milhões.
Rosário do Ivaí, na região Central do Estado, tem destaque na produção de uvas rústicas de mesa, enquanto Bituruna, no Sul paranaense, é referência na produção destinada à fabricação de vinhos e sucos.
Os dados fazem parte do Boletim Conjuntural Semana 29/2026, elaborado pela Divisão de Conjuntura Agropecuária do Deral/Seab-PR.
Fonte: Seab





