Por Marcos Antonio Santos
Dados do Corpo de Bombeiros revelam índices alarmantes de acidentes e mortes; Edésio Reichert cobra mudança de comportamento e políticas permanentes
Com base nos dados do Corpo de Bombeiros do Paraná, a análise comparativa das taxas de acidentes e de mortalidade no trânsito evidencia um cenário preocupante para Toledo, especialmente quando comparada a cidades de porte populacional semelhante, em torno de 160 mil habitantes.
Acidentes de trânsito por mil habitantes
Em 2024, Toledo já apresentava uma taxa de acidentes de 8,5%, índice significativamente superior ao de cidades com população equivalente, como Araucária (3,3%), Lapa (3,2%) e Guarapuava (3,2%). Mesmo municípios maiores, como Maringá (6,2%), Cascavel (6,4%) e Londrina (5,7%), registraram percentuais inferiores ao de Toledo naquele ano.
O cenário se agrava em 2025, quando Toledo atinge 53,5%, mantendo-se entre os índices mais elevados do levantamento. Embora Araucária (58,8%) também apresente taxa alta, Toledo supera com folga cidades de porte semelhante, como Lapa (37,5%) e Guarapuava (6,2%), e se aproxima de centros urbanos muito mais populosos, como Ponta Grossa (54,6%), Cascavel (61,4%) e Maringá (48,7%). Isso indica que, proporcionalmente, o risco de acidentes em Toledo é comparável ao de grandes cidades, apesar de sua menor população.

Mortalidade no trânsito por 100 mil habitantes
Os dados de mortalidade no trânsito reforçam ainda mais a gravidade da situação. Em 2024, Toledo já apresentava uma taxa elevada de 12,9%, muito acima de cidades do mesmo porte, como Araucária (3,3%) e Fazenda Rio Grande (1,3%), e superior a municípios maiores como Maringá (4,6%) e Londrina (6,0%).
Em 2025, Toledo salta para 53,6%, mantendo-se entre os índices mais altos do conjunto analisado. Embora algumas cidades apresentem percentuais ainda mais extremos, como Fazenda Rio Grande (142,3%) e Araucária (94,8%), Toledo supera municípios maiores e regionalmente relevantes, como Foz do Iguaçu (54,7%), Pato Branco (60,1%) e Maringá (56,1%), evidenciando um alto nível de letalidade no trânsito local.
A comparação direta com cidades de população semelhante deixa claro que Toledo se destaca negativamente tanto no número de acidentes quanto na mortalidade no trânsito. Mesmo quando comparada a municípios de médio e grande porte, Toledo apresenta indicadores proporcionalmente elevados, o que permite afirmar que o trânsito de Toledo está entre os mais perigosos do Paraná dentro de sua faixa populacional.
Os números apontam para a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes, reforço na fiscalização, investimentos em engenharia de tráfego e ações contínuas de educação no trânsito, a fim de reduzir acidentes e preservar vidas.

O presidente do Instituto Pessoas Melhores, Edésio Reichert, destaca que a divulgação desses dados faz parte de um trabalho iniciado desde o começo da campanha. Segundo ele, “logo que começamos a campanha, fomos em busca dessas informações, porque existem várias fontes de dados, como a Guarda Municipal, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e o SAMU”.
Edésio explica que, ao analisar as informações, a equipe optou pelos dados do Corpo de Bombeiros. “Entendemos que os dados dos bombeiros eram os que apresentavam mais confiabilidade e constância”, afirma. Para ele, a comparação com outras cidades foi fundamental. “A sugestão de comparar com outros municípios foi muito interessante, porque nos dá um parâmetro de como nós estamos, e infelizmente, em Toledo, temos números que não nos agradam em nada”.
O presidente do Instituto ressalta ainda a importância de levar essas informações à comunidade. “Mostrar esses números em conversas, seja nas empresas, associações ou escolas, é uma forma de apresentar a nossa realidade”, diz. Ele observa que, apesar da organização e das qualidades da cidade, o alto número de acidentes parece não ser percebido no cotidiano.
Edésio também chama atenção para o comportamento dos motoristas. “Ouvimos muitas reclamações de pessoas que não dão a vez para sair de uma garagem ou mudar de faixa, mesmo quando o motorista sinaliza”, relata. Para ele, atitudes de falta de gentileza no trânsito incomodam e revelam o perfil de grande parte dos condutores. “Todo esse conjunto de informações foi nos dando base para o trabalho da campanha e para a divulgação desses dados”.

Sobre os resultados da campanha, Edésio pondera que não é possível esperar mudanças imediatas. “Nós analisamos os números até a metade de 2025 e, infelizmente, pioramos um pouquinho em relação a 2024”, afirma. Segundo ele, isso não significa fracasso. “Esperar um resultado imediato é até uma certa ingenuidade, porque mudança de comportamento e de hábito leva tempo”.
Ele cita experiências de outras cidades como referência. “Onde os números são melhores, ouvimos relatos de oito, dez, quinze anos de trabalho contínuo”, explica. Por isso, a expectativa é de continuidade e aprofundamento das ações. “O nosso trabalho em 2026 será bastante densificado, buscando institucionalizar ações dentro dos serviços públicos e das secretarias do município”.
Edésio exemplifica com ações já em andamento, como a formação de professores da rede municipal. “Estivemos em uma escola pública para orientar sobre o que ensinar às crianças em relação ao trânsito, inclusive utilizando a mini pista que foi pintada lá”, conta. Ele reforça que a atuação do Instituto é sempre colaborativa. “A escola já tem o programa Educa Trânsito, e nós queremos ajudar a reforçar e melhorar o que já existe”.
Ao final, Edésio faz um apelo à população. “Esperamos sinceramente que as pessoas entendam essa mensagem e observem o seu próprio comportamento”, conclui. “Se cada um procurar mudar e melhorar a sua atitude no trânsito, com certeza teremos uma melhora nos índices de acidentes de Toledo”.





