Por Marcos Antonio Santos
Ícone da indústria automobilística, Fusca segue presente na memória, no cotidiano e nos encontros de colecionadores em Toledo
Celebrado nessa terça-feira, dia 20, o Dia Nacional do Fusca é uma data dedicada a um dos automóveis mais emblemáticos da história do Brasil. Produzido no país a partir de 1959, o Fusca conquistou gerações pela robustez, simplicidade mecânica e carisma inconfundível. Mais do que um meio de transporte, tornou-se parte da vida de famílias inteiras, acumulando histórias, memórias afetivas e amizades que seguem vivas até hoje.
Em Toledo, integrantes do Veteran Car Club mantêm essa paixão ativa, preservando veículos, participando de encontros e compartilhando relatos que mostram como o Fusca ultrapassa o conceito de automóvel e se transforma em símbolo de identidade.
“Com o tempo, a gente vai se apegando”, relembra Aldo Lúcio Rohde
Para Aldo Lúcio Rohde, integrante do Veteran Car Club de Toledo, a história com o Fusca começou em 1994, quando o pai decidiu comprar um modelo para a família. “Na época, confesso que fiquei até meio chateado, porque eles já tinham carros mais confortáveis, mais modernos. E meu pai acabou comprando um Fusquinha 1981, um Berge, todo originalzinho, coisa linda”, conta.
O que começou com certa resistência logo se transformou em apego. “Começamos a usar o Fusca para tudo: ir trabalhar, viajar nas férias, ir à igreja, sair com amigos e família. Andando com o Fusquinha pra cá e pra lá, a gente vai se apegando”, relembra. Com o passar do tempo, o carro também ganhou a cara da juventude da época. “A gente era mais piazão, demos umas ajeitadas: roda de Brasília, volante esportivo, rebaixamos um pouco, aquele estilo de jovem”, diz.
Anos depois, o Fusca acabou sendo vendido, mas a paixão permaneceu. “Hoje, graças a Deus, estamos novamente com um Fusquinha Berge, só que um ano mais novo, de 1982, bem parecido com o que tivemos”, afirma Aldo, que atualmente integra o Veteran Car Club de Toledo. “Criamos amizades, conhecemos pessoas novas, fortalecemos a união do grupo. Já participamos de encontros no Paraguai, na Argentina e em várias cidades da região. É uma grande satisfação”, destaca.
Ele também aproveita para convidar a comunidade para o 5º Encontro Internacional de Carros Antigos, que acontece nos dias 18 e 19 de abril, no Lago Municipal de Toledo. “Vai ter música ao vivo, diversão para as crianças e muitos carros antigos. Todos estão convidados”, reforça.


Infância, juventude e reencontro com o passado: a história de Volmir Kaefer
A relação de Volmir Kaefer, também integrante do Veteran Car Club de Toledo, com o Fusca começa ainda na infância. “Quando nos mudamos do interior para Toledo, boa parte da mudança foi feita em um Fusca. A gente chamava ele de ‘carro dos Flintstones’, porque o asfalto tinha tanto buraco que, quando chovia, dava para ver a água passando”, recorda, em tom bem-humorado.
Aos 18 anos, veio o presente marcante. “Meu pai me presenteou com um Fusca 1980, verde pampa. Ele estava bem judiado e precisava de uma reforma urgente”, lembra. A restauração marcou uma nova fase. “Reformamos lataria, estofaria e motor. Pintei ele com uma cor bem atual na época, um vermelho magenta perolizado da linha Ford. Ficou muito bonito”, conta.
O carro acompanhou Volmir por muitos anos e foi cenário de inúmeras aventuras da juventude. Mais tarde, acabou sendo vendido para a compra de um veículo mais moderno. “Mas essa vontade de voltar para o mundo dos antigos nunca foi embora”, afirma. Trinta e dois anos depois, o sonho se tornou realidade. “Hoje tenho um Fusca 1974, na cor verde místico, uma cor rara. Em um encontro com mais de 1.200 carros, encontrei apenas um veículo nessa cor — e nem era Fusca”, relata.
Para ele, o simbolismo vai além da coincidência. “O encontro de carros antigos em Toledo acontece nos dias 18 e 19 de abril, e o dia 18 é meu aniversário. Isso mostra que o Fusca não é só um automóvel, ele representa uma história de vida”, resume.

“Não são carros velhos, são veículos históricos”, afirma Nilto Girardello
A história de Nilto Girardello com o Fusca atravessa mais de cinco décadas. “Minha relação começou em 1975, com um Fusca 1600, o famoso ‘Bisorão’, com dois carburadores. Naquela época, era como ter um V8 hoje”, relembra. O carro era amarelo, com detalhes vermelhos, proteção lilás e diversos acessórios que lhe davam personalidade.
Por circunstâncias familiares, Nilto precisou trocar o Fusca por uma casa e, depois, por um carro maior. Mas a paixão falou mais alto. “Seis meses depois, troquei um terreno por outro Fusca, um 1500. Essa paixão me acompanha há 52 anos”, afirma.
Atualmente, Nilto possui um Fusca marrom em Toledo, que utiliza com frequência, e outro Fusca amarelo em Davi Canabarro (RS), onde participa de encontros com o apoio do irmão. Fundador do Veteran Car Club, ele faz questão de destacar o valor histórico desses veículos. “Não são carros velhos, são carros históricos, verdadeiras relíquias. O valor não é só financeiro, é sentimental”, ressalta.
Para Nilto, os encontros de carros antigos são verdadeiras celebrações. “São momentos de lazer, de fazer amizades e de valorizar a história. O evento em Toledo, nos dias 18 e 19 de abril, reúne pessoas de vários países e ajuda a elevar o nome da cidade”, afirma.
No Dia Nacional do Fusca, as histórias compartilhadas em Toledo reforçam que o modelo segue vivo não apenas nas ruas e exposições, mas principalmente no coração de quem transformou o Fusca em parte da própria trajetória.





