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O Espírito Santo consolador nos transforma e desinstala

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Dom João Carlos Seneme, Bispo da Diocese de Toledo. Foto: Divulgação

Neste Domingo de Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa, os apóstolos recebem a realização da promessa de Jesus: o dom do Espírito Santo. Este dom não é apenas uma força celestial, mas a própria presença viva de Deus que irrompe no coração humano. Com Ele, os discípulos são profundamente transformados: os medos se dissipam, o egoísmo é vencido, e uma nova coragem os impulsiona a anunciar o Evangelho até os confins da Terra, mesmo à custa da própria vida.

Também nós recebemos esse mesmo Espírito. Ele é o dom silencioso, porém poderoso, da presença divina. Ele nos acompanha como hóspede fiel, ilumina nosso caminho, nos impulsiona para Deus – porque é Deus mesmo habitando em nós, sustentando-nos até o fim de nossa vida.

Antes de sua paixão, Jesus falou repetidamente dessa promessa do Pai: o envio do Espírito. E no Evangelho proclamado neste domingo de Pentecostes, ouvimos Jesus confiar aos discípulos essa realidade transformadora. Ele chama o Espírito de Paráclito – que significa Consolador, Advogado, Acompanhante fiel.

Mas o que significa ser consolado? Com frequência, associamos a consolação apenas a momentos de sofrimento. No entanto, a verdadeira consolação é algo mais profundo: é saber que, em tudo o que vivemos – alegrias ou dores –, não estamos sós. Ser consolado é ter a certeza de uma presença amiga, silenciosa e amorosa, que não julga, mas acolhe. A solidão, mesmo em meio às bênçãos da vida, pode ser um fardo cruel. A verdadeira consolação é o dom de ser acompanhado, de partilhar o peso da existência com Alguém que nos ama gratuitamente.

Muitas vezes buscamos falsas consolações: distrações passageiras, anestesias emocionais, prazeres efêmeros que tentam preencher vazios interiores. São refúgios frágeis que não curam a alma, apenas a entorpecem. O Espírito Santo, ao contrário, é uma presença real que não ilude. Ele não apaga a dor, mas caminha conosco por dentro dela, nos recordando: “Você não está sozinho. Eu estou aqui. Você é amado”. E isso muda tudo.

Jesus também nos diz que o Espírito é Mestre. Ele ensina – não do lado de fora, como quem impõe – mas no interior do coração. Ele inspira, esclarece, dá discernimento. Nos momentos de dúvida, Ele nos convida a escolher o bem, a verdade, a justiça e o amor. Ele molda nossos desejos, purifica nossos pensamentos, fortalece nossas decisões. Mesmo quando nossa visão está turva ou nossa força vacila, o Espírito nos conduz ao que é bom – não apenas para nós, mas para todos à nossa volta.

Por fim, Jesus diz: “Ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos falei”. O que Jesus nos falou, Ele o disse com palavras e, sobretudo, com gestos concretos: acolhendo os pobres, curando os doentes, abraçando os esquecidos. O Espírito nos recorda esse amor encarnado, e nos dá a graça de amar como Ele amou – com compaixão, com entrega, com ternura.

A primeira leitura deste domingo (At 2,1-11) nos apresenta o Espírito como um vento impetuoso. Ele sopra onde quer, desinstala, rompe as portas trancadas do nosso coração, nos liberta do medo, do egoísmo e da indiferença. Ele nos torna irmãos, constrói comunhão, valoriza a diversidade, e faz de nós um só povo, uma só família em Deus.

Se acolhemos o Espírito Santo, acolhemos o próprio amor de Deus. E esse amor nos torna pessoas novas: consoladas, guiadas, e capacitadas para consolar e amar os outros com o mesmo amor que recebemos.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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Edição nº2808 – 13/02/2026

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