“Necessitamos evoluir, sair dessa inércia, alterando os modelos que nos trouxeram até aqui”, aponta Aproltol
A Comissão do Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Câmara de Toledo realizou reunião na terça-feira, 26, com produtores de leite de Toledo, Cascavel, Ouro Verde do Oeste, Missal, Pato Bragado, Assis Chateaubriand e Braganey, entre outros municípios, que lotaram o Plenário e Auditório Edílio Ferreira, para discutir a crise no setor leiteiro e propor medidas a respeito. A reunião contou também com a Associação dos Produtores de Leite de Toledo (Aproltol), presidida por Saul Zeuckner, além do prefeito em exercício Ademar Dorfschmidt; da presidente da Acit, Anaide Holzbach; do presidente do Sindicato Rural, Nelson Gafuri; e do presidente do Conselho de Desenvolvimento do Agronegócio de Toledo, João Luiz Nogueira, e do chefe da regional da Seab, Paulo Salesse, entre outras autoridades e lideranças.
O presidente da Aproltol destacou que a região reúne mais de 8 mil produtores entre Toledo e Cascavel e é a segunda maior bacia leiteira do Paraná. Em mais de 40 anos de atuação na área do leite, este é o pior quadro vivido pela atividade.
A Aproltol disse que a precariedade da atividade, que não tem contrato, não tem nota fiscal e nem data para receber pela produção entregue. Saul Zuckner apontou que no início da manhã houve nova baixa de 7,47% num período onde o produto deveria estar com preço em alta. Foi uma desvalorização de R$ 0,07, que parece pouco, mas na proporção e pelo período do ano, que historicamente é de valorização, é muito, conta o presidente da Aproltol, assinalando ainda que o consumo do produto está em queda. Para Saul Zuckner hoje a margem maior está no varejo, que está lucrando muito, apontando que 53% do leite no Paraná está sendo direcionado à produção do queijo mussarela, assinalando ainda que a indústria séria também está sofrendo.

Setor presente e significativo
A produção de leite hoje está presente em 98,82% dos municípios brasileiros, ou seja, 5.504 municípios, envolvendo 1,176 milhão de produtores e gerando cerca de 4 milhões de empregos diretos, além de outros milhões indiretos, desde a propriedade até o produto e seus derivados chegarem ao varejo.
A associação apontou em documento distribuído na reunião da CDS que o leite é um dos alimentos mais completos que o ser humano consome, mas a atividade é das mais esquecidas em termos de políticas públicas e tem um sistema arcaico de comercialização, “que está levando o setor ao colapso”. “Necessitamos evoluir, sair dessa inércia, alterando os modelos que nos trouxeram até aqui”, aponta o documento, que destaca ainda a ampliação da importação de produtos lácteos do Mercosul, especialmente leite e queijo, de cerca de 300% neste ano até agosto.
A Aproltol reivindica ainda a desoneração da produção e incentivos, com redução de tributos na cadeia produtiva; proibir o uso do termo leite para produtos substitutos e/ou análogos, fiscalização da legislação quanto ao pagamento ao produtor até 45 dias da primeira venda, com a Lei 12.669/2012, contratos de compra e venda do leite, nota fiscal diária do produto/comprovante de teor jurídico, pagamento até o quinto dia útil do mês, indexador do leite para apurar seus custos e campanha para aumento do consumo, entre outras medidas.
Desenvolvimento Sustentável
A CDS-Comissão do Desenvolvimento Sustentável é integrada pelos vereadores, Valdomiro Bozó, presidente; Valtencir Careca, Damião Santos, Beto Scain e Roberto Souza, mas a reunião contou também com os vereadores Valdir Rossetto e Gabriel Baierle, líder e vice-líder, respectivamente, do Bloco Agronegócio, Desenvolvimento e Inovação, mais os vereadores Chumbinho Silva, Jozimar Polasso e Olinda Fiorentin, além do presidente da Câmara, Dudu Barbosa.
Fonte: assessoria da Câmara Municipal





