O SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas) manifesta preocupação com o incidente envolvendo o voo AD4372, da Azul Linhas Aéreas, em Salvador (BA) e alerta para as condições de fadiga a que são submetidos os tripulantes brasileiros.
Na madrugada de quarta-feira (10), um avião da Azul saiu da pista durante pouso no Aeroporto Internacional de Salvador. O voo partiu de Viracopos, em Campinas (SP), às 23h15 de terça-feira (9) e aterrissou em Salvador por volta da 1h30 da manhã. No momento da aterrissagem, estava chovendo na cidade.
Para o SNA, além das condições climáticas desfavoráveis, é importante abordar o tema das jornadas extenuantes de trabalho dos aeronautas, principalmente na madrugada.
Em janeiro de 2023, o SNA também realizou uma pesquisa para medir os níveis de fadiga dos tripulantes brasileiros e determinar como a fadiga é gerenciada nas empresas aéreas. A pesquisa foi respondida por mais de 4.300 aeronautas e apontou que, nos dois meses anteriores ao levantamento, 43,08% dos tripulantes perceberam sinais de fadiga durante as operações pelo menos três vezes por semana. Outros 27,97% tiveram a sensação de fadiga duas vezes por semana e 16,27% disseram ter sentido fadiga ao menos uma vez por semana.
O assunto também foi tema de uma reunião, na última segunda-feira (8), entre o SNA e o secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, Roberto Gusmão. No encontro a diretoria do sindicato reafirmou a preocupação com a situação alarmante em que os aeronautas estão voando: jornadas no limite, repousos inadequados e apresentações consecutivas na madrugada.
A pesquisa do SNA também destaca a preocupação dos tripulantes em reportar episódios de fadiga às empresas por medo de retaliações. Para se ter uma ideia, 73,78% dos aeronautas que responderam à pesquisa do SNA afirmaram que não se sentem confortáveis em fazer reporte de fadiga para a empresa aérea e 72,81% têm medo das consequências de se fazer um reporte.
O sindicato reforça ainda que as causas do incidente com o avião da Azul em Salvador devem ser apuradas, mas ressalta que as jornadas de trabalho exaustivas devem ser levadas em consideração quando ocorre esse tipo de situação.
Fonte: Assessoria de Imprensa do SNA





