Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Fonte de dados meteorológicos: Wettervorschau 30 tage
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Os novos e antigos desafios do Brasil na produção de trigo

h

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Dilceu Sperafico. Foto: Assessoria

Por Dilceu Sperafico*

O Brasil assumiu o desafio de se tornar autossuficiente na produção de trigo, cujo déficit anual atinge cerca de dois bilhões de dólares, com a colheita nacional atendendo somente 64% do mercado interno. Até porque a cotação do cereal vem subindo muito no mercado internacional, passando de 200 para 450 dólares a tonelada nos últimos dois anos, podendo se elevar cada vez mais com a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Para tentar reverter esse quadro negativo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), aprovou projeto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de pesquisa e incremento da produção do “trigo tropical” no Cerrado Brasileiro.

Em apenas 36 meses, a meta é expandir a área de cultivo em 100 mil hectares nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Distrito Federal. Esse acréscimo representaria a redução de 450 milhões de reais no déficit da balança comercial com as importações de trigo.

A produção nacional de trigo em 2022, conforme previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), poderá atingir 8,1 milhões de toneladas, 6,0% superior a do ano passado, em função de aumentos na área cultivada e produtividade do cereal.

Esse volume seria suficiente para atender 64% do consumo nacional estimado em 12,6 milhões de toneladas anuais. Em relação a 2020, o volume de 2022 seria 27% superior, elevando a colheita de 5,1 milhões de toneladas para 6,2 milhões de toneladas.

Como destaca a tradição, a Região Sul contribui muito para essa expansão da produção nacional de trigo. O Paraná e o Rio Grande do Sul respondem por 87% do cereal produzido no País, com a área plantada recorde nos últimos 42 anos. A Emater estima o cultivo de 1,41 milhão de hectares da região em 2022, contra 1,18 milhão no inverno anterior.

Como culturas de inverno ocupam apenas 1/4 da área plantada no verão, de 8,5 milhões de hectares nos três Estados, há espaço para duplicar, triplicar e até quadruplicar a área de trigo na região.

A produção mundial de trigo na temporada 2022/23 projetada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), será de 774,8 milhões de toneladas, 1,0% menor do que em 2021/22, devido à redução do plantio na Ucrânia, Austrália e Marrocos, apesar de maiores cultivos no Canadá, Rússia e Estados Unidos.

A China, maior produtor mundial, colhe anualmente 135 milhões de toneladas de trigo, contra 106 milhões da Índia, 81 milhões da Rússia e 21,5 milhões de toneladas da Ucrânia, que terá redução de 35% na próxima safra. Antes da guerra, Rússia e Ucrânia respondiam por 30% das exportações globais de trigo.

No Brasil, o cultivo do trigo iniciou de forma artesanal, mas após a 2ª Guerra Mundial, o governo estimulou a cultura importando tratores e criando políticas de incentivos, com preços de garantia, crédito agrícola a juros menores, seguro e infraestrutura de suporte, aumentando a área plantada e tornando o País praticamente autossuficiente no cereal.

Em 1974, com a criação da Embrapa Trigo, foram desenvolvidas cultivares adaptadas ao clima da região, com maior êxito nas lavouras. O plantio iniciou com a variedade Frontana e cresceu com cultivares como C-3, entre outras, todas muito produtivas. A trilhadeiras cederam espaço para máquinas tracionadas por tratores e depois por automotrizes, como eram chamadas colheitadeiras movidas por motor próprio.

*Dilceu Sperafico é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado.

E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

Veja também

Publicações Legais

Edição nº2811 – 02/03/2026

Cotações em tempo real