Toledo viveu uma quarta-feira de forte simbolismo para a saúde pública. Enquanto o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, visitava o Hospital Regional para discutir uma possível integração com a UFPR, a Secretaria Municipal de Saúde apresentava, na Câmara, as contas do segundo quadrimestre. Dois movimentos distintos, mas que colocaram a estrutura da saúde de Toledo sob os holofotes.
31,37% para a Saúde
Os números apresentados impressionam: entre janeiro e agosto, Toledo aplicou 31,37% das receitas correntes líquidas em saúde, mais que o dobro do mínimo constitucional de 15%. As despesas liquidadas chegaram a R$ 188,3 milhões. Portanto, a discussão não é simplesmente se há dinheiro sendo aplicado. Há — e muito.
Dinheiro tem. E na ponta?
É justamente aí que surge a pergunta que a planilha não responde sozinha. Se o investimento é tão expressivo, por que UBSs, Mini Hospital e UPA ainda enfrentam, em determinados momentos, falta de itens básicos, dificuldades de reposição ou limitações operacionais? O percentual é robusto. A percepção de quem está na ponta nem sempre acompanha o mesmo desempenho.
O limite prudencial virou resposta?
A Prefeitura informou recentemente que a despesa com pessoal chegou a 49,85% da receita corrente líquida, contra 48,84% em agosto de 2025. É um dado que merece atenção. Mas também merece outra pergunta: até que ponto o chamado “limite prudencial” pode continuar sendo usado como explicação recorrente para carências na saúde?
Mais que números
Não há dúvida sobre o volume de recursos aplicados, nem sobre a dimensão da rede. A dúvida é outra: como transformar mais de 31% da receita em atendimento que também seja percebido como eficiente dentro da UBS, da UPA e do Mini Hospital? Afinal, saúde pública não se mede apenas pelo quanto se gasta. Mede-se, principalmente, pelo que chega ao cidadão. CRÔNICA NO FINAL DA COLUNA: Saúde se conhece no chão da unidade
Defesa Civil ganha caixa próprio
Em meio aos estragos provocados pelos temporais, Toledo oficializou a criação do Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil. A medida chega em boa hora: prevenção, resposta rápida e recuperação exigem estrutura permanente — e, principalmente, recursos disponíveis quando a emergência bate à porta.
Delegacia Cidadã sai do discurso
A nova Delegacia Cidadã voltou ao centro das discussões com o secretário Hudson Teixeira. O projeto prevê uma estrutura moderna, com três pavimentos, serviços integrados e espaço para novas unidades especializadas. Agora, o desafio é fazer o projeto avançar da reunião para a licitação e, depois, para a obra.
Mais efetivo na pauta
Toledo também levou à mesa uma reivindicação antiga: reforço nos efetivos das forças de segurança. Com o crescimento do município e o aumento das demandas, ampliar estrutura sem ampliar pessoal pode significar apenas prédios novos com os mesmos problemas de sempre.
Violência contra a mulher preocupa
Hudson Teixeira admitiu que a violência doméstica e os feminicídios continuam entre os maiores desafios da segurança pública. Mesmo com rede de proteção e atuação integrada, os números ainda exigem atenção. É um problema que não se resolve apenas com viatura na rua, mas também com prevenção, atendimento e resposta rápida.
Entrevista de sábado – Dilceu Sperafico.

Ele quer voltar a Brasília. E chega à disputa levando como principal argumento os resultados do atual mandato. Segundo balanço apresentado pelo próprio parlamentar e divulgado pela Prefeitura de Toledo, desde 2023 foram viabilizados cerca de R$ 78 milhões para o município, em áreas como saúde, infraestrutura, esporte e assistência social.
Agora, a pergunta é: o que foi entregue, o que ainda falta e por que Toledo deveria continuar apostando em representação própria em Brasília?
Aquele gabinete
Mais duas portarias e mais uma dança das cadeiras naquele gabinete. Sai um assessor, entra outro, e a contabilidade já flerta com a 20ª movimentação. A essa altura, o mobiliário parece ter mais estabilidade que a equipe.
Ambiente sem ambiente
Trocar assessor faz parte da política. Trocar tantos começa a parecer método. Quando quase todo mundo passa e pouca gente fica, talvez a pergunta já não seja por que os assessores saem, mas o que existe naquele gabinete capaz de transformar permanência em prova de resistência.
Saúde se conhece no chão da unidade
Saúde pública não se administra apenas por planilhas. Administra-se olhando no olho de quem atende e de quem precisa ser atendido.
Foi exatamente isso que o presidente do Conselho Municipal de Saúde de Toledo, Jairo Zschornack deixou claro na audiência de prestação de contas. Em poucos minutos, fez o que muitos deveriam fazer com mais frequência: reconheceu o que está funcionando, apontou o que precisa melhorar, cobrou responsabilidades e lembrou aos gestores uma verdade que não pode ser escondida atrás do orçamento municipal — o SUS é tripartite. Município, Estado e União têm responsabilidades.
E foi além.
Não fez oposição por fazer. Também não distribuiu elogios por conveniência. Quando os números mostraram avanços, reconheceu. Quando encontrou problemas, colocou o dedo exatamente onde doía.
É assim que se fiscaliza saúde.
Toledo aplicou 31,37% de suas receitas na área. É um percentual expressivo. Ninguém precisa diminuir esse esforço para reconhecer que ele existe. Mas o próprio Conselho apontou que grande parte da pressão financeira sobre o município está em serviços hospitalares, ambulatoriais, consultas e especialidades que também deveriam contar com maior participação do Estado e da União.
Só que existe outra conta.
Aquela que não aparece tão bonita no telão.
É a conta da unidade que precisa de reforma. Da farmácia apertada. Do profissional que precisa ser deslocado para cobrir outro posto. Do cidadão que sai do interior, chega para buscar medicamento e precisa voltar porque naquele momento não há o profissional necessário. O próprio presidente do Conselho relatou situações dessa natureza durante sua manifestação.
É nessa hora que a planilha precisa encontrar a realidade.
Relatórios são indispensáveis. Números são esclarecedores. Mas nenhum deles substitui uma visita a uma UBS, ao Mini Hospital ou à UPA.
Porque uma planilha pode dizer que milhões foram aplicados.
Mas ela não diz, sozinha, se faltou gaze.
Não mostra o calor de uma sala inadequada, uma parede esperando reforma, um servidor sobrecarregado ou um paciente que percorreu quilômetros e precisou retornar para casa.
E há uma regra simples na administração pública: quando o problema chega nesse nível, precisa aparecer quem manda — e não apenas quem é mandado.
Secretário precisa visitar.
Diretor precisa visitar.
E prefeito também precisa visitar.
Não em solenidade. Não com roteiro pronto. Não apenas quando existe fotografia.
É preciso entrar onde o atendimento acontece, conversar com quem trabalha e observar aquilo que dificilmente chegará intacto até o gabinete.
Depois de 42 anos de jornalismo, aprendi a desconfiar de duas coisas: da realidade que só existe no relatório e do gestor que conhece seus serviços apenas pelo que lhe contam.
Não estou dizendo que números sejam falsos. Estou dizendo algo mais simples: números podem ser organizados, interpretados e apresentados. A realidade encontrada pessoalmente é muito mais difícil de contornar.
E foi exatamente esse o mérito da participação do presidente do Conselho.
Ele cobrou despesas dos consórcios, questionou custos, chamou atenção para a assistência farmacêutica e para as filas, mas também reconheceu melhorias nas endemias e no trabalho relacionado à mortalidade materno-infantil.
Não foi um discurso contra a Secretaria.
Foi um discurso a favor da saúde.
E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
Fiscalizar não é destruir gestão. Cobrar não é torcer contra. Apontar uma deficiência não apaga aquilo que foi feito corretamente.
Ao contrário.
É exatamente para isso que existe um Conselho Municipal de Saúde.
Naquela audiência, seu presidente mostrou que controle social não é ocupar cadeira.
É ocupar posição.
E, quando necessário, usar o bisturi.





