Thursday, July 2, 2020
Isenção e Verdade


“Parece que está começando a ir embora a questão do vírus”, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste domingo (12), sem apresentar dados, que “parece que está começando a ir…

Por redacao gazeta , em Geral , no dia12 de abril de 2020, 20:08h

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste domingo (12), sem apresentar dados, que “parece que está começando a ir embora a questão do vírus”. O país registrou neste domingo 99 mortes provocadas pelo novo coronavírus.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus subiu para 22.169 com 1.223 mortes confirmadas.

“Veio agora esse vírus. É o que tenho dito desde o começo, há 40 dias. Temos dois problemas pela frente, lá atrás eu dizia: o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus. Mas está chegando e batendo forte o desemprego”, afirmou o presidente.

A avaliação de Bolsonaro, entretanto, não coincide com a de especialistas. O Ministério da Saúde tem alertado que o pico de infecção da doença no país deve acontecer entre o final de abril e o início de maio. Em um artigo científico publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e assinado ao lado de  outros pesquisadores, o ministro Luiz Henrique Mandetta afirma que o maior número de casos deve ser registrado até o início do próximo mês e que a COVID-19 deve continuar circulando pelo menos até setembro.

“Devemos lutar contra essas duas coisas [vírus e desemprego]. Obviamente sempre lutamos crendo, acreditando em Deus acima de tudo. Vamos vencer esses obstáculos. Não serão fáceis, mas tenho certeza que chegaremos lá”, acrescentou o presidente neste domingo.

Videoconferência
O presidente participou hoje de uma celebração, por videoconferência, com mais de 40 lideranças evangélicas, católicas e judaica para celebrar a Páscoa. O isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus foi relembrado por alguns religiosos como oportunidade para a humanidade se tornar melhor. Outros fizeram orações pela recuperação econômica do país.

“Vivemos um momento difícil e sabemos quem pode nos curar: Deus sempre, acima de tudo. Nós aqui na Terra temos que fazer a nossa parte”, disse Bolsonaro, ao abrir a transmissão e defender que as pessoas sejam informadas “não através do pânico, mas através de mensagens de paz e conforto”.

“Devemos receber essa lição com bons olhos”, afirmou o rabino Leib Rojtenberg. “Em meio a uma geração em que tudo é instantâneo, na palma da mão em uma tela, as conversas em casa são escassas, marido e esposa não se falam, filhos e pais deixaram de ser prioridade, a mão de Deus conseguiu entrar e parou o mundo inteiro para colocar todos na mesma situação: dentro de caso”. O religioso judeu acrescentou que liberdade “não é só sair na rua”.

O padre Reginaldo Manzotti também fez um discurso de resignação. “Estamos numa quarentena que não dá para dizer que será amanhã, semana que vem ou daqui um mês [que irá terminar], porque a realidade se impõe”, disse, acrescentando que todos podem sair melhores da pandemia e que a Páscoa é tempo de obediência e superação. “Só posso estar bem se o outro estiver bem. Ninguém é uma ilha”, disse o padre.

Notório apoiador de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia aproveitou para criticar a imprensa e — nas suas palavras — os “profetas do caos”. “Toda morte é uma tragédia, mas a verdade é que há um espírito de pânico e medo colocado na população por interesses escusos e interesses políticos”, disse. Deputado federal e também apoiador de primeira hora do presidente, o pastor Marco Feliciano (Podemos-SP) defendeu o uso da cloroquina para a cura das pessoas contaminadas com COVID-19 — não há pesquisa conclusiva que ateste a eficácia do remédio.

Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support
%d blogueiros gostam disto: