Sunday, July 5, 2020
Isenção e Verdade


“Sede compassivos como vosso Pai é compassivo”

Com o relato deste domingo (29/09) o Evangelho de Lucas conclui o famoso capítulo social que no domingo passado levantou…

Por redacao gazeta , em Artigo , no dia27 de setembro de 2019, 15:49h

Com o relato deste domingo (29/09) o Evangelho de Lucas conclui o famoso capítulo social que no domingo passado levantou questões específicas para os cristãos, como o apego ao dinheiro ou a riqueza e atitude que se espera do verdadeiro cristão: “Não se pode servir a Deus e ao dinheiro”.

Jesus contou a parábola de Lázaro e o homem rico usando imagens fortes e contrastantes. De um lado há a figura de um homem rico que se vestia ricamente e festejava todos os dias. De outro lado, há um homem pobre e doente, Lázaro, que vivia das migalhas que caiam no chão; era tão insignificante e invisível que os cachorros – animal considerado impuro – lambiam suas feridas.

Os dois morreram e foram para o lugar destinado a cada um: Lázaro para o céu e o rico para o inferno. O pobre se salva pela misericórdia de Deus, porque a salvação é um dom e não merecimento.  O rico é condenado porque já tinha feito sua escolha em vida: as riquezas. Ele não foi capaz de ver e ajudar os pobres.

O centro da parábola está na pessoa do homem rico. Ele foi condenado não por causa de sua riqueza, mas porque não escutou “a lei e os profetas”, ou seja, não obedeceu aos mandamentos de Deus. O homem rico se tornou surdo ao vínculo fundamental que o une a Deus e aos irmãos, ele ignorou o pobre e o próprio Deus.

Tal punição não era inevitável. Se o homem rico tivesse seguido as instruções de Deus, ele teria se poupado do tormento. Da mesma forma, se ele seguisse os ensinamentos da aliança, Lázaro não teria que esperar até a morte para se consolar. Lucas, portanto, encontra nesta parábola um ensino mais profundo sobre discipulado. Nós, discípulos, precisamos viver a grande inversão em nossas vidas diárias. Por meio do arrependimento e do poder do Espírito, devemos sacrificar luxos para suprir as necessidades dos outros. Devemos dividir nosso pão e até aceitar tempos de fome para garantir que os famintos sejam alimentados. Devemos deixar para trás conquistas e status e até arriscar perseguição para elevar os humildes. Dessa maneira, todo ato de misericórdia proclama nossa fé em Cristo e revela Deus agindo, tornando todas as coisas novas.

O amor ao próximo é o caminho que ensina a não se conformar com o mundo como ele é, muitas vezes, dividido entre ricos e pobres. Como se assim fosse a vontade de Deus. O seguidor de Jesus se incomoda e procurar superar esta dualidade. Torna-se sensível ao sofrimento daqueles que encontra pelo caminho. Aproxima-se do necessitado e o ajuda. Diz São Paulo aos Romanos: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,2).

A Eucaristia é o grande dom que Deus concede a todos, Ele nos alimenta com sua palavra e com o Corpo e o Sangue de seu filho, Jesus Cristo. Se Ele escolheu uma refeição como modo de perpetuar sua presença entre nós e esta ceia é sacrifício de Cristo por nós na cruz, a Eucaristia nos ensina um novo modo de viver: não podemos achar normal uma pessoa passar necessidade diante de nossas casas.

Dom João Carlos Seneme, css

Bispo de Toledo

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